🇧🇷 Made in Brasil: técnicos brasileiros de robótica conquistam reconhecimento no exterior

A robótica brasileira está em destaque no cenário internacional, não apenas nas competições, como também fora das arenas, por meio da criação de equipes e implementação metodológica

A família Becker iniciou sua carreira em equipes nacionais e, hoje, é referência nesse universo dos robôs

A robótica educacional do Brasil ganha cada vez mais visibilidade no cenário internacional. O reconhecimento vai além das competições, com destaque para a formação de equipes e a aplicação de metodologias inovadoras nas escolas.

Um exemplo é a trajetória da família Becker, conhecida em vários países pela trajetória e atuação no mundo da robótica. Apesar do sobrenome estrangeiro e de morarem na Austrália, são brasileiros. Jeser Mross Becker, Daiane Rodrigues Becker e Asaph Mross Becker iniciaram suas carreiras em equipes nacionais e, hoje, são referências globais em educação tecnológica e robótica.

Essa história de sucesso começa com o sonho de Jeser, 36 anos. Em 2005, quando nem existiam times de robótica em escolas públicas do Brasil. Ele ajudou a fundar a primeira equipe de robótica em escola pública da América Latina, a 1772 HeitorTec, de Gravataí (RS), hoje conhecida como The Brazilian Trail Blazers, os ‘desbravadores’ brasileiros, nome carimbado em competições aqui e lá fora. 

O sonho adolescente consolidou-se em premiações e uma carreira internacional ao longo dos 20 anos de história na robótica. Ao lado da esposa Daiane, 35 anos, os dois lideram a 4613 Barker Redbacks, considerada uma das melhores do mundo, além de auxiliarem equipes brasileiras e coordenarem times da África do Sul e Índia.  

Na Índia, o casal atua em um programa governamental que leva a robótica a 40 mil estudantes, impactando diretamente a educação tecnológica no país.


“Ficamos conhecidos mundialmente e, hoje, viajamos o mundo inteiro com a robótica. Conseguimos implementar o ensino em qualquer lugar”, declara Jeser. 


Daiane nasceu e cresceu em São José dos Campos (SP). Ainda na adolescência, fez parte da 1382 ETEP Team, mas depois de conhecer Jeser, mudou-se para Gravataí e se atuou como mentora do time do companheiro. 

Jeser não é o único da família com história na robótica, seu irmão Asaph, 33 anos, é chefe de robótica do maior projeto para mulheres da Oceania e também começou sua trajetória no time de Gravataí. Anos depois, fundou a 5800 Magic Island Robotics, no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). 

A equipe de Gravataí foi uma das primeiras de FIRST Robotics Competition (FRC) a serem criadas no Brasil, surgiu antes mesmo do Serviço Social da Indústria (SESI) começar a promover as competições.  

O sucesso da equipe mostra que é fácil encontrar ex-integrantes espalhados pelo Brasil e pelo mundo fazendo robótica. Como é o caso do Patrick Vieira, 30 anos, que também era integrante da equipe The Brazilian Trail Blazers, inclusive, ficou como técnico do time quando Jeser e Daiane se mudaram para Austrália. Atualmente, mora em Las Vegas e lidera a 7426 Pair of Dice Robotics, que criou do zero. 

“Sempre quis fundar minha própria equipe de robótica. Gosto de oferecer as mesmas oportunidades que recebi em Gravataí”, afirma Vieira.

Atualmente, Patrick Vieira mora em Las Vegas e lidera a 7426 Pair of Dice Robotics, que criou do zero

A fórmula brasileira para fazer robótica 

Pódios e outras conquistas de títulos internacionais evidenciam a ascensão dos times brasileiros na robótica, mas não para por aí. O Brasil também é destaque fora das arenas, na criação de equipes e implementação da robótica. Qual seria o segredo para esse sucesso? 

Segundo Jeser, os brasileiros são únicos na robótica, isso porque conseguem se adaptar com facilidade às situações mais diversas que, infelizmente, começam pela falta de investimentos na educação tecnológica e escassez de recursos. 


“É questão de vir de baixo. O brasileiro é criativo e resiliente. Os alunos aprendem a fazer robôs com o que tem em mãos e isso não é ensinado em sala de aula. A robótica voltou a crescer no Brasil depois das competições organizadas pelo SESI”, destaca. 


No último mundial, por exemplo, equipes brasileiras conquistaram sete prêmios. Na categoria com robôs de LEGO, alunos do SESI garantiram o primeiro lugar e o título de tricampeão para o país. 

O casal tenta levar essa ‘forma de fazer robótica’ por onde passa, afinal, o espírito de parceria e solidariedade é o que se tem de mais genuíno na modalidade. Daiane conta que sempre tentam ajudar outras equipes, por meio de mentorias, entrega de materiais, doam o seu tempo ao voluntariado como podem. 

“Todos os países que visitamos reservamos um ou dois dias para achar uma escola ou equipe e fazer uma doação, palestra, alguma atividade”, enfatiza. 

Projetos pioneiros impulsionam mulheres na tecnologia

Em 2016, quando Asaph se mudou para Austrália, ele recebeu o desafio de implementar robótica em uma escola exclusiva para meninas. O projeto Pymble Robotics, que começou com apenas 12 competidoras, hoje, reúne 400 estudantes, se tornou o maior projeto de robótica para mulheres da Oceania e um dos maiores do mundo. À frente disso tudo está Asaph. 

O projeto Pymble Robotics, que começou com apenas 12 competidoras, hoje, reúne 400 estudantes, se tornou o maior projeto de robótica para mulheres da Oceania

“Os números mostram que o investimento em tecnologia tem resultados. Escolhi participar desse projeto, do zero, porque sabia do grande impacto que teria”, ressalta o ex-competidor brasileiro. 

Em Las Vegas, Patrick Vieira criou não apenas uma equipe, mas também um programa de Manufatura Avançada, considerado o maior do estado de Nevada. O projeto oferece 50 bolsas de estudo por ano em mais de 20 certificações técnicas ligadas à indústria 4.0.

Manufatura Avançada, de forma resumida, são tecnologias que visam aprimorar a eficiência, produtividade e qualidade dos processos de fabricação. Essas tecnologias incluem inteligência artificial, automação e robótica, por exemplo. 

Robótica no SESI: educação de ponta para o futuro da indústria

De maneira pioneira no Brasil, o SESI começou a implementar o programa de robótica nas escolas da rede em 2006 e, em 2012, passou a realizar as competições da organização internacional FIRST ® para outras instituições de ensino também. Já são 14 anos operando a modalidade FIRST® LEGO® League Challenge (FLLC); e, em 2018, o SESI começou com a FIRST® Tech Challenge (FTC). Há dois anos foi a estreia da FRC

A rede conta com mais de 400 escolas em todo o Brasil, com mais de 300 mil estudantes. No último Festival SESI de Educação, realizado no mês de março, em Brasília, foram reunidos mais de 2 mil alunos de escolas da rede SESI e SENAI, públicas e privadas. 

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