SENAI desenvolve cursos EaD para alunos da educação especial

Em tempos de pandemia, conteúdo adaptado para surdos e cegos permite que alunos não percam o ritmo de aprendizado nas aulas on-lines. Ação reforça luta pelos direitos das pessoas com deficiência, celebrado nesta segunda-feira (21)
Adaptação possibilita acesso aos conteúdos dos cursos em igualdade de oportunidade

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) desenvolve diversas ações para que os alunos com algum tipo de impedimento de longo prazo tenham acesso aos conteúdos dos cursos em igualdade de oportunidade. Em tempos de pandemia, o Programa SENAI de Ações Inclusivas (PSAI) precisou inovar para continuar transformando a vida das pessoas por meio do ensino a distância (EaD). Uma das principais novidades foi a adaptação de cursos EaD para a acessibilidade de estudantes surdos, com o primeiro serviço de transcrição para Libras feito pelo SENAI em âmbito nacional.

O projeto surgiu de uma demanda das Federações do Acre e de Rondônia, que precisavam adaptar as plataformas digitais para turmas com pessoas com deficiência. Por meio do edital de 2020 da Central de Tutoria e Monitoria, realizado nacionalmente para cuidar do gerenciamento de cursos on-line, o SENAI Goiás foi selecionado para adequar o conteúdo. A unidade está, desde julho, trabalhando com essa iniciativa com o apoio do SENAI Nacional.

A primeira turma com o modelo de adaptação começou nesta quarta-feira (16) e faz parte das ações do SENAI em comemoração ao Dia Nacional da Luta pelos Direitos das Pessoas com Deficiência, celebrado nesta segunda-feira (21). O curso de “Qualificação Profissional: Assistente Administrativo” conta com 9 alunos surdos do Acre e 13 de Rondônia. As aulas também são acompanhadas por pessoas com deficiência visual, sem deficiência e seguem até 9 de dezembro.

Para Aline Menezes Santos, estudante com deficiência auditiva, a oferta é uma grande oportunidade e uma ação muito positiva. “O SENAI está acreditando no aluno que precisa do atendimento diferenciado e está dando esse suporte para que inclusão ocorra. Eu sou deficiente auditiva e ter a professora de Libras para explicar e tirar dúvida dos conteúdos, com certeza, vai me ajudar a entrar no mercado de trabalho”, explica a aluna do Acre.

A gestora nacional do PSAI, Adriana Barufaldi, destaca os esforços para a inclusão educacional. “O SENAI vem trabalhando para garantir o acesso de todos, considerando a singularidade linguística de cada um, traduzindo os termos específicos da indústria, utilizando tecnologias assistivas, disponibilizando glossários de termos técnicos em formato digital e interativo (SENAI Libras app), aplicando o método de acessibilidade curricular. A ideia é proporcionar aprendizagem com autonomia para as pessoas que entram nos nossos cursos, tornando os conteúdos totalmente acessíveis também em Libras”, ressalta.

A aluna Aline Santos acredita que o curso vai ajudar na inserção dentro do mercado de trabalho

Cursos on-line transcritos para as Libras oferecem novas oportunidades pelo Brasil

Apesar de os cursos EaD serem uma forma de dar autonomia, o sistema virtual não abarcava a todos. O relatório feito pela Big Data Corp, com o Movimento Web Para Todos (MWPT), revela que dos 14 milhões de sites ativos no Brasil, apenas 0,61% passaram em testes de acessibilidade.

“Com a pandemia, a gente entende que os cursos EaD são uma forma essencial de estudar, por serem de forma remota, além da pessoa poder escolher o horário que ela vai fazer. Porém, eles não estavam adaptados para alunos surdos e cegos. A nossa expectativa é dar acesso a todos”, diz o coordenador técnico de EaD no núcleo de educação a distância de Goiás, Paulo de Sá Filho.

O projeto tem como objetivo a transposição dos conteúdos de diversos cursos da área industrial para a Libras. Até o momento, dois módulos já foram traduzidos: “Qualificação Profissional: Assistente Administrativo” e “Aperfeiçoamento Profissional: Qualidade de Atendimento ao Cliente”. O próximo, que ainda está na fase de planejamento de produção, será “Qualificação profissional: Eletricista Industrial”, com previsão para ser lançado até o final de 2020.

Os cursos têm todo o conteúdo, como as apostilas e as funções da biblioteca, adaptados. A transcrição é feita pela tradutora e professora de Libras do SENAI Alessandra Miranda Fidélis. “Para muitos surdos, o português não é uma língua acessível e, por isso, é importante transcrever os cursos para a língua mãe, a Libras. Para realizar a adaptação, é preciso estudar os documentos dos cursos, os conteúdos e, em seguida, fazer os vídeos. É um desafio, mas o objetivo é dar autonomia e ampliar, cada vez mais, as turmas”, explica a tradutora.

Os estados interessados em ofertar os cursos inclusivos devem procurar o SENAI Goiás. Já a pessoa com deficiência auditiva deve entrar em contato com a unidade do SENAI em seu estado para verificar a disponibilidade e fazer a inscrição.

