Nós temos que fazer um debate de educação e de projeto de país, afirma Rafael Lucchesi

Diretor-geral do SENAI chamou a atenção para a importância estratégica da educação durante evento promovido pela Revista Exame, em São Paulo
“Precisamos de uma agenda de educação que impulsione o trabalho no Brasil” - Rafael Lucchesi

A importância do debate da educação como vetor de desenvolvimento do país foi o tema central da fala do diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Rafael Lucchesi. Durante participação no Exame Fórum 2018 na manhã desta segunda-feira (3), em São Paulo, ele pontuou a urgente necessidade da reformulação do sistema educacional brasileiro para colocar o país entre as principais e sólidas economias mundiais.

Lucchesi afirmou que a educação é um fator decisivo para o desenvolvimento econômico e que o impulso da economia brasileira vivido entre 1930 e 1980 não conseguiu alavancar melhoria nos índices educacionais. De acordo com ele, quase todos os países que se desenvolveram conseguiram o feito porque fizeram uma clara aposta na educação e, com isso, conseguiram ganhos de produtividade no trabalho. Na análise do diretor-geral do SENAI, o Brasil tem problema de baixa escolaridade, o que leva a consequências em cadeia, como diminuição da produtividade e competitividade no ambiente empresarial e do país como um todo. “Não podemos fazer o debate da educação pela educação. Nós temos que fazer um debate de educação e de projeto de país”, diz.

Cerca de 30% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos não trabalham ou estudam. São 7 milhões de jovens marginalizados e que trazem ônus à sociedade brasileira. Para Lucchesi, o Brasil tem problemas na matriz educacional, o que contribui para a evasão e para a dificuldade de absorção do jovem no mercado de trabalho. Uma saída é a inclusão do ensino profissionalizante aliado ao ensino médio. “No Brasil, pouco mais de 10% dos jovens entre 15 e 17 anos fazem educação regular junto com a profissionalizante. Nos países desenvolvidos, a média é acima de 50%. Países como Japão, Áustria e Finlândia, sobe para 70%”, argumentou.

Lucchesi lembrou que uma das agendas do SENAI é a educação profissional. “Ela vai ser uma ponte importante na transformação do sistema educacional brasileiro”. Para o diretor-geral do SENAI, o Brasil precisa melhorar a gestão dos recursos destinados à educação e, com isso, empurrar a produtividade na educação e, consequentemente, do trabalho. Ele lembrou ainda que 83% dos jovens não vão para a universidade e, dos que vão, metade não concluem o curso. Dos que fazem o ensino superior, a maioria não opta por “ciências duras”, como matemática, engenharia e física. “Precisamos de uma agenda de educação que impulsione o trabalho no Brasil”, reforçou.

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