Valeu, Indústria!

Em artigo publicado no jornal Estado de Minas, o presidente da FIEMG, Olavo Machado, que deixa o cargo nesta quinta-feira (24), falou principalmente do futuro da indústria de Minas Gerais, que espera como moderno, diversificado, inovador, tecnológico e agregador de valor ao produto mineiro
Olavo machado foi presidente da FIEMG por 8 anos

Há oito anos, desde maio de 2010, compareço quinzenalmente a este espaço, sempre às quintas-feiras, para registrar o posicionamento da indústria mineira sobre questões que impactam o setor e o cotidiano de milhares de empresas, empresários e trabalhadores. Hoje, o faço pela última vez como presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). À noite, com muita honra e como estabelece o nosso estatuto, transmitirei o cargo ao companheiro Flávio Roscoe Nogueira.

Em ocasiões como esta, na maioria das vezes, costuma-se enfatizar o passado em laudatórios e cansativos relatórios de gestão. Quero fazer diferente, pois do passado cuidam o tempo e a história, sempre com isenção, competência e justiça. Quero falar do presente e do futuro, principalmente do futuro da indústria de Minas Gerais, que antevejo moderno, diversificado, inovador, tecnológico e agregador de valor ao produto mineiro.

Quero falar de princípios e valores que nossa diretoria priorizou e que, acredito, indicam o futuro. Na verdade, estruturamos a nossa gestão em cinco pilares que focam exatamente o futuro e que são decisivos em sua construção, tendo como prioridade absoluta a criação de mercado para as empresas industriais: Defesa de Interesses da Indústria; Educação; Inovação e Tecnologia; Qualidade de Vida e Sustentabilidade; Comprometimento da Casa com a Gestão, no que se refere à estrutura organizacional do Sistema FIEMG, sob a inspiração do nosso Conselho Estratégico. Esses pilares foram fundamentais diante do cenário de grave crise com o qual convivemos ao longo dos oito anos de mandato.

No pilar Desenvolvimento Industrial e Defesa de Interesses, o objetivo central são iniciativas voltadas para a criação de mercado no Brasil e no mundo. São ações que impactam a competitividade das empresas e exigem mudanças nos campos político, trabalhista, tributário, ambiental, promoção de negócios e atração de investimentos. De fato, representar e ancorar a defesa dos interesses legítimos do setor industrial é a razão de ser da FIEMG, sempre com o foco de garantir negócios dentro e fora do país.

Nesse quesito – criação de mercado e defesa de interesses –, trabalhando sempre em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), com as demais federações de indústria do país, com os nossos sindicatos e com as entidades coirmãs de Minas Gerais, tivemos conquistas fundamentais nos últimos anos: a aprovação da legislação que fixa um teto para os gastos públicos, a lei da terceirização e a Reforma Trabalhista são alguns dos destaques.

No pilar Educação, desenvolvemos ações abrangendo o Ensino Básico, com o Serviço Social da Indústria (SESI), e o Ensino Profissionalizante, com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). Também desenvolvemos ações cuja marca principal é a promoção da cidadania, como o Instituto Minas pela Paz, mantido e gerido pelas empresas que integram o nosso Conselho Estratégico. A Escola Móvel, operada pelo SESI/SENAI, é outro exemplo de ação-cidadã, ao criar oportunidade de formação profissional para populações carentes e marginalizadas. Também desenvolvemos ações de conexão entre a universidade e a indústria, como os programas executados pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL) – o Engenheiro Empreendedor, com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), de Minas Gerais, e o programa Futuros Engenheiros, da própria FIEMG.

No pilar Inovação e Tecnologia, conquistamos avanços significativos. Em parceria com a CNI, com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e com o Governo do Estado – Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemge), Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e Secretaria de Ciência e Tecnologia –, o Sistema FIEMG investiu R$ 150 milhões para construir o Centro de Inovação e Tecnologia SENAI/FIEMG em Belo Horizonte, que hoje nucleia uma rede de 14 centros de pesquisa e desenvolvimento com laboratórios em diferentes regiões do estado.

Em Itajubá, está em construção o Instituto SENAI de Inovação-Centro Empresarial de Desenvolvimento e Inovação da Indústria Elétrica e Eletrônica (ISI-CEDIIEE), em parceria com BNDES, CNI, Cemig, Fapemig e Codemge. Por sua relevância, o ISI-CEDIIEE acaba de receber – nesta terça-feira (22) – o selo de aprovação e prioridade da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

No pilar Qualidade de Vida e Sustentabilidade, o Sistema FIEMG consolidou sua atuação nas áreas de Segurança e Saúde no Trabalho (SST), Desenvolvimento Social, Esporte e Cultura. Desde 2010, mais de 1,6 milhão de trabalhadores da indústria participaram de ações de SST. No mesmo período, as escolas de esporte do SESI MG receberam 227 mil matrículas, e os clubes da entidade beneficiaram um milhão de trabalhadores e seus familiares. Os eventos culturais promovidos pela entidade reuniram cