Conheça os vencedores do Prêmio Indústria Nacional Marcantonio Vilaça

Entre os 687 inscritos, cinco artistas foram selecionados no maior prêmio de artes plásticas do país
Os cincos artistas premiados na noite desta quinta-feira (12)

O Prêmio Indústria Nacional Marcatonio Vilaça para as Artes Plásticas anunciou os vencedores na noite desta quinta-feira (12), em evento no Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado (MAB – FAAP), em São Paulo. Aline Motta (RJ), Dalton Paula (DF), Dora Longo Bahia (SP), Ismael Monticelli (RS) e Rodrigo Bueno (SP) foram selecionados entre 600 artistas de todo país que se inscreveram na 7ª edição do prêmio.

Cada vencedor vai receber uma bolsa no valor de R$ 50 mil e será acompanhado por um curador de arte ao longo de um ano. As peças dos premiados também formarão uma exposição itinerante, que passará por cinco capitais brasileiras em 2020. Considerada a mais relevante premiação das artes visuais brasileiras, o Prêmio Marcantonio Vilaça recebeu, nesta edição, 687 inscrições de 24 Estados e do Distrito Federal.

Em discurso na cerimônia, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, defendeu que a arte, a ciência e a inovação ajudam o país a crescer: "Eu acho que o Prêmio Marcantonio Vilaça talvez seja o único, no Brasil, que valoriza os artistas em início de carreira. Hoje temos muitos premiados em edições anteriores com obras expostas no exterior. A arte e a educação estão relacionadas ao desenvolvimento da indústria e da sociedade", disse. 

"A arte e a educação estão relacionadas ao desenvolvimento da indústria e da sociedade" - Robson Braga de Andrade

Um dos premiados, Dalton Paula, nasceu em Brasília mas ainda na infância foi morar em Goiânia. Assim que recebeu o prêmio, no discurso de agradecimento, contou o que pretende fazer com o dinheiro: "Este prêmio vai se transformar em tijolo para a construção de uma nova escola em Goiânia". A ideia dele é montar uma escola que ofereça diversas oportunidades de atividades para crianças, como capoeira, artes plástica. 

A partir desta sexta-feira (13), as obras dos 30 finalistas estão em uma exposição inédita no MAB FAAP, com entrada gratuita. Veja ao final da reportagem os dias e horários de visitações. 

ARTE FEMININA - Segundo o curador do Prêmio, Marcus Lontra, a seleção focou na diversidade cultural brasileira, selecionando artistas de gerações distantes, com trajetórias diferentes, indo de nomes consagrados a emergentes. Nesta edição, a proposta da curadoria foi trazer à luz o protagonismo feminino em todas as instâncias, incluindo a do júri.

“A presença feminina é enorme na arte brasileira e pode ser percebida com muita clareza, especialmente na passagem do moderno para o contemporâneo; porém, nem sempre há o reconhecimento devido. Como o prêmio tem abrangência nacional, deve refletir, dentro do possível, as características da produção artística brasileira”, comenta.

"O prêmio Marcantonio Vilaça é uma grande contribuição para as artes no Brasil. Principalmente pela continuidade que ele oferece" - Anna Bella Geiger

PROJETO ARTE E INDÚSTRIA – Paralelamente a exposição dos finalistas, serão exibidas obras de mais 11 artistas do Projeto Arte e Indústria, que nesta edição presta homenagem a Anna Bella Geiger e reúne nomes como Brígida Baltar, Carlos Mélo, Cristina Canale, Frida Baranek, Karin Lambrecht, Leda Catunda, Nelly Gutmacher, Paola Junqueira, Rosângela Rennó e Walmor Correa.

A iniciativa já homenageou Abraham Palatnik, Amélia Toledo e Sérvulo Esmeraldo. Desta vez, irá celebrar a obra da pintora, gravadora, escultora e desenhista carioca Anna Bella Geiger. A homenageada é uma das grandes expoentes da primeira geração de artistas conceituais latino-americanos e uma das artistas mais importantes do Brasil no século 20. 

"É muito bom receber este reconhecimento. E o prêmio Marcantonio Vilaça é uma grande contribuição para as artes no Brasil. Principalmente pela continuidade que ele oferece. Há anos ele apoio artistas e oferece oportunidades", disse Geiger.

Os 30 finalistas foram escolhidos por um grupo de jurados liderado por Marcus Lontra. A banca avaliadora foi composta por Daniela Bousso, historiadora, crítica de arte e curadora; Denise Mattar, curadora de mostras sobre os modernistas Aldo Bonadei, Alfredo Volpi e Cândido Portinari; Fabio Szwarcwald, diretor do Parque Lage; Moacir dos Anjos, pesquisador de arte contemporânea e curador do pavilhão brasileiro na 54ª Bienal de Veneza; e Paulo Herkenhoff, primeiro diretor cultural do Museu de Arte do Rio (MAR), curador-chefe do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ) e curador-adjunto no departamento de pintura e escultura do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA).

As obras finalistas ficam em exposição gratuita em São Paulo até o dia 20 de outubro

O PRÊMIO - A premiação é uma iniciativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), do Serviço Social da Indústria (SESI) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), que busca incentivar a produção e a exibição da arte contemporânea no Brasil. Ao longo de quinze anos, agraciou mais de trinta artistas de todas as regiões do país.

