Dia Mundial do Pão: indústria de panificação quase dobra produção em 10 anos

Volume chegou a 3,1 milhões de toneladas em 2024; setor reúne 86,6 mil estabelecimentos e mais de 546 mil empregos formais no Brasil

Imagem: Shutterstock

No Dia Mundial do Pão, celebrado nesta sexta-feira (16), um estudo do Observatório da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) mostra que a produção industrial brasileira de panificados quase dobrou em 10 anos. O volume cresceu 92,8% entre 2014 e 2024 e chegou a 3,14 milhões de toneladas.

No período, o volume produzido passou de 1,6 milhão para 3,14 milhões de toneladas. A receita líquida de vendas chegou a R$ 18 bilhões em 2024, o maior valor da série analisada.

O levantamento sobre o setor de panificação e confeitaria foi elaborado com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Os dados de produção abrangem 7 categorias de panificação industrial. O estudo também analisa estabelecimentos, emprego formal e remuneração no Brasil e nos estados.

Pães com grãos e especiarias têm crescimento de 469,5%

Entre os produtos pesquisados, o principal destaque foi a fabricação de pães de forma com grãos e especiarias. A produção passou de 109,6 mil toneladas em 2014 para 624,3 mil toneladas em 2024, avanço de 469,5%. Com isso, a participação desses produtos no volume analisado subiu de 6,7% para 19,9% — quase 1 em cada 5 toneladas produzidas. 

A produção de bolos industrializados também cresceu: a alta foi de 282,1% em 10 anos, chegando a 197,9 mil toneladas. Já os pães de queijo dobraram de volume, com alta de 100,2%. 

Os pães de forma industrializados permaneceram como a categoria de maior volume, com 1,3 milhão de toneladas em 2024, o equivalente a 41,5% do total. Em receita, responderam por R$ 4,53 bilhões, ou 25,2% das vendas. Na sequência do faturamento, aparecem os pães com grãos e especiarias, com R$ 4,36 bilhões, e os produtos de padarias e confeitarias, com R$ 4,12 bilhões.

Setor amplia estabelecimentos e empregos formais

Em 2025, o setor reunia 86.609 estabelecimentos e 546.506 vínculos formais no Brasil. Na comparação com 2022, o número de estabelecimentos cresceu 8,6%, enquanto os empregos avançaram 5%. Somente entre 2024 e 2025 foram criados quase 17 mil postos formais, alta de 3,2%. A remuneração média chegou a R$ 2.289,11 em 2025, crescimento de 4,7% em 1 ano e de 20,8% desde 2022.

“A preocupação com a escassez de mão de obra ganha ainda mais relevância diante das mudanças no perfil profissional da panificação. O estudo mostra que as ocupações ligadas à operação industrial e aos processos produtivos cresceram em ritmo muito superior ao emprego do setor como um todo. Esse movimento sinaliza uma panificação mais moderna, com maior demanda por profissionais preparados para operar equipamentos e acompanhar os processos de produção. A qualificação profissional é fundamental para aproximar os jovens dessas oportunidades e sustentar o crescimento de um setor que faz parte do dia a dia das famílias em todo o país”, afirma Raphael Veríssimo, especialista em Estudos de Competitividade da FIRJAN.

“O setor de panificação está em ebulição. O pão está presente nas padarias, porém cada vez mais adaptados aos novos cardápios, à modernidade. Existem muitas oportunidades de emprego, mas também é preciso dizer que há uma escassez de mão de obra. Observo as lojas trabalhando de forma a atrair mais mão de obra, oferecendo benefícios e capacitações. Acredito que esses dados possam servir como um convite para que jovens enxerguem a panificação como um mercado de oportunidades, como um setor onde eles também podem construir um plano de carreira”, completa Fernanda Hipólito, presidente do Rio+Pão, Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria do Município do Rio de Janeiro.

São Paulo, Minas Gerais e Rio concentram mais da metade dos empregos

Juntos, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro concentram mais da metade do emprego formal da panificação brasileira. São Paulo lidera, com 161.380 vínculos, ou 29,5% do total nacional.

Minas Gerais aparece em segundo lugar, com 76.897 postos (14,1%), seguido pelo Rio de Janeiro, com 46.216 (8,5%).

Os 8 estados com maior número de empregos formais são:

Estado Vínculos Formais Participação Nacional
São Paulo 161.380 29,5%
Minas Gerais  76.897 14,1%
Rio de Janeiro 46.216 8,5%
Paraná 32.403 5,9%
Rio Grande do Sul 29.214 5,3%
Santa Catarina 25.772 4,7%
Bahia 23.731 4,3%
Pernambuco 18.686 3,4%

Embora concentrem os maiores contingentes, esses estados não necessariamente apresentam as maiores expansões recentes. Entre 2024 e 2025, o Amazonas registrou o maior crescimento percentual dos vínculos formais, de 11,8%. Em seguida aparecem Piauí (10,9%), Tocantins (10,3%), Bahia (7,9%), Pará e Maranhão (ambos com 7,3%).

Goiás e Rondônia foram os únicos estados com redução do emprego formal no período, com quedas de 0,9% e 1,3%, respectivamente.

Distrito Federal lidera em densidade de estabelecimentos

O Distrito Federal apresenta a maior densidade do setor, com 6,53 estabelecimentos de panificação e confeitaria para cada 10 mil habitantes. Minas Gerais aparece na sequência, com 6,22, seguido pelo Espírito Santo, com 6,19.

A média brasileira é de 4,26 estabelecimentos para cada 10 mil habitantes. O indicador permite comparar unidades da Federação com populações de diferentes tamanhos, mas não incorpora fluxos turísticos, populações flutuantes ou deslocamentos de consumo.

Funções industriais e técnicas lideram crescimento

O estudo também identifica mudanças no perfil das ocupações. Entre 2022 e 2025, os grupos ligados à operação industrial, manutenção, qualidade e controle cresceram acima da média do setor.

Os empregos em manutenção, qualidade e controle aumentaram 19,9%, enquanto as funções de operação e processos produtivos avançaram 16,1%. No mesmo período, o emprego total do setor cresceu 5%.

As ocupações técnicas também apresentam as maiores remunerações. Em 2025, o grupo de manutenção, qualidade e controle registrou remuneração média de R$ 4.382, quase o dobro da média do setor. Em operação e processos produtivos, a média foi de R$ 2.435.

Apesar desse avanço, vendas, atendimento e gestão continuam formando o maior grupo ocupacional, com 293.957 trabalhadores e participação de 53,8% no emprego. Produção e preparo aparecem em seguida, com 152.608 vínculos, ou 27,9% do total.

Sobre o estudo

O levantamento do Observatório Firjan considera 7 categorias de produtos de panificação industrial acompanhadas pela Pesquisa Industrial Anual – Produto, do IBGE, entre 2014 e 2024.

As informações sobre estabelecimentos, vínculos formais, ocupações e remuneração têm como fonte a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego, para o período de 2022 a 2025.

A remuneração apresentada corresponde à média de dezembro entre vínculos com informação salarial válida. A densidade estadual foi calculada a partir do número de estabelecimentos da RAIS e da população residente registrada pelo Censo Demográfico de 2022.

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