SENAI e Governo de MT formam 127 indígenas em 3 cursos de qualificação profissional

Capacitação chega a aldeia e abre novos caminhos para trabalho e autonomia indígena

Na aldeia Dolowikwa/Kotakowinakwa, em Juína (MT), 127 indígenas do povo Enawenê-Nawê concluíram cursos de qualificação profissional do SENAI-MT, unindo educação e tradição

A aldeia Dolowikwa/Kotakowinakwa, a cerca de 900 quilômetros ao norte de Cuiabá, em Juína, foi palco de uma cerimônia marcada pelo encontro entre educação e tradição. No local, 127 indígenas do povo Enawenê-Nawê concluíram cursos de qualificação profissional ofertados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI-MT).

Os formandos integram dois programas desenvolvidos pelo SENAI-MT em parceria com a Secretaria de Assistência Social (Setasc-MT) e a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT): o SER Família Capacita e a Formação Inicial e Continuada (FIC), respectivamente. Pelo SER Família Capacita, 52 alunos se qualificaram nos cursos de Assistente Administrativo e Assistente de Recursos Humanos.

Qualificação e identidade caminham juntas: o programa leva formação técnica aos Enawenê-Nawê sem abrir mão da cultura, fortalecendo autonomia, direitos e protagonismo nas comunidades

Qualificação sem perder a identidade

O secretário da Setasc, Klebson Gomes, destacou que o programa supera barreiras geográficas e culturais, ao mesmo tempo em que fortalece o vínculo entre desenvolvimento técnico e preservação das comunidades. Segundo ele, a iniciativa garante a presença efetiva do Estado nos territórios indígenas e incentiva o protagonismo desses povos.

“A qualificação profissional é uma ferramenta essencial de emancipação e proteção de direitos. Ao oferecermos esses cursos aos Enawenê-Nawê, garantimos o acesso a novas tecnologias sem abrir mão da identidade, da língua e da cultura”, afirmou. Ele acrescentou que o conhecimento adquirido fortalece a autonomia da comunidade e permite que as futuras gerações conciliem tradição e preparo para os desafios contemporâneos.

75 alunos concluíram o curso de Operador de Computador pelo FIC, ampliando autonomia, acesso ao trabalho e oportunidades nas comunidades indígenas

Inclusão digital em foco

Por meio do programa FIC, outros 75 alunos concluíram o curso de Operador de Computador. A secretária de Estado de Educação, Flávia Soares, ressaltou que a educação transforma realidades quando chega de forma inclusiva e respeitosa.

“A formação desses alunos indígenas no curso de operador de computador representa um avanço na autonomia, na inclusão digital e no acesso ao mercado de trabalho. Essa parceria com o SENAI reforça o compromisso de ampliar oportunidades e garantir que ninguém fique para trás”, disse.

A cerimônia de formatura foi realizada na Escola Estadual Indígena Enawenê-Nawê, inaugurada em julho de 2025 pelo Governo do Estado. Para a diretora do SENAI-MT, Fernanda Campos, a iniciativa representa um avanço na qualificação profissional dentro das comunidades indígenas, com respeito às suas especificidades culturais.

“Esses diplomas, além de fortalecerem a comunidade Enawenê-Nawê, inspiram as novas gerações a construir novas oportunidades, promovendo o desenvolvimento econômico e social, ao mesmo tempo em que preservam suas tradições”, destacou.

A aldeia Dolowikwa/Kotakowinakwa fica no noroeste de Mato Grosso, em área de transição entre Cerrado e Amazônia

Onde tudo acontece

A aldeia Dolowikwa/Kotakowinakwa está situada na Terra Indígena Enawenê-Nawê, no noroeste de Mato Grosso, próxima à fronteira com Rondônia. A região abriga cerca de 1,5 mil indígenas e fica a aproximadamente 160 quilômetros de Juína, além de estar próxima aos municípios de Brasnorte, Comodoro e Sapezal, em uma área de transição entre o Cerrado e a Amazônia.

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