 

Todas as funções, conteúdos e atividade do painel do curso de Qualificação Profissional: Assistente Administrativo está adaptado com vídeos em Libras

Adaptações promovem acessibilidade para alunos com deficiência visual

Paras as pessoas com baixa visão ou cegas, o Serviço Social da Indústria (SESI), juntamente com o SENAI está implementado, em todo Brasil, softwares acessíveis para alunos com deficiência visual. O processo de adaptação das plataformas de cursos EaD possibilita a leitura dos conteúdos digitais por meio de programas específicos. Na escola SENAI Ítalo Bologna, em Itu (SP), todo o conteúdo do novo curso de “Técnico de Informática para Web” foi adaptado para receber a estudante Cátia Carlos da Silva.

“Eu fiz um cursinho básico em 2011 e eu sempre quis fazer um curso para me especializar na área, então tive essa oportunidade de ensino com o SENAI. Estou muito feliz, eu consegui acessar o material para fazer minhas tarefas e ler o conteúdo. Acredito que o curso vai me trazer oportunidades de trabalho e, conforme for surgindo novos cursos na área da informática, eu pretendo continuar a estudar pelo SENAI”, diz a aluna.

O curso é uma novidade, tem duração de um ano e meio e é feito em formato híbrido, com aulas EaD de segunda a sexta e eventos presenciais ao sábado. O material adaptado está disponível para qualquer unidade do SENAI no Brasil e as adequações podem ser feitas para os cursos que tenha a inscrição de uma pessoa com deficiência visual.

“Nós começamos a buscar material e transcrever livros para o Braille, agora estamos com a transcrição em áudio dos conteúdos escritos. Além da impressão, também fizemos a adequação do programa e da metodologia com softwares. Por exemplo, compramos novas licenças de três softwares que a aluna vai usar no curso para ela poder participar das aulas. É uma questão de acessibilidade e de garantir que as pessoas com ausência da visão tenham a mesma qualidade de ensino de uma pessoa com visão”, explica Helvécio Oliveira, diretor da escola.

O objetivo é garantir possibilidades promissoras no mercado de trabalho e novas oportunidades para as pessoas com deficiência. Mesmo com a pandemia o SENAI SP já registrou, até julho, mais de 6 mil matrículas com estudantes com algum impedimento de longo prazo. “Já temos um número bem grande de inscritos este ano. Em 2019, foram mais de 10 mil alunos matriculados. Na escola de Itu há núcleo de transcrição em Braile que apoia as escolas de outras regiões e, também um Instituto SENAI de Tecnologias Assistivas, que atende o Brasil todo com tecnologias visando a inclusão e acessibilidade”, destaca Sandra Rodrigues da Silva Chang, interlocutora do PSAI-SP.

A aluna Cátia tem o apoio dos professores e coordenadores do SENAI para ter acesso ao conteúdo digital do seu curso

Alunos com deficiência capacitados para o mercado de trabalho

Um dos objetivos do Dia Nacional da Luta pelos Direitos das Pessoas com Deficiência é estimular mudanças socioculturais no ambiente profissional. O SENAI promove o fortalecimento das políticas de empregabilidade para as pessoas com deficiência (PCDs). Desde 2007, 232.295 alunos com necessidades específicas já passaram pelas salas de aula do SENAI, que oferecem ambientes acessíveis para o aprendizado, capacitação e desenvolvimento.

A última Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério da Economia, informou que o número de PCDs com carteira assinada aumentou 10% entre 2017 e 2018. O que resulta em um aumento de mil trabalhadores inseridos no mercado de trabalho.

Para a gestora nacional do PSAI, Adriana Barufaldi, o SENAI transforma vidas e é uma escola para todos. “Estamos fazendo um esforço muito bem sucedido, há quase duas décadas, para transformar as nossas escolas em escolas acessíveis e temos tido muito sucesso. O SENAI digital tem auxiliado a criar novas possibilidades para os alunos se desenvolverem, independente do lugar que esteja, na sua carreira, na sua profissão”.

Ela reforça que uma das preocupações é o desenvolvimento de tecnologias educacionais e assitivas customizadas, adequado às necessidades específicas dos estudantes. “A oferta a distância é exatamente para auxiliar o acesso das pessoas com deficiência aos conteúdos. Cada aluno que a gente forma, sabemos que é uma porta que abre para um futuro profissional, uma carreira, um desenvolvimento. É uma barreira a menos para essa pessoa com deficiência”.

SENAI prepara conteúdos especiais sobre a importância da educação inclusiva

Em comemoração ao Dia Mundial da Luta das Pessoas com Deficiência, o SENAI preparou conteúdos especiais que mostram a importância da educação inclusiva. O começo dessa jornada foi uma live com a gestora do Programa SENAI de Ações Inclusivas, Adriana Barufaldi, e a ativista de acessibilidade e representatividade nas redes sociais, Ana Clara Moniz. O bate-papo aconteceu no Instagram do SENAI e inspirou muitos seguidores com temas como educação inclusiva, dia a dia, as mudanças na sociedade e preconceito. 

A partir desta segunda-feira (21), serão publicados outros conteúdos para conhecer histórias inspiradoras de alunos do SENAI que mostram como o ensino pode ser transformador. Acompanhe nossa série especial sobre inclusão de pessoas com deficiência nas redes sociais (Facebook, Twitter e Youtube) do SENAI.

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