Robótica inspira alunos a gostarem de cálculo e os credencia para o mercado de trabalho

Desafio tecnológico FTC estimulou competidores do Festival SESI de Robótica a enfrentar situações reais do ambiente industrial
Os estudantes tiveram como desafio projetar, prototipar e produzir as peças de acordo com as necessidades do robô

Estudantes de 16 equipes participaram, entre os dias 15 e 17 de março, no Rio de Janeiro, do Torneio SESI de Robótica FIRST Tech Challenge (FTC), realizado durante o Festival SESI de Robótica, promovido pelo Serviço Social da Indústria. Os competidores saíram com a convicção de que avançaram alguns passos no caminho do mercado de trabalho, principalmente para vagas em áreas ligadas à ciência e tecnologia.

Integrante da equipe Geartech Canaã, de Goiás – campeã do Torneio SESI FTC –, Evellyn Silva, 17 anos, destacou que o torneio vai muito além da preparação e programação dos robôs.

“Além da parte de Engenharia, temos que nos comportar como empresa. É uma experiência que levamos para a vida pessoal e profissional, afinal de contas aprendemos muito conteúdo técnico e multidisciplinar na fase que antecedeu o torneio e durante a competição”, disse. “A robótica nos prepara para o mercado de trabalho e nos inspira a tomar iniciativas que podem mudar o mundo para melhor”, completou a estudante da Escola SESI Vila Canaã, de Goiânia, que também faz curso de processo técnico, no SENAI.

"A robótica nos prepara para o mercado de trabalho e nos inspira a tomar iniciativas que podem mudar o mundo para melhor”, diz Evellyn Silva

Colega de Evellyn, Matheus Xavier, 17 anos, ressaltou o contato que teve com programas de protótipo 3D e a ferramentas que só engenheiros costumam ter acesso. “Também trabalhamos com busca de patrocínio, marketing, gestão de empresa e fizemos ações sociais para ajudar quem precisa. Arrecadamos 300 quilos de alimentos e 700 brinquedos para uma comunidade carente de Goiânia”, detalhou Xavier, que estuda no SESI Vila Canaã e faz curso técnico de manutenção automotiva no SENAI.

O técnico da equipe Geartech Canaã do FTC, José Rodrigues Júnior, 38 anos, pontuou que um dos diferenciais da equipe campeã foi a capacidade de levar a robótica aos lugares distantes e esquecidos, que não teriam acesso à robótica se não fosse o trabalho. “As portas do mercado de trabalho se abrirão para esses meninos. Temos aqui futuros engenheiros e cientistas. E acima de tudo pessoas éticas e que sabem trabalhar em conjunto”, frisou Rodrigues.

GOSTO PELA MATEMÁTICA – Competidor da equipe Bahtech, do Rio Grande do Sul, Jonas Andrade, 15 anos, disse que a robótica lhe inspirou a gostar de matérias de exatas na escola. “Tenho um pouco de dificuldade com a aprendizagem de algumas matérias, mas a robótica me fez despertar o interesse pela Matemática, Física e cálculos em geral”, confessou.

“Ainda não decidi qual será a minha profissão, mas o envolvimento com a robótica tem me inspirado a seguir alguma carreira na área tecnológica”, acrescentou o aluno da Escola SESI Albino Marques Gomes, de Gravataí-RS, que pretende se matricular em breve em um curso técnico do SENAI. Para Jonas Andrade, o envolvimento que teve com áreas de tecnologia significará vantagem competitiva na hora de disputar uma vaga de emprego.

“Tenho um pouco de dificuldade com a aprendizagem de algumas matérias, mas a robótica me fez despertar o interesse pela Matemática, Física e cálculos em geral”, conta Jonas Andrade

Participar do Torneio SESI de FTC também inspirou Stela Medeiros, 16 anos, competidora da equipe Moon Walkers, de Mossoró, no Rio Grande do Norte. “O projeto me ajudou muito. Fazendo o plano de pesquisas, o diário e a apuração de informações para a equipe, descobri que quero ser jornalista especializada em ciência e tecnologia”, contou.

De acordo com o juiz-chefe da arena do FTC, Daniel Hanauer, o torneio estimula estudantes a enfrentar situações reais que encontrarão no ambiente da indústria. “Há o trabalho de engenharia e de campo para simular o ambiente mais empresarial, preparando esses alunos para se portarem bem, fazer boas apresentações, trabalhar em equipe”, disse. “O FTC se interessa muito pelo alcance e engajamento, que é a equipe sair da escola e espalhar a mensagem, mostrar o trabalho da robótica”, acrescentou.

O juiz de provas do FTC Gianfranco Venturin destaca que o torneio de FTC, realizado pela primeira vez no Brasil, proporciona aos estudantes um passo além em relação à competição da FIRST LEGO League (FLL). “É como um desafio novo para o aluno que já domina a FLL, uma espécie de continuação, um estímulo a mais para que estudantes avancem na área de ciência e tecnologia”, afirmou Venturin. “Sem dúvida, participar de um torneio dessa importância aproxima os jovens da realidade que vão encontrar na indústria, pois têm contato com áreas como design, engenharia, mecânica”, completou.

O TORNEIO – O Torneio SESI de Robótica FIRST Tech Challenge (FTC) foi uma das novidades da edição de 2019 do Festival SESI de Robótica. Os estudantes tiveram como desafio projetar, prototipar e produzir as peças de acordo com as necessidades do robô. O robô do FTC teve como missão cumprir missões, de maneira autônoma e por rádio controle, em uma arena na qual os robôs precisaram recolher minerais na superfície de um outro planeta. 

As disputas foram travadas em duplas e individuais. A equipe que recolheu mais minerais, conquistou a vitória na arena. No entanto, no FTC as equipes são avaliadas não apenas pelos robôs, mas também pelo envolvimento com a comunidade, como, por exemplo, uma simples campanha para arrecadar brinquedos para alguma entidade. São avaliadas ainda pelo relacionamento com outras equipes e a maneira como levam ciência e tecnologia para o maior número de pessoas.

REDES SOCIAIS - Saiba tudo sobre o Festival nos perfis do Torneio no Instagram e Facebook. Todas as fotos estão no Flickr da CNI.

SAIBA MAIS - Veja tudo sobre as competições no site do Festival SESI de Robótica.

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