Melhorar a qualidade da educação brasileira e da formação de profissionais preparados para atuar em áreas estratégicas, como Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM), são iniciativas essenciais para aumentar a produtividade, impulsionar a inovação e garantir a competitividade do país nas próximas décadas. A análise foi feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no documento Construindo o Brasil 2050 – A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis.
Segundo o estudo, o principal desafio da educação brasileira é a qualidade da aprendizagem. Apesar da universalização da educação básica, cerca de 73% dos estudantes brasileiros apresentam desempenho insuficiente em matemática (PISA 2022), cenário que também afeta áreas como ciências, tecnologia e competências digitais. Essa deficiência compromete a formação de talentos e limita a capacidade do país de inovar e participar das cadeias globais de valor.
A CNI alerta ainda para o chamado “apagão docente”, causado pela baixa atratividade da carreira, desigualdades na formação e escassez de professores qualificados, especialmente em matemática, física, química, tecnologia e computação. Os dados foram levantados pelo Serviço Social da Indústria (SESI) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI).
“A falta desses profissionais impacta diretamente o desenvolvimento de competências STEM, consideradas fundamentais para a economia digital e para a indústria do futuro”, explica o diretor-superintendente do SESI, Paulo Mól.
Diante dessa defasagem e das transformações provocadas pela digitalização, a CNI defende uma estratégia nacional de qualificação com incorporação da Inteligência Artificial e das competências digitais em toda a trajetória educacional, desde a educação básica até a formação profissional e superior, para fortalecer a alfabetização digital, o pensamento computacional, a ciência de dados e o uso ético das novas tecnologias.
Entre as soluções propostas estão a modernização da formação docente, com metodologias ativas, cultura maker, robótica, aprendizagem baseada em projetos e uso pedagógico da Inteligência Artificial (IA), além da ampliação da formação continuada de professores e do fortalecimento dos itinerários em ciências, matemática e STEM. Na prática, o SESI já utiliza IA para automatizar atividades como a elaboração de planos de aula e materiais pedagógicos, liberando os professores para focarem no processo de ensino-aprendizagem.
Parcerias podem acelerar a formação de professores
Presentes nos 26 estados e no Distrito Federal, o SESI e o SENAI já possuem atuação consolidada na formação inicial e continuada de docentes, instrutores e profissionais voltados à Educação Profissional e Tecnológica (EPT), com expertise em competências digitais, inovação, metodologias aplicadas e formação alinhada às demandas da nova economia.
De 2023 a 2025, os Núcleos de Formação Docente e Mentoria promovidos pelo SESI qualificaram 1.262 professores formadores no Centro SESI de Formação, em Brasília. Representando os 24 estados e o Distrito Federal, esses profissionais retornaram às suas regionais como mentores e multiplicadores para ampliar o alcance das ações formativas. Ao todo, a iniciativa impactou mais de 17 mil professores em todo o país.
Por isso, a CNI recomenda a ampliação de parcerias entre SESI, SENAI, universidades, redes públicas de ensino e setor produtivo para compartilhamento de laboratórios, infraestrutura tecnológica, residências pedagógicas e experiências práticas. Assim, será possível acelerar a qualificação de professores, ampliar o acesso a ambientes inovadores de aprendizagem e reduzir o déficit de profissionais em áreas estratégicas para o desenvolvimento nacional.
Formação profissional é chave para elevar a produtividade
Além de fortalecer a educação básica e a formação docente, a CNI defende a ampliação da Educação Profissional e Tecnológica (EPT) como prioridade para garantir que o Brasil forme os talentos necessários para responder aos desafios da transformação digital, da economia verde e da nova indústria brasileira.
A proposta está no documento Construindo o Brasil 2050 – A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis e destaca a necessidade de fortalecer políticas públicas voltadas à qualificação profissional e à formação alinhada às demandas e às novas competências tecnológicas exigidas pelo mercado.
A CNI aponta que o Brasil avançou no acesso à educação nas últimas décadas, mas esses avanços ainda não se refletiram em ganhos consistentes de produtividade e competitividade. Entre 1981 e 2024, o PIB per capita brasileiro cresceu, em média, apenas 1% ao ano, enquanto a produtividade por hora trabalhada avançou apenas 0,5% ao ano, segundo dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, do FGV IBRE.
De acordo com o material, o bônus demográfico, que chegou próximo de 2% ao ano entre 1991 e 2010, torna-se negativo já nesta década, reduzindo a contribuição da população economicamente ativa para o avanço da economia. Nesse cenário, a produtividade deixa de ser apenas uma variável importante e passa a ser o principal fator para o crescimento sustentado do país.
Na comparação internacional, o documento mostra ainda que a produtividade total dos fatores do Brasil, que correspondia a 85% da norte-americana em 1979, caiu para 52% em 2019, demonstrando a perda de competitividade relativa do país ao longo do tempo.
Para a indústria, um dos principais entraves está justamente na formação de profissionais qualificados para áreas estratégicas da nova economia. A CNI também destaca que a baixa qualificação profissional já impacta diretamente a produtividade, a inovação e a competitividade da indústria brasileira.
Formação em STEM e qualificação impulsionam a nova indústria
Entre as medidas defendidas pela indústria estão a criação de uma política nacional de incentivo à formação em STEM; a expansão da Educação Profissional e Tecnológica (EPT); programas de requalificação em competências digitais; o fortalecimento da integração entre escolas e empresas; e a ampliação da participação de mulheres nas carreiras científicas e tecnológicas.
A CNI também propõe a modernização dos currículos, alinhando a formação às competências digitais, tecnológicas e socioemocionais exigidas pelo mercado de trabalho, além da criação de mecanismos inovadores de financiamento educacional, como o programa Juros por Educação, para ampliar o acesso e a permanência dos jovens na educação profissional.
Para a CNI, investir em educação de qualidade, fortalecer a formação de professores e ampliar a educação profissional são medidas essenciais para elevar a produtividade, acelerar a inovação e posicionar o Brasil de forma mais competitiva na economia global até 2050.



