Robôs tomam conta do centro de Houston, nos Estados Unidos

No segundo dia do Campeonato Mundial de Robótica, máquinas de todos os tamanhos construídas por estudantes foram às arenas da competição. Os alunos também apresentaram projetos de pesquisa para bancas avaliadoras
Danimar e Ana Carla, da Agrorobots (FLL), sentiram diferenças na altura da mesa e no material do tapete, por isso, fizeram alterações nos robôs

Os gritos com a palavra “robô” invadiram o segundo dia do Campeonato Mundial de Robótica, em Houston, Texas,  nos Estados Unidos. A disputa segue até sábado (20). Os corredores de carpete azulado do suntuoso Centro de Convenções George R. Brown foram tomados pelos mais variados tipos de robôs: dos pequenos exemplares feitos de Lego aos gigantes de cerca de 60 kg feitos de alumínio. Assim, ouvir a palavra “robô” significava desviar o caminho para que as máquinas passassem e fossem para os locais de avaliação. 

Nesta quinta-feira (18), provas de distintas modalidades ocorreram simultaneamente. Na categoria FIRST LEGO League (FLL), da qual participam jovens dos ensinos fundamental e médio de 9 a 16 anos, os estudantes fizeram testes em mesa - ainda sem caráter avaliativo. É uma oportunidade para que eles adequem os equipamentos às possíveis diferenças entre a mesa da competição oficial e a usada para o treino do robô no seu país de origem. “No torneio nacional, a mesa era totalmente diferente (da do mundial). A base era mais baixa, então a gente teve que fazer várias alterações e mudar toda a estratégia para alcançar o maior número de pontos”, explica Ana Carla Martello, 14 anos, membro da equipe Agrorobots, do SESI de Concórdia, em Santa Catarina.

A Agrorobots foi melhorando o desempenho no decorrer dos três rounds de treino - passou de 90 pontos no primeiro round, para 153 no segundo e fechou com 218 no último. O estudante Danimar Campos da Costa, 14 anos, explica que eles foram percebendo as adversidades e fazendo as melhores adaptações. “O material do tapete mudou. É um pouco mais duro e isso altera. Aumenta o atrito e o robô acaba, às vezes, enroscando”.

Luigi e Luísa, da Red Rabbit (FLL), geraram curiosidade dos juízes ao usar teatro para apresentar o projeto de pesquisa

Embora a fase das mesas tivesse caráter de treino, os competidores da categoria passaram por avaliações pontuadas em outros quesitos. Os times apresentaram para um grupo de jurados o desenvolvimento do projeto de pesquisa, o design do robô e os valores da equipe. A Red Rabbit, do SESI de Americana (SP), vencedora na FLL no ano passado, foi uma das primeiras a serem avaliadas. A equipe tenta o bicampeonato - cinco dos oito membros da equipe 2019 são campeões de 2018. “Existe uma pressão porque já ganhamos. Muita gente vem conhecer o nosso trabalho nessa temporada, até equipes que a gente admira”, afirma Luísa Beatriz Bozelli, 13 anos. 

Luigi Fagundes, 13 anos, explica que eles apresentaram o projeto de pesquisa em forma de teatro baseado no filme Transformers. “Os juízes perguntaram como a gente chegou nesta ideia. Na trama do filme, os Transformers estão sempre atrás do cubo para salvar o mundo. Na nossa versão, o cubo é o nosso projeto”, explica. No período da tarde, a Red Rabbit participou das mesas de treino. As equipes Los Atômicos, Jedi’s e Techmaker também passaram pelos mesmos procedimentos.

Na FTC, a equipe Geartech Canaã mudou a estratégia do robô e conseguiu vitória na arena

FTC - O segundo dia de competições foi desafiador para a única equipe brasileira na modalidade FIRST Tech Challenge (FTC), a Geartech Canaã, do SESI de Goiânia (GO). Nesta modalidade, a equipe passa por nove rounds na arena até a final. Após quatro derrotas consecutivas, o time mudou a estratégia, resultando em vitória no quinto round. Os outros três rounds ocorrem nesta sexta-feira (19). “Percebemos que a nossa estratégia estava muito ambiciosa, deixando muitas missões para o período autônomo. Apostamos em deixar menos tarefas no autônomo”, afirma Heitor Santana, 15 anos, membro da equipe goiana. 

Na partida de FTC, o robô simula que foi enviado para outro planeta e lá deve coletar minerais. Na arena, a prova é composta por três períodos: no primeiro, o robô age de forma autônoma (parte programada); no segundo, é controlado por controle remoto pelos membros da equipe para executar as tarefas; e, no terceiro, o end game, o robô executa as últimas missões, como voltar para a base inicial.

Na análise da diretora do SESI Vila Canaã, Antonia Stecca, o prazo para a equipe construir o robô foi muito curto, o que dificultou a importação de peças necessárias. “Muita coisa nós estamos adaptando e aprendendo aqui”. O técnico da equipe, José Rodrigues Júnior, está confiante na força do projeto de pesquisa e das ações sociais propostas pelo grupo, como o Robótica Sem Fronteiras, que levou a experiência para uma escola de cegos em Goiânia. “No FTC, as ações além da arena têm muita força no desempenho da equipe”, destaca a diretora.

FRC - As quatro equipes da FIRST Robotics Competition (FRC) iniciaram as competições nas arenas: Taubatexas #7459, Under Control #1156, Robonáticos #7565 e a Octopus #7567. As equipes brasileiras passaram por perdas e vitórias. A equipe Octopus teve parte do robô destruído durante uma prova e teve que correr contra o tempo para conseguir reparar os danos antes das outras disputas. Na FRC, as equipes vão conquistando pontos durante as provas. No fim, quem pontua mais fica nas primeiras posições do ranking, garantindo vaga para as outras etapas: as oitavas,  as quartas e a final. 

A estudante Paula Miller Souza, 17 anos, é membro da equipe Under Control #1156, do Colégio Marista Pio XII, de Novo Hamburgo (RS). Segundo ela, a expectativa da equipe de sair do mundial de robótica com um prêmio aumentou quando o grupo foi selecionado para a categoria Chairman’s - em que não conta o desempenho em quadra. A equipe vencedora é aquela que consegue espalhar os valores da da competição, ciência e tecnologia em sua comunidade. “Fomos escolhidos entre os 12 times com chances de ganhar”, comemora.

A equipe Under Control #1156, do Colégio Marista Pio XII, está otimista na competição

SESI, FIRST e LEGO – Desde 2006 o SESI investe na inserção da robótica educacional nas salas de aula. Atualmente, todas as 505 escolas da rede contam com o programa no currículo. Até o ano passado, o SESI realizava anualmente apenas o Torneio de Robótica FIRST LEGO League, criado em 1998 pela FIRST, uma organização não governamental, em parceria com o Grupo LEGO. O SESI é a instituição responsável pela organização do torneio (etapas regionais e nacional) no Brasil desde 2013. Em 2019, além da competição FLL, o SESI promoveu as competições FIRST Tech Challenge e F1 nas Escolas.

REDES SOCIAIS - Acompanhe a cobertura completa do Campeonato Mundial de Robótica de Houston aqui na Agência CNI de Notícias e nos perfis de Robótica do SESI no Instagram e Facebook. Todas as fotos estão no Flickr da CNI.

SAIBA MAIS - Veja tudo sobre as competições brasileiras no site do Festival SESI de Robótica.

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