Integrantes do BRICS apontam habilidades que serão exigidas dos profissionais no futuro

Capacidade analítica e resolução de problemas complexos estão entre as competências mais desejadas, segundo pesquisa apresentada em conferência paralela à agenda de chefes de Estado
Representantes do BRICS falam sobre os desafios profissionais da indústria 4.0

Os países do BRICS, bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, apontam a capacidade analítica e a resolução de problemas complexos como competências que estão entre as mais desejadas dos profissionais do futuro. Os dados do levantamento foram apresentados, nesta quarta-feira (14), em Brasília, na conferência  “As competências do futuro nos BRICS”, organizada por um grupo de trabalho do Conselho Empresarial do BRICS

Durante o encontro, representantes dos cinco países apresentaram propostas para padronizar currículos de profissões do futuro no bloco, assim como realizar cooperação técnica e transferência de conhecimento, de tecnologias e de experiências de sucesso na educação profissional. O objetivo principal é que as nações do BRICS se apoiem para superar os desafios impostos pela 4ª Revolução Industrial.

REQUALIFICAÇÃO – Ao realizar pesquisa sobre os avanços da Indústria 4.0 no bloco, o diretor do BRICS Policy Center, Paulo Esteves, detectou que, embora os países do grupo tenham apresentado significativos avanços, em especial no caso da China, as cinco nações ainda apresentam níveis baixos de produtividade e de intensidade tecnológica.

De acordo com o estudo apresentado por ele, cada país tem desafios específicos, mas todos precisarão estar atentos à questão da requalificação profissional. Nesse sentido, além da capacidade técnica, as nações devem buscar formas de desenvolver, nos profissionais, competências como capacidade analítica e social, gestão de projetos e resolução de problemas.

“Chegaremos a 2030 com um conjunto adicional de empregos. Como vamos manejar essa transição?”, questionou Esteves. “Em um futuro próximo, pessoas entre 40 e 45 anos estarão desempregadas, ou terão que ser treinadas. Temos que, de alguma maneira, adotar um conjunto de ações, no âmbito privado, e políticas, no âmbito público, que permitam fazer essa transição de modo a requalificar e reempregar o mais rápido possível essas pessoas”, defendeu.

Anfitrião do encontro, o diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e diretor-superintendente do Serviço Social da Indústria (SESI), Rafael Lucchesi, afirmou que a saída passa pela transformação da educação. “Temos o desafio de repensar os sistemas educacionais, substituir a lógica da educação massiva para uma educação voltada à inovação, resolução de problemas, e o aprendizado voltado ao STEAM”, disse ele, referindo-se à metodologia que tem como base conhecimentos das áreas de Artes, Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática. 

EXPERIÊNCIAS – Durante a conferência, o presidente da ARC Science and Technology, Liu Zheniyng, contou que o desenvolvimento tecnológico na China é muito desigual, com regiões altamente avançadas, como nas cidades de Xangai e Beijing, e outras, próximas ao Tibet, extremamente atrasadas. Ele foi o responsável por apresentar iniciativas do governo chinês para qualificar os profissionais com as novas competências que vão definir o desenvolvimento econômico.

Segundo ele, centros de treinamento de excelência, na rede chinesa que conta com 10 mil unidades, farão a capacitação das instituições com maior dificuldade. “Um dos maiores desafios é garantir que o professor acompanhe o passo das transformações, senão o conhecimento não é útil, fica defasado”, defendeu Liu Zheniyng. “Antes de o aluno iniciar as aulas, o professor precisa ter em mente qual será o conhecimento útli em três, quatro anos. Antes pensávamos em 20, 30 anos.”

Na Índia, pesquisa sobre os impactos da 4ª Revolução Industrial no mundo do trabalho mostrou que 37% dos empregos serão transformados e exigirão novas competências, enquanto novos empregos ocuparão 9% do mercado. O governo indiano tem feito um forte trabalho de digitalização, com a criação de programas, o Startup India e o Digital India, e tem a meta de alfabetizar digitalmente 60 milhões de jovens nos próximos anos. 

Segundo o secretário-geral da Federação das Câmaras de Comércio e Indústria da Índia, Dilip Chenoy, um dos maiores desafios no país é engajar pequenas e médias empresas na requalificação de seus profissionais. “Você deve empoderar profissionais agora para permitir que eles lidem com a produção digitalizada”, explicou.

Márcio Guerra defendeu o uso de mecanismos ágeis para atualização profissional

MECANISMOS – O gerente-executivo de Estudos e Prospectivas do SENAI, Márcio Guerra, por sua vez, argumentou que os países do BRICS precisam adotar mecanismos que permitam a rápida atualização das competências de seus profissionais, já que as exigências do mundo do trabalho vão se transformar permanentemente e de forma veloz. “Temos de calibrar a oferta de formação profissional para hoje, para o amanhã e para o futuro que queremos construir”, afirmou Guerra. 

Ele apresentou o Modelo SENAI de Prospecção, método utilizado para embasar as decisões da instituição de oferta de cursos e organização dos currículos. A metodologia, que já foi transferida a mais de 20 países na América do Sul e no Caribe, foi apontada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como exemplo de experiência bem sucedida na identificação da formação profissional alinhada às necessidades futuras das empresas.

Durante a conferência, a diretora de Inovação da WorldSkills Rússia, Ekaterina Loshkareva, e a secretária-geral da seção sul-africana do Grupo de Trabalho de Desenvolvimento de Competências da África do Sul, Sherrie Donaldson, também apresentaram propostas de cooperação e o cenário em seus países. Uma das sugestões foi criar uma universidade de competências dos BRICS para ajudar a formar os profissionais das nações do grupo. 

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