Desempenho da pequena indústria melhora, mas carga tributária e juros ainda travam o setor, diz CNI

Empresários das pequenas indústrias estão pessimistas há 20 meses; falta de confiança se reflete em expectativas moderadas para o futuro

Foto: Shutterstock

O desempenho das pequenas empresas industriais melhorou no segundo trimestre, aponta a Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com o Panorama da Pequena Indústria (PPI), divulgado nesta sexta-feira (31), o índice que mede a performance das indústrias de pequeno porte subiu 1,5 ponto em relação ao primeiro trimestre e chegou aos 45,2 pontos. Vale lembrar que o patamar registrado nos três primeiros meses do ano foi o menor desde a pandemia de Covid-19.

Com o resultado, o indicador está 2,1 pontos acima da média para o trimestre, que é de 43,1 pontos. O índice de desempenho da pequena indústria é calculado a partir de três variáveis: volume de produção (ou nível de atividade, no caso da construção); utilização da capacidade instalada (ou operacional, no caso da construção) efetiva em relação ao usual; e evolução do número de empregados. Ele vai de 0 a 100 pontos. Quanto maior, melhor o desempenho das pequenas empresas do setor no período.

A pesquisa também mostra que o caixa das empresas registrou uma evolução sutil. O índice que mede a situação financeira das indústrias de pequeno porte aumentou 0,4 ponto, para 39,4 pontos. O indicador leva em conta a facilidade de acesso ao crédito e a satisfação dos industriais com as finanças e a margem de lucro operacional dos negócios.

“Historicamente, as pequenas indústrias têm menos folga financeira e capacidade muito menor de acesso ao crédito que empresas maiores”, aponta Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI. 

Segundo o economista, essas dificuldades impactam toda a cadeia produtiva. “A indústria é muito encadeada. Muitas pequenas empresas fornecem insumos e matérias-primas para médias e grandes empresas. Assim, na medida em que as indústrias de menor porte encontram dificuldade para honrar seus compromissos ou mesmo investir, isso acaba limitando a capacidade delas de atender a demanda de seus compradores, afetando a própria competitividade da indústria como um todo”, pontua.

Entraves estruturais seguram retomada

A recuperação só não foi maior porque dificuldades antigas seguem atrapalhando o dia a dia das pequenas empresas industriais, como a elevada carga tributária e os juros altos. Outras preocupações, no entanto, vêm incomodando os empresários cada vez mais, como a falta ou alto custo da matéria-prima e de mão de obra, seja ela qualificada ou não, além da competição desleal gerada por informalidade, contrabando, entre outros, e a burocracia excessiva.

Sem confiança, empresários têm expectativas moderadas

Em julho, a indústria de pequeno porte completou 20 meses consecutivos de pessimismo. O índice que mede a confiança dos empresários dessas empresas registrou 46,2 pontos, 4,5 pontos abaixo da média histórica para o mês, de 50,7. 

Em meio à falta de confiança, os empresários demonstram cautela ao projetar o futuro dos negócios. O índice de perspectivas das indústrias de pequeno porte registrou 47,5 pontos, em uma escala que vai até 100. O indicador leva em conta a intenção de investimento nos próximos seis meses, as expectativas dos empresários para a demanda (ou atividade, no caso da construção) e o número de empregados.

Confira a pesquisa na íntegra:

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