Indústria 4.0 é necessária para o Brasil ganhar competitividade, diz CNI

A indústria passa por uma grande transformação em todo o mundo e caminha para o que os alemães chamam de Indústria 4.0
Segundo Côrte, fala-se muito em novas tecnologias, mas o grande desafio é desenvolver os recursos humanos

A indústria passa por uma grande transformação em todo o mundo e caminha para o que os alemães chamam de Indústria 4.0. Mas, afinal, o que é indústria 4.0? O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina ( FIESC ), Glauco Côrte, contou, durante o 34º Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA), em Weimar, nesta segunda-feira (17), que uma consultoria entrevistou 140 CEOs para consolidar o conceito. “Obteve 140 respostas”, disse. Segundo Côrte, o desenvolvimento de um novo sistema de produção está fortemente baseado na era digital, o que tem afetado a produção. 

Mas enquanto não se tem uma resposta exata, Corte explicou que o Brasil poderia seguir o caminho das grandes empresas nos Estados Unidos, Europa e China. Entre os investimentos feitos em tecnologias , as principais indústrias desses países estão investindo em: manufatura avançada com produtos conectados, fábricas inteligentes, computadores de alta performance, robótica avançada e impressoras 3D, realidade aumentada para ampliar qualidade, treinamento e conhecimento avançado. “O Brasil poderia assumir essa linha de investimento também. Mas, o que conta realmente é o talento”, destacou. 

Segundo Côrte, fala-se muito em novas tecnologias, mas o grande desafio é desenvolver os recursos humanos . Segundo ele, há 1 bilhão de pessoas hoje trabalhando em posições que não existiam há 10 anos e que 65% das posições que serão ofertadas nos próximos anos ainda não existem. “A fábrica vai se modernizar, mas há um hiato entre o que é ensinado hoje nas escolas e o que precisa ser ensinado para a atender a demanda do setor produtivo no futuro próximo. Os profissionais deverão apresentar outros conhecimentos e habilidades”, afirmou. 

COMPETITIVIDADE - O gerente-executivo de Política Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) , João Emílio Gonçalves, afirmou que a adoção de tecnologias é uma urgência do Brasil para ganhar competitividade. “Os recursos humanos de fato são uma preocupação, mas a indústria 4.0 é uma realidade com a qual o Brasil precisa lidar”, explica. 

Numa pesquisa recente, a CNI indicou dez tecnologias digitais associadas ao novo paradigma da Indústria 4.0 e perguntou: Quais dessas tecnologias as empresas usavam? 52% dos entrevistados disseram que nenhum. Para a outra pergunta: Quais teriam maior impacto nos seus negócios? 48% desconhecem os impactos. 

Gonçalves explicou que mesmo nos países mais avançados coexistem quatro modelos de indústria, que vão desde a produção de bens tradicionais por métodos convencionais à produção de bens com tecnologia inovadora e modelos de negócios inovadores. “O primeiro modelo vai sumir. A indústria 4.0 não é uma nova forma de produzir. Ela propõe produzir bens com características novas, que incorporem a internet das coisas. As cadeias produtivas vão adotar novas tecnologias por pressão dos concorrentes”, disse o executivo da CNI. 

LADO ALEMÃO – O diretor do departamento “Indústria 4.0” da BITKOM e V, Wolfgang Dorst, afirmou que a Alemanha tem 40 anos de tradição no processo automatização. Eles começaram na década de 1980, quando a produtividade caiu, o PIB não cresceu e as despesas correntes continuaram crescendo. “Introduzimos computadores para reduzir custos. Isso no passado. Hoje, criamos o conceito de Indústria 4.0, que significa introduzir a internet na produção. É um conceito para os próximos dez anos”, afirmou. Para ele, a indústria 4.0 é possível no Brasil, mesmo partindo de uma indústria 2.0. “É só usar a internet ”, decifra. 

A Alemanha é um dos países mais avançados no desenvolvimento destas tecnologias e tem focado na indústria 4.0 para ampliar a competitividade . Segundo o relatório Recommendations for Implementing the Strategic Initiative Industrie 4.0 , publicado em 2013, a Alemanha deve se tornar o principal fornecedor de tecnologias de produção inteligentes e integrar a produção com outros países, com o objetivo de acompanhar tecnologias e gerar padrões. 

Dessa forma, o secretário de Inovação e Novos Negócios do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Vinícius de Souza, encerrou o debate assim: “O Brasil ainda não sabe qual indústria 4.0 quer ter, mas estamos perto de descobrir”. 

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