“Sempre me interessei pela ideia de usar dados para tomar decisões mais assertivas.” Foi a partir dessa inquietação que João Toste, bolsista do programa Inova Talentos do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), começou a desenhar a própria trajetória. O que nasceu como curiosidade acadêmica na graduação em Estatística pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) se transformou em missão profissional: usar números para contar histórias que impactam o desenvolvimento econômico do estado.
João iniciou a carreira como estagiário de estudos e pesquisa no Observatório do Sistema FIEMT. Formado em setembro de 2025 e com o fim do contrato de estágio, poderia ter seguido outro caminho. Mas foi justamente o programa Inova Talentos que abriu uma nova porta e ampliou horizontes.
Por meio da iniciativa, ele permaneceu no sistema como bolsista, primeiro ainda como graduando e, atualmente, como profissional formado. “Através do Inova Talentos, surgiu a oportunidade de permanecer no sistema FIEMT como bolsista, onde pude dar continuidade aos trabalhos e iniciar novos projetos”, relembra João.
Narrativas que defendem a indústria
No Observatório de Mato Grosso, João atua na área de estudos e pesquisa. Mais do que analisar planilhas, ele ajuda a construir narrativas estratégicas que defendem os interesses da indústria e do Sistema FIEMT.
A experiência, segundo ele, tem sido ao mesmo tempo enriquecedora e desafiadora. Ao mergulhar nos indicadores econômicos e sociais do estado, João passou a enxergar de perto problemas estruturais e gargalos de desenvolvimento.
“Muitas vezes me deparo com problemas que penso que fogem da minha alçada, o que acaba sendo benéfico, pois posso sair da minha zona de conforto”, admite. João explica que poder testar metodologias diferentes e buscar soluções possíveis diante da escassez de dados tornaram-se parte da rotina, e da formação de um pesquisador mais completo.
Entre os principais desafios, ele destaca a limitação de informações disponíveis, que pode atrasar projetos e exigir abordagens metodológicas diversas. Por outro lado, o Inova Talentos lhe proporcionou liberdade criativa e autonomia técnica. “O programa ampliou meu conhecimento em diversas áreas e me deu liberdade para propor produtos, soluções e alternativas que atendessem os anseios do setor produtivo”, completou.
Do desafio ao reconhecimento
A maturidade profissional ganhou um marco importante ainda em 2025. João conquistou o primeiro lugar na categoria Projeto Inovador do Prêmio IEL de Talentos regional, realizado pelo Instituto Euvaldo Lodi em Mato Grosso.
O reconhecimento veio com a elaboração da primeira versão do Anuário da Indústria de Mato Grosso, publicação produzida pelo Observatório. A missão, recebida de seus gestores, era ambiciosa: apresentar o desempenho e o perfil da indústria estadual e, ao mesmo tempo, fortalecer a marca do Observatório.
“Foi muito gratificante”, afirma. O processo, no entanto, esteve longe de ser simples. O prazo curto, as múltiplas demandas paralelas e as sucessivas rodadas internas de validação exigiram rigor técnico e alinhamento narrativo. “O projeto passou por diversas rodadas de revisão para mitigar erros e aprimorar a qualidade do material, sempre sob supervisão dos meus gestores”, completou.
Para João, o prêmio simboliza o esforço coletivo. “Foi muito bom ver o material sendo reconhecido. Ele é fruto do trabalho da equipe como um todo, não apenas meu.”
Jovens talentos para uma indústria mais forte
Criado para conectar profissionais qualificados a projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) dentro de empresas e instituições parceiras, o Inova Talentos abre espaço para graduandos e graduados, mestrandos e mestres, doutorandos e doutores. Com formatos presenciais, híbridos e remotos, o programa amplia o acesso de talentos de diferentes regiões do país às demandas reais do setor produtivo.
Na visão de João, o papel dos jovens pesquisadores é estratégico. “Os pesquisadores exercem um papel fundamental na identificação de problemas e fragilidades. A partir disso, é possível propor soluções que acelerem o crescimento do setor”, defende. Para ele, fortalecer a indústria é fortalecer o desenvolvimento econômico e social do país.
Se pudesse deixar uma mensagem para quem deseja trilhar o caminho da inovação, ele seria direto: “Trabalhar com inovação e tecnologia abre muitas portas no mercado de trabalho, mas, além disso, é uma chance real de colaborar com a sociedade ao identificar problemas, fragilidades e propor melhorias.”
Entre gráficos, relatórios e prazos apertados, João Toste representa uma geração que entende que os dados não são apenas números, são ferramentas de transformação. E, quando aliados à oportunidade certa, podem redesenhar o futuro da indústria brasileira.



