Empreendedoras amazônicas lideram inovação sustentável e abrem caminhos para exportação

Do hidromel às bioformulações de beleza, histórias de mulheres, que unem criatividade e tecnologia, demonstram como a Amazônia ganha novas rotas no cenário internacional

Na COP30, Ana Lídia Zoni mostrou a força do empreendedorismo feminino ao levar o Hidromel Uruçun do Pará para o mercado global

A presença crescente de mulheres à frente de negócios inovadores tem redefinido a forma como a Amazônia se conecta ao mercado internacional. Nesta quarta-feira (19), durante a COP30, histórias de empreendedoras paraenses reforçaram como gênero, tecnologia e sustentabilidade se entrelaçam para construir modelos de negócio competitivos e alinhados às novas exigências globais.

Entre esses exemplos está o trabalho de Ana Lídia Zoni, criadora do Hidromel Uruçun da Amazônia. Em poucos anos, a bebida, produzida com mel de abelha nativa sem ferrão, passou de uma ideia embrionária para um produto exportado para sete países, incluindo Alemanha, Índia e destinos do Caribe.

 A empreendedora conta que a guinada internacional veio após um investidor europeu conhecer o hidromel no Brasil e identificar seu potencial em mercados onde o consumo da bebida é tradição milenar. Desde então, a empresa investe em desenvolvimento tecnológico e pesquisa, incluindo a formulação do que será o primeiro hidromel com safra do mundo.

“Lá fora, consumir hidromel é um hábito milenar. Aqui, estamos redescobrindo essa bebida. Nosso diferencial é significativo e continuamos investindo em tecnologia e formulações inéditas, como o primeiro hidromel com safra no mundo, para levar os sabores da Amazônia ao exterior”, afirma.

O movimento acompanha uma virada maior: cada vez mais mulheres lideram negócios exportadores, impulsionadas por capacitação em comércio digital, inovação e internacionalização

Outro exemplo de inovação associada ao protagonismo feminino é o da Quri Natural Beauty, marca criada por Daniela Cunha. A empresa, que trabalha com ingredientes de origem amazônica, encontrou na qualificação técnica oferecida por programas nacionais de empreendedorismo feminino o impulso necessário para estruturar um e-commerce próprio e se preparar para a expansão internacional.

Daniela destaca que o acesso a mentorias especializadas ampliou a visão da marca sobre viabilidade comercial e estratégias digitais. “Percebemos que, mesmo sendo uma empresa jovem, estamos prontas para alcançar outros mercados. A preparação técnica fez diferença”, avalia.

Os avanços refletem um movimento mais amplo de fortalecimento da presença feminina no comércio exterior. De acordo com o Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), hoje há uma participação cada vez maior de mulheres liderando empresas voltadas à exportação, tendência que acompanha o crescimento de iniciativas voltadas à capacitação em comércio digital, inovação e internacionalização.

No painel “Mulheres Globais – COP30”, mediado por Cassandra Lobato no estande da Finlândia, as paraenses debateram como gênero, comércio sustentável e liderança feminina se cruzam na construção de uma transição justa e inclusiva

A gerente do FIEPA CIN, Cassandra Lobato, destaca que a preparação das empreendedoras tem sido determinante para esse cenário. “Começamos empoderando essas mulheres, mostrando que elas podem. Depois vem a capacitação técnica para que alcancem clientes internacionais. Ver esse tema ganhar espaço em outro pavilhão foi realmente muito especial, um presente”, concluiu Cassandra.

As empreendedoras participaram do painel “Mulheres Globais – COP30”, mediado por Cassandra Lobato, no estande da Finlândia na Blue Zone. Na ocasião, as paraenses discutiram sobre a relação entre gênero e comércio sustentável, assim como o papel relevante de lideranças femininas na construção de uma transição justa, inclusiva e ambientalmente responsável.

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