Abertura do mercado é decisiva para aumentar a oferta e reduzir os preços do gás natural

CNI e Abrace defendem a modernização do setor para melhorar a competitividade da indústria brasileira
“É o momento de transformar a indústria do gás natural”, destaca Paulo Pedrosa

A disposição do governo de modernizar o mercado de gás natural é uma grande oportunidade para o Brasil estimular a concorrência no setor e promover o aumento da oferta e a redução dos preços do combustível. Essa foi uma das conclusões da reunião mensal do Conselho Temático de Infraestrutura (Coinfra), da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

“É o momento de transformar a indústria do gás natural”, disse Paulo Pedrosa, presidente da Associação dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (ABRACE), no encontro que ocorreu nesta quarta-feira, 24 de março, em Brasília.

O elevado preço do gás natural no Brasil, que alcança a média US$ 11 por milhão de BTUs, quase o triplo dos US$ 4 por milhão de BTUs cobrados nos Estados Unidos, é uma das causas da baixa competitividade da indústria brasileira e da perda da importância do setor no Produto Interno Bruto (PIB) do país, afirmou Adriano Lorenzon, coordenador de Gás da Abrace. O alto custo da tarifa, explicou ele, é um dos efeitos negativos da concentração do mercado. Atualmente, acrescentou Lorenzon, há dois monopólios de fato no setor. A Petrobras concentra as áreas de produção, tratamento, transporte e comercialização de gás natural. As áreas de distribuição e consumo são dominadas pelas estatais estaduais e quatro empresas, que são a BR, a Cosan, a Naturgy, a Mitsui&Co.

Estudo da Abrace mostra que, do total da tarifa média de US$ por milhão de BTUs, US$ 7,13 correspondem ao valor do gás natural, outros US$ 1,68 refere-se ao transporte e os US$ 2,25 restantes são relativos à distribuição. Segundo Adriano Lorenzon, a Petrobras define o custo do gás natural com base na cotação internacional do gás natural liquefeito (GNL). Isso não ocorreria se a estatal tivesse concorrentes no mercado. O aumento da concorrência no setor, avaliou Lorenzon, ajudaria a reduzir os preços e aumentaria a demanda, criando um mercado mais competitivo no Brasil.

Por isso, a CNI e a Abrace defendem a modernização do setor e a aprovação do Projeto de Lei 6407/2013. Em tramitação no Congresso Nacional, o projeto de lei é resultado do consenso entre o governo e a indústria. O texto deve ser discutido nos próximos dias pela Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados. A expectativa da CNI e da Abrace é que o projeto seja aprovado, pois representará um grande avanço para o setor e ajudará a aumentar a oferta e reduzir os preços do gás natural.

O elevado preço do gás natural no Brasil, que alcança quase o triplo do cobrado nos Estados Unidos, é uma das causas da baixa competitividade da indústria brasileira

INTEGRAÇÃO LOGÍSTICA DE RONDÔNIA – Um planejamento integrado de infraestrutura para o estado de Rondônia também foi apresentado durante a reunião do Coinfra. Produzido pela Macrologística Consultoria Empresarial, o trabalho mapeou 46 projetos logísticos importantes para o desenvolvimento da infraestrutura de transporte no estado, dos quais 21 precisam ser priorizados pelo atual e pelos próximos governos em um horizonte de até 10 anos.

De acordo com Olivier Girard, sócio da Macrologística, os projetos prioritários de curto prazo demandarão investimento total de R$ 1,9 bilhão, sendo que mais de 50% dos recursos necessários estão em projetos ainda na fase das ideias ou dos planos.

“O planejamento estratégico desenhado será a mola propulsora do Estado nos próximos 10 anos. Somente este planejamento permitirá a atração de investimentos e procura das oportunidades a serem geradas em Rondônia”, afirmou Girard.

O planejamento será apresentado nesta quinta-feira (25), em audiência na Assembleia Legislativa de Rondônia, em Porto Velho, por Olivier Girard ao lado do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), Marcelo Thomé, que participou da reunião do Coinfra. Também esteve presente no encontro na CNI a deputada federal Jaqueline Cassol (PP-RO).

“Estou esperançoso com a iniciativa da Assembleia Legislativa de transformar em lei esse projeto, que será fundamental para orientar investimentos e modelagens na infraestrutura no estado”, disse Thomé.

Para o presidente do Coinfra, Olavo Machado Jr, a realidade mostra que o poder público brasileiro investiu muito pouco em infraestrutura nas últimas décadas. Ele defende que o tema seja priorizado pelos governos federal e estaduais e passe a ser tratado como uma política de longo prazo no país. “A infraestrutura e a logística do Brasil continuam atrasadas. Muita coisa inclusive mudou para pior”, pontuou Machado.

O presidente do Coinfra, Olavo Machado Jr, ao lado da deputada Jaqueline Cassol e do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), Marcelo Thomé

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