Canudo biodegradável de alunos do SESI leva medalha de ouro na Olimpíada do Futuro

Criado por estudantes do SESI de Mossoró (RN), o canudo comestível é feito à base de mandioca e cera de carnaúba. Projeto foi o vencedor entre mais de 3 mil inscritos

Equipe vencedora do SESI Mossoró (RN)

Um projeto idealizado por estudantes do Serviço Social da Indústria (SESI) foi premiado como uma das principais ideias de jovens da educação básica para os desafios do planeta. Desenvolvido por estudantes do SESI de Mossoró (RN), o canudo biodegradável e comestível ganhou medalha de ouro, na Sapientia – Olimpíada do Futuro, da qual participaram mais de 3 mil projetos inscritos. A premiação ocorreu neste domingo (17), em São Paulo.

A Olimpíada do Futuro traz desafios baseados nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU) e tem como objetivo impactar de forma positiva a educação brasileira e revelar novas ideias que podem mudar a realidade do planeta nos próximos anos.

O canudo desenvolvido pelos jovens do SESI de Mossoró é feito a partir mandioca e cera de carnaúba, plantas típicas da caatinga, bioma muito presente na região Nordeste. De acordo com a estudante Francisca Helen Marques, líder do projeto, a ideia surgiu porque o canudo de plástico vêm sendo apontado como um grande problema ambiental, já tendo sido abolido em diversos locais. Por isso, ela escolheu o objetivo de número 12, que é: “Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis”.

“Foi uma emoção muito grande. Quando anunciaram o quarto e o terceiro lugar, e vimos que ficamos entre o ouro e a prata, já tinha sido demais. Quando anunciaram então o primeiro lugar, foi uma loucura, todo mundo tremendo muito”, conta a aluna de 18 anos, que está concluindo o 3º ano, e que nunca tinha ido à SP.

O professor que ajudou a equipe a se inscrever e a passar pelas três etapas da competição, Aryon Diniz Soares, acredita que esse tipo de resultado obtido pela criação do canudo comprova o quanto é importante incentivar a pesquisa entre estudantes mais jovens. “No Brasil, existe uma cultura de que a ciência só pode ser praticada na graduação ou na pós-graduação”, disse. “Esse tipo de premiação é importante porque mostra pros estudantes que eles são os protagonistas do processo, e que eles podem sim desenvolver projetos científicos relevantes ainda na educação básica”, explicou.

A líder da equipe, Francisca Helen, afirma que, daqui pra frente, a ideia é investir ainda mais no projeto. “Já fomos procurados para ir apresentar o projeto em outros encontros, estamos muito felizes. Nossa ideia, agora, é facilitar o método de produção, criando uma embalagem que também seja sustentável, para poder comercializar o produto”, conta.

SOBRE A SAPIENTIA – Realizada pelo Instituto Vertere e pelo Grupo Companhia das Letras,  a Olimpíada foi composta por duas fases online com questões de múltipla escolha e prova discursiva baseadas nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. As provas também conectaram as disciplinas curriculares com habilidades e competências atuais e ligadas ao século 21, como Economia, Sustentabilidade, Direito, Linguística, e a vertente STEAM, sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática.

A primeira edição da Sapientia teve mais de 3 mil inscritos, sendo estudantes do ensino Fundamental II, do ensino Médio e até mesmo não-estudantes de 24 estados (participantes da categoria aberta não elegível às fases dois e três).

“Durante a terceira fase, os 21 team leaders tiveram acesso a um programa de mentoria com equipe multidisciplinar mentoria para aprimorar seus projetos. As entregas finais foram de altíssimo nível, desenvolvendo o caráter empreendedor dos estudantes e contribuindo para aproximar os jovens e a escola dos desafios da sociedade” explica Gustavo Wigman, presidente do Instituto Vertere e membro da comissão da Sapientia.

SAIBA MAIS - Assista a reportagem veiculada no programa Fantástico, da TV Globo.

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