Ministro Marcos Pontes quer colaboração da indústria em decisões do MCTIC sobre inovação

Ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações quer participação da Mobilização Empresarial pela Inovação em reuniões do ministério e trabalhos conjuntos. Ele participou de encontro da MEI
“Gostaria muito de ter a MEI para participar das decisões dentro do ministério” - Marcos Pontes

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, afirmou nesta sexta-feira (29) que pretende unir forças com o setor produtivo, a academia e o Poder Legislativo para alavancar a agenda de inovação no Brasil. Ele participou da última Reunião de Líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) de 2019, realizada no escritório da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em São Paulo. Coordenada pela CNI, a MEI reúne mais de 300 das principais lideranças empresariais do país.

Ao lado do presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, o ministro Marcos Pontes convidou a MEI para participar de decisões estratégicas sobre a agenda de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) no ministério. Ele pretende alinhar o trabalho do MCTIC com o da MEI e contar com representantes do movimento para a realização de trabalhos conjuntos. “Gostaria muito de ter a MEI para participar das decisões dentro do ministério”, disse Pontes. “Aceitamos o convite, ministro”, afirmou o presidente da CNI.

De acordo com o ministro do MCTIC, o principal desafio do país nessa área é a transformação de conhecimento em recursos e em tecnologia. “Precisamos de coordenação, financiamento, qualificação de RH e segurança jurídica. Estamos aqui para ajudar e contribuir para que isso aconteça em prol da inovação no Brasil”, afirmou Pontes.

“Estamos trabalhando dentro do governo de forma muito coordenada. Precisamos unir as nossas forças para atingir esse objetivo”, acrescentou o ministro, antes de observar que se sentia em casa na reunião por ter sido aluno do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e do Serviço social da Indústria (SESI), instituições coordenadas pela CNI.

CONTRIBUIÇÕES DA MEI – O presidente da CNI destacou que, desde que foi criada em 2008, a MEI tem colaborado fundamentalmente com a inovação no Brasil. “Nesses 11 anos de MEI, conseguimos dar uma contribuição muito grande ao país nas políticas de ciência e tecnologia. A MEI contabiliza resultados que impactam no aprimoramento do ecossistema de inovação brasileiro”, enfatizou.

Ele também enumerou algumas das principais conquistas da MEI. “Ao longo desses 11 anos, contabilizamos resultados que impactaram no aprimoramento do ecossistema de inovação brasileiro. Entre eles estão a inserção da inovação na Constituição Federal; a contribuição e participação na sanção do novo Marco Regulatório de Ciência, Tecnologia e Inovação e de sua regulamentação; a manutenção da Lei do Bem; e a contribuição para a definição de novas diretrizes curriculares nacionais para as engenharias”, destacou o presidente da CNI.

Robson Andrade mencionou ainda o Programa de Imersões em Ecossistemas de Inovação, que já realizou mais de 20 missões no Brasil e em países como os Estados Unidos, Alemanha e Israel. Ele observou que a primeira imersão de 2020, que já está com inscrições abertas para a participação de empresários, será na China, em março. Também haverá imersões no ano que vem à Índia e a Finlândia.

“Gostaria de convidar os senhores a viajar no ano que vem à Finlândia. Temos muito a mostrar para vocês em relação ao ecossistema de inovação. Vamos mostrar políticas de inovação e comunicação, o 5G, a economia circular. Na Finlândia não existe lixo, só existe oportunidade para usar as matérias novamente”, disse o embaixador da Finlândia no Brasil, Jouko Leinonen.

Presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, participa de reunião da MEI

SETOR PRODUTIVO – Também presente à reunião da MEI, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, listou iniciativas que a pasta tem adotado em prol do desenvolvimento do país – todas com a participação do setor privado.  “Há boas práticas sendo desenvolvidas na Amazônia, por exemplo, mas em uma escala bem abaixo da necessária. O governo sozinho não vai resolver o problema da Amazônia, é o setor produtivo com pesquisa e desenvolvimento voltados aos negócios que será fundamental”, frisou Salles.

O ministro substituto da Casa Civil, Marcelo Barros Gomes, detalhou, por sua vez, a Política Nacional de Inovação, que está em fase de desenvolvimento. Segundo ele, o objetivo do governo é se adequar às melhores práticas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e integrar os diferentes atores em torno da agenda de CT&I. “Esse ambiente finalmente será implantado integralmente com base em patamares diferenciados de políticas públicas com o padrão da OCDE. O que interessa nesse processo é que todos se mobilizem na direção das melhores práticas: sociedade, setor produtivo e o governo”, afirmou.

INVESTIMENTOS – O vice-presidente da Frente Parlamentar Mista de Ciência, Tecnologia, Pesquisa e Inovação, deputado Vitor Lippi, disse que tem trabalhado incessantemente pela manutenção e aumento dos recursos destinados ao financiamento à CT&I. Ele elogiou o que chamou de “trabalho extraordinário” realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que já investiu mais de R$ 1,3 bilhão em cerca de 800 projetos de inovação.

“Apesar do nosso potencial de riqueza, estamos muito aquém de onde poderíamos estar porque faltou visão estratégica e investimento. Podemos recuperar o Brasil rapidamente, mas para isso precisamos todos nos unir”, afirmou Lippi.

Para o presidente do Conselho de Administração da Utrapar e líder da MEI, Pedro Wongtschowski, a redução de investimentos públicos tem inibido a inovação no Brasil. Ele alertou para a importância de os contingenciamentos não atingirem a Embrapii, que “tem sido muito eficiente e levado CT&I às empresas”. Ele alertou também para a importância da criação de mecanismos que tornem a Lei do Bem menos burocrática e para a urgência da formação de talentos, especialmente na área de engenharia. Se a formação não avançar isso vai ser um limitador do crescimento da atividade inovadora no Brasil.

Também fizeram apresentações na reunião, o presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Márcio Santos, que destacou políticas voltadas para o desenvolvimento econômico e social, e para a promoção da competitividade do país; a presidente da IBM América Latina, Ana Paula Assis, que falou sobre inteligência artificial, o 5G e internet das coisas; e o presidente da Quantum4, Ricardo Pelegrini, que apresentou o MEI Tools – programa que reúne um conjunto de instrumentos para fortalecer a capacidade inovativa das empresas.

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