Kit de peças geométricas facilita ensino de matemática para cegos

Material inovador, batizado de Masteca, foi criado por alunos do SESI do Paraná e ajuda no ensino da disciplina
Alunos do SESI/PR desenvolveram o kit Masteca

Como pessoas com deficiência visual podem aprender e estudar geometria? Este foi o questionamento feito por um grupo de alunos do Colégio SESI/PR, na unidade da Cidade Industrial de Curitiba. Procurando soluções mais dinâmicas, inclusivas e tecnológicas, Steyce Dayane Lopes, Maria Luiza de Souza e Miguel Justus Rozanski, estudantes do terceiro ano do Ensino Médio, desenvolveram o Masteca, um kit educacional com inteligência artificial.

O Masteca consiste em um jogo de peças educacionais que proporciona acesso a conhecimentos geométricos para pessoas cegas ou com limitações visuais. O material dispõe de peças geométricas como pirâmides, paralelepípedos, cubos e cones, diferenciando-os se são planos ou tridimensionais. Cada peça tem um QR Code com uma audiodescrição da figura, fornecendo dados como as fórmulas, aplicações no cotidiano e o número de arestas e vértices, por exemplo.

O kit também inclui um cubo de inteligência artificial que responde a perguntas e questionamentos dos alunos. “Se geometria é uma matéria difícil para quem consegue enxergar as formas, a dificuldade é ainda maior para pessoas com acuidade visual. Passamos a averiguar as soluções existente na área de educação e não encontramos um material tão intuitivo em geometria”, explica Steyce.

Masteca é um kit para facilitar o ensino de geometria para alunos com deficiência visual

Na criação do projeto, os estudantes puderam fazer uso de um dos FabLabs do Sistema FIEP, um laboratório de inovação que conta com máquinas, computador e impressoras 3D, além do apoio dos professores e orientadores. “No Colégio SESI, procuramos desenvolver estudantes para que sejam autônomos, colaborativos, pesquisadores, inovadores, críticos e pró-ativos. Exemplos como o Masteca nos trazem a confirmação que nossos estudantes já são protagonistas em ações educativas que contribuem para uma sociedade mais saudável”, afirma Fabiane Franciscone, gerente de educação básica e continuada do Sistema FIEP.

Para desenvolver o kit de forma assertiva, os estudantes contaram com o apoio do Instituto Paranaense de Cegos (IPC). “Sempre que nós adicionávamos alguma nova função ou mecanismo, imediatamente marcávamos uma aplicação no IPC para assim descobrir se, de fato, seria efetivo”, explica Steyce. “Atualmente, desenvolvemos mais mecanismos e nosso foco é abranger todos os estudantes, cegos ou não, possibilitando assim a verdadeira inclusão”, conta a aluna. O IPC também foi o primeiro cliente, e já tem aulas de matemática que fazem uso do Masteca.

RECONHECIMENTO - O Masteca venceu em primeiro lugar na categoria empreendedorismo na Feira de Inovação das Ciências e Engenharias – FIciencias, que aconteceu em novembro de 2019. A Feira é um espaço para estudantes apresentarem ideias criativas e inovadoras, contribuindo com o conhecimento e a evolução no mundo das ciências. A vitória foi muito comemorada: “Eu nunca imaginei que o projeto ganharia tanto reconhecimento por se tratar da área de educação inclusiva. Quando ganhamos em primeiro lugar geral na FIciencias eu nem acreditei”, conta Steyce.

Mas o reconhecimento que importa mesmo vem dos alunos: “Lembro quando aplicamos o kit pela primeira vez com as crianças. Foi muito emocionante pois elas mexiam atentamente nas formas geométricas e pareciam muito empolgadas com o novo material. Acho que isso não tem preço. Com o MASTECA eu sinto que fiz um pouquinho de diferença no mundo”, finaliza a estudante do SESI.

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