Neste ano, teve o nome mudado (era chamado Prêmio Marcantonio Vilaça Para as Artes Plásticas) para dar destaque à indústria nacional, que viabiliza a realização do projeto. É uma ferramenta de apoio à difusão e à articulação da produção artística brasileira em toda a sua força e variedade expressiva.

PROGRAMA EDUCATIVO – A partir das experiências dos projetos educativos do MAB FAAP e do Prêmio, o programa abrange atendimento a grupos escolares, formação de professores e oficinas para todos os públicos. A formação de professores prevê grupos do SESI, a partir do Programa ACESSE (Arte Contemporânea e Educação em Sinergia no SESI) e grupos da Secretaria Municipal de Educação (SME) em parceria vigente com o MAB FAAP. 

Partindo dos eixos Arte, Inovação e Trabalho, o programa utiliza a arte contemporânea para apoiar o trabalho interdisciplinar dos professores do Ensino Médio e promover inovação pedagógica nas escolas da rede SESI. As exposições do Prêmio e um material exclusivo para professores integram esta proposta. 

Aline Motta (Niterói, RJ) 
Vive e trabalha em São Paulo. É bacharel em Comunicação Social pela UFRJ e pós-graduada em Cinema pela The New School University (NY). Combina diferentes técnicas e práticas artísticas como fotografia, vídeo, instalação, performance, arte sonora, colagem, impressos e materiais têxteis. Sua investigação busca revelar outras corporalidades, criar novos sentidos, ressignificar memórias e elaborar outras formas de existência. 

Dalton Paula (Brasília, DF)  
Vive e trabalha em Goiânia. É bacharel em Artes Visuais pela Universidade Federal de Goiás. Sua pesquisa discute o corpo silenciado. As produções propõem uma reflexão sobre o medo, a efemeridade, o individualismo e a alteridade. Trabalha também o pictorialismo contaminado por linguagens diversas através do seu corpo no campo da intimidade.  

Dora Longo Bahia (São Paulo, SP)  
Vive e trabalha em São Paulo. É graduada em Educação Artística pela Fundação Armando Álvares Penteado-FAAP, com doutorado pela ECA-USP, e pós-doutorado pela FFLCH-USP. É professora do curso de Artes Visuais da ECA – USP. Suas obras se desdobram em vários suportes, como pintura, fotografia, vídeo, som e texto. Concentra sua pesquisa artística na fronteira entre arte e política. A ligação com o punk rock dos anos 1980 estimulou sua contribuição em várias bandas como, por exemplo, Disk-Putas (1992-1995), Maradonna (2005-2006) e Cão (2011-). 

Ismael Monticelli (Porto Alegre, RS)  
Vive e trabalha em Porto Alegre. É doutorando em Arte e Cultura Contemporânea na UERJ. Seus trabalhos têm como ponto de partida a observação sensível do entorno próximo, como a casa em que mora, ou de um contexto específico, como o museu que irá abrigar sua exposição ou a feira de arte que apresentará seu trabalho. A partir de profundas pesquisas – envolvendo entrevistas, pesquisas documentais e históricas, pesquisas de materiais e objetos, etc. – seus trabalhos desdobram-se em algum tipo de ordenação racional – arranjos, disposições metódicas ou organizações específicas. Ao empreender estas ações, o artista procura apresentar espaços, objetos, materiais e narrativas de novas formas, revelando o que deles não é percebido ou facilmente visto. Tais experimentações têm gerado proposições em diversas mídias, sem restringir-se a uma única técnica ou categoria.  

Rodrigo Bueno (Campinas, SP)  
Vive em trabalha em São Paulo. É graduado em Comunicação Social pela ESPM, e pós-graduado em Artes Plásticas na School of Visual Arts - NY (EUA), e em Arte e Consciência pela Universidade John F. Kennedy - CA (EUA). É idealizador do ateliê Mata Adentro, nome de uma casa/espaço de trabalho, localizado na Lapa em São Paulo. Mata Adentro é um convite à sensibilização das dinâmicas do espaço natural. Trata-se de um lugar onde materiais recuperados, principalmente madeira, ferro, terra e plantas coletadas do lixo urbano, são transformados em instalações, esculturas, pinturas e ambientes em torno de tecnologias do encontro, espécies de jardins que falam da continuidade da vida, do eixo que sustenta o todo, da cultura em constante movimento. O estúdio tem mostrado seu trabalho no país e no exterior há mais de vinte anos, com obras em sua maioria tridimensionais, vivas e imersivas que se relacionam com o vínculo da natureza e humanos, sobrepondo narrativas ancestrais e energias fluidas. 

Exposião do Prêmio Indústria Nacional Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas
Local: Museu de Arte Brasileira - Fundação Armando Alvares Penteado (MAB-FAAP) 
Data: 13 de setembro a 20 de outubro de 2019 
Visitação: Segundas, quartas, quintas e sextas-feiras, das 10h às 19h (última entrada às 18h);
Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h (última entrada às 17h).
(Fechado às terças-feiras, inclusive quando feriado) 
Endereço: Rua Alagoas, 903 – Higienópolis – São Paulo (SP)
ENTRADA FRANCA

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