Ouro e outros metais: ex-aluno do SENAI brilha na arte de produzir joias

Campeão mundial na modalidade Joalheria, o jovem talento faz sucesso com a própria marca. Os objetos já foram utilizados pela autoridade máxima de um país e o objetivo é chegar ao Oscar
Leonardo Rodrigues começou a produzir as próprias joias depois de vencer a maior competição de profissões técnicas do mundo

Além de se esforçar bastante, algumas pessoas gostam de utilizar métodos diferentes para atingir um grande objetivo na vida. Orar, meditar, mentalizar são algumas opções. Para o carioca Leonardo Rodrigues, colocar a foto de uma medalha de ouro na mesa de trabalho, durante o treinamento para competir na WorldSkills em 2015, funcionou. Na época, o jovem conquistou o primeiro lugar na modalidade Joalheria e é um dos melhores joalheiros do mundo.

Agora, que comanda a própria empresa, o objetivo é outro, mas o método ainda é o mesmo. Léo, como é conhecido pelos amigos, mantém em sua mesa no ateliê de ourivesaria, que montou no Rio de Janeiro, uma foto da estrela do cinema americano Meryl Streep. "Essa é minha próxima meta: ter a Meryl Streep usando uma joia minha numa cerimônia de premiação do Oscar", afirma Leonardo.

O rapaz, que hoje tem 25 anos, começou o trabalho de produção e venda de joias que levam sua marca logo após vencer a maior competição de profissões técnicas do mundo. Ao longo de 2016, criou o CNPJ da empresa, abriu um escritório para exposição de peças e atendimento ao público, e um segundo local onde são produzidas as peças, ambos na Barra da Tijuca (RJ).

"Quando terminei o mundial, pensei que qualquer um que é ourives pode fazer joias, então, o que eu faria de diferente para me destacar no mercado?", relembra.

Por isso, Léo Rodrigues decidiu customizar seus produtos. O primeiro passo do joalheiro é fazer um perfil do cliente, com seus gostos e preferências, a fim de fabricar uma peça personalizada. “Quero sempre que seja algo que faça sentido para cada pessoa”, explica. Entretanto, além das peças exclusivas, o carioca também produz coleções a partir de um tema como o Dia dos Namorados.

Aprendiz de ourivesaria: como tudo começou

Leonardo diz que gosta muito de pedras desde criança, mas não tinha certeza do que queria fazer profissionalmente até que, como ele mesmo diz: "a joalheria me achou". Aos 15 anos de idade, aproveitando a tradicional época de fim de ano em que o mercado de trabalho abre vagas temporárias, Leonardo distribuiu currículos em várias empresas. O objetivo era conseguir uma vaga de vendedor e com a renda financiar uma viagem de avião, que seria a primeira, para participar de um congresso em Belo Horizonte (MG) da igreja da qual é seguidor.

“A joalheria H Stern me chamou e eu achei que era para uma vaga de vendedor. Mas quando cheguei lá me disseram que eu havia sido selecionado para vaga de aprendiz de ourivesaria”, conta o jovem, que apesar de nunca ter ouvido falar da profissão, aceitou a proposta da empresa para o processo seletivo.

Após ficar entre os primeiros selecionados, Leonardo começou seu primeiro curso no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) em Ourivesaria, pois a H Stern tinha parceria com a instituição para qualificação de jovens ourives. Ao final, ele emendou com o curso técnico em Joalheria.

Devido a toda dedicação, foi convidado, em 2013, para disputar a etapa estadual da Olimpíada do Conhecimento. Ganhou medalha de ouro e, em 2014, venceu a etapa nacional, em Belo Horizonte, para representar o Brasil na WorldSkills 2015.

Talento que saiu do Rio de Janeiro e chegou ao busto de uma ex-presidente

O jovem, que nasceu na difícil realidade de uma comunidade do Rio de Janeiro, o Morro dos Macacos, relembra que graças ao esforço do pai, Ronaldo, fisioterapeuta, e da mãe, Valéria, dona de casa, a família pode se mudar para outro local quando ele tinha entre quatro e cinco anos de idade. "Hoje, eu lido com pessoas de poder aquisitivo bem alto e vejo onde eu estou e onde eu ainda quero chegar", comenta.

Um dos seus primeiros destaques profissionais de venda foi o colar feito para a ex-presidente da República, Dilma Rousseff.

Leonardo presenteou Dilma com um colar inspirado nas estrelas do Cruzeiro do Sul

Em março de 2016, durante cerimônia de lançamento de nova fase do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), em Brasília, Leonardo foi convidado e presenteou Dilma com um colar inspirado nas estrelas do Cruzeiro do Sul, representados no Brasão da República. Ele lembra que a imagem da então presidente recebendo e usando a joia viralizou nas redes sociais e se repetiu no noticiário de televisão.

"Uma cliente de fisioterapia do meu pai estava vendo o vídeo numa sala da clínica em que ele trabalha e comentou que achou o colar lindo. Meu pai, que estava perto dela, disse: foi meu filho que fez. E pronto, ela encomendou na hora uma joia igualzinha", conta Leonardo entre risos.

Campeão mundial: dedicação e treinamento

A chance de competir e de vencer uma edição da WorldSkills foi um divisor de águas na vida de Leonardo, na sua avaliação. Ter como credencial ser um campeão mundial inspira confiança nos seus potenciais clientes. "Isso é como o meu cartão de visitas", diz ele. Por isso, ele avalia que vale muito a pena todo o tempo e dedicação de treinamento a que se propõem os alunos-atletas que querem ir a um mundial.

"O que mais define alguém como um campeão, na minha avaliação, é a vontade. Quando a pessoa quer muito, não tem adversidade que ela não possa contornar. E a parte técnica é imprescindível, o conteúdo aprendido é crucial, mas o grande diferencial é a vontade", conclui Léo, que está aproveitando a crise de Covid-19 para aperfeiçoar ideias e melhorar a marca que criou.

Atualmente, Leonardo é embaixador da WorldSkills (Champion Trust) e representou as Américas em uma conferência no Dia Mundial das Habilidades dos Jovens – 15 de julho.

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