CNI protocola pedido para participar como parte interessada em processo sobre Margem Equatorial

Na petição para ser amicus curiae em ação do MPF que tramita na Justiça Federal do Pará, CNI argumenta que decisões fundamentadas e com respaldo jurídico devem prevalecer em relação a opiniões generalistas

Foto: Iano Andrade / CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) protocolou pedido na Justiça Federal do Pará para participar de ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal contra o leilão que demarcou blocos para extração de petróleo na Margem Equatorial – região que se consolida como uma das novas fronteiras energéticas mais promissoras do país.

No pedido para participar do processo como amicus curiae (parte interessada), apresentado na terça-feira (16), a CNI argumenta que decisões administrativas, com fundamentos técnicos e respaldo jurídico-legal, devem prevalecer em relação a opiniões generalistas sobre questões altamente especializadas.

“Como forma de garantir a segurança jurídica, é preciso que o Poder Judiciário atue, nos limites da sua capacidade institucional, com deferência em relação às decisões técnicas da administração pública, e só interfira ou revise atos administrativos em uma situação de ostensiva ausência de razoabilidade, ou a flagrante ilegalidade do que foi objeto de decisão administrativa”, destaca o diretor Jurídico da CNI, Alexandre Vitorino.

Na peça, a CNI destaca que a exploração na Margem Equatorial não é apenas uma atividade econômica, mas um imperativo de desenvolvimento nacional e justiça social. Para a Confederação, o bloqueio da atividade impediria não apenas a região diretamente interessada, mas o país todo, de acessar recursos essenciais para sanar déficits históricos de implementação de direitos sociais que vitimam milhares de brasileiros anualmente, além de comprometer o financiamento da própria transição energética e a busca por soluções inovadoras necessárias para enfrentar os desafios que as alterações climáticas impõem atualmente a sociedade.

A CNI observa também que não há comunidades indígenas diretamente afetadas nas áreas leiloadas. “É imperioso refutar a tese de que a exploração de petróleo na Margem Equatorial seria antagônica aos compromissos climáticos do Brasil. Ao contrário, a doutrina econômica moderna e o planejamento estratégico estatal indicam que não há tecnologia acessível e escalável para uma transição energética imediata. O setor de petróleo e gás faz parte das possíveis soluções, não há dúvidas”, destaca a petição da CNI.

Dados econômicos comprovam importância da Margem Equatorial para o país

Na peça apresentada à 9ª Vara Federal Ambiental e Agrária da Justiça Federal do Pará, a CNI reúne uma série de números que demonstram a importância da Margem Equatorial para o desenvolvimento da região. Conforme os dados, a cada R$ 1 produzido na indústria são gerados R$ 2,44 na economia, de forma que a indústria contribui com R$ 2,41 trilhões na economia brasileira.

Estudos técnicos estimam a existência de reservas recuperáveis na ordem de 10 bilhões de barris de óleo equivalente na região. A título de comparação, o principal bloco na Bacia da Foz do Amazonas pode alcançar, isoladamente, 5,6 bilhões de barris recuperáveis, volume comparável às descobertas recentes na Guiana e no Suriname, que totalizaram 11 e 4 bilhões de barris, respectivamente.

“Não há dúvidas de que a produção de petróleo na região viabilizará recursos que poderão melhorar a segurança energética do Brasil, abrir caminhos de transição para a economia verde e a descarbonização e, principalmente, promover avanços sociais e na infraestrutura dos estados que compõem a Margem Equatorial”, pontua a CNI.

A CNI, por meio do Observatório Nacional da Indústria, elaborou estudo e simulador econômico sobre os possíveis impactos econômicos e sociais da produção de petróleo na Margem Equatorial brasileira, segundo o qual a atividade tem o potencial de criar 326.049 novos empregos formais. O mesmo trabalho aponta que a extração pode adicionar R$ 65 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) nacional e acrescentar R$ 3,87 bilhões em tributos indiretos.

A Margem Equatorial Brasileira é composta por uma vasta área litorânea que engloba seis Unidades da Federação das regiões Norte e Nordeste (Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte), distribuída em cinco bacias sedimentares: Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar.

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