Agenda educacional prioritária é tema do livro Educação em Pauta

Publicação reúne textos de especialistas e ex-ministros do MEC. Diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi, é autor de um dos artigos, no qual ele defende fortalecimento da educação profissional
“Um dos desafios do Brasil, neste momento, é oferecer a todos os brasileiros uma escola que dialogue com o universo profissional" - Lucchesi

Os temas educacionais prioritários nos próximos anos são o foco da publicação Educação em Pauta – uma agenda para o país, lançada esta semana na sede do Conselho Nacional de Educação (CNE), em Brasília. O livro reúne textos de especialistas e ex-ministros, entre os quais o artigo Educação profissional: a base para a competitivide do Brasil, do diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Rafael Lucchesi. Ele defende maior investimento em qualificação para oferecer mais oportunidades aos jovens e enfrentar os desafios da quarta revolução industrial. 

O artigo cita que apenas 11,1% dos alunos do ensino médio estão cursando educação profissional e somente 15% da população entre 25 e 64 anos têm o ensino superior completo. “O Brasil precisa estabelecer novas políticas públicas educacionais para enfrentar o desafio de preparar jovens e adultos para um mercado de trabalho em profunda mutação tecnológica e organizacional”, afirma o documento. “É preciso que autoridades públicas, educadores, pais e estudantes trabalhem juntos, desde já e nos próximos anos, para valorizar a formação técnica e profissional, criando oportunidades de inserção dos nossos jovens e adultos no mercado de trabalho.”

Para Lucchesi, que também é conselheiro do CNE, as distorções na matriz educacional brasileira, pelo reduzido contigente de jovens na educação profissional, limita a empregabilidade de quem não vai para ensino superior. “Somos indiferentes a esse contingente populacional que não ingressa na universidade, sobretudo àqueles que são economicamente mais frágeis”, afirma. “Um dos desafios do Brasil, neste momento, é oferecer a todos os brasileiros uma escola que dialogue com o universo profissional.”

DESENVOLVIMENTO – O texto também lembra que a baixa qualificação dos trabalhadores reduz a produtividade das empresas, com consequências sobre o desenvolvimento do país. “A educação brasileira padece de problemas estruturais, com reflexos sociais e efeitos nocivos sobre as condições de funcionamento do sistema produtivo”, afirma. “Trabalhadores pouco qualificados, restrições ao desenvolvimento tecnológico e níveis de produtividade reduzidos são algumas das consequências diretas dos problemas educacionais enfrentados pelo país no que tange à competitividade.”

A avaliação do diretor-geral do SENAI é que o novo ensino médio iniciou um processo para alinhar o sistema de educação brasileiro às melhores experiências internacionais. A nova lei flexibiliza e diversifica o currículo regular, assim como permite ao jovem optar pela formação técnica e profissional. “Estamos diante da oportunidade de construir uma educação aplicada, significativa e que coloque o estudante como protagonista do seu futuro”, diz. 

Outro problema que precisa ser resolvido é a alta evasão em cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA), destinada a pessoas que não frequentaram ou que abandonaram a escola, deixando de ter acesso ao ensino fundamental ou médio na idade apropriada. “Uma alternativa para aumentar a atratividade dessa modalidade de ensino e assegurar a maior participação de jovens em situação de risco social é sua articulação com a educação profissional e tecnológica”, defende Lucchesi. 

O artigo faz ainda um conjunto de propostas para enfrentar os desafios educacionais. Na lista estão ampliar vagas em educação educação profissional; adequar a oferta de ensino profissional e superior às demandas de médio e longo prazos dos setores produtivos e implantar um sistema nacional de avaliação dos cursos de formação profissional. Outras medidas são: criar condições para a implantação da nova lei do ensino médio; alterar o marco regulatório da aprendizagem profissional para expandir o tempo de duração do contrato para até três anos, a fim de ampliar a sinergia com o novo ensino médio, garantir a associação entre teoria e prática na fase escolar da aprendizagem; ampliar a oferta da EJA e melhorar sua efetividade, entre outras sugestões. 

O lançamento foi na sede do Conselho Nacional de Educação, em Brasília

DIRETRIZES PRIORITÁRIAS - Durante evento de lançamento, os coordenadores da publicação destacaram que o principal objetivo é apresentar propostas, por meio de sugestões diretas e focais, que também incluem temas transversais como ética e combate à corrupção. A publicação contou com a participação de especialistas que são referência na área educacional e nomes que estiveram à frente do Ministério da Educação (MEC) em diferentes gestões governamentais. 

“Neste documento, os artigos têm abordagem objetiva. Os autores aproveitaram suas experiências na gestão de políticas públicas e apresentaram propostas para a primeira infância, para o desenvolvimento profissional docente, bem como para o aperfeiçoamento do Sistema Nacional de Educação e da ética na educação, dentre outros”, destacou o secretário-geral da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), Mariano Jabonero.

Durante o evento, o diretor da OEI no Brasil, Raphael Callou, explicou que os textos trazem um diagnóstico da educação brasileira, para eleger e propor os melhores caminhos para a área. A publicação foi discutida coletivamente, buscando um ambiente de convergências e apresentando sugestões de prioridades na educação para os próximos governos.

Para a professora Maria Helena Guimarães, “o Brasil não pode mais errar na educação” e, por isso, a publicação foi inspirada em programas que funcionaram na área. A especialista, que é uma das coordenadoras do documento, ressaltou que a obra é colaborativa e diversa. O objetivo é que o trabalho inspire os governos e contribua para a construção de um pacto amplo pela educação no Brasil.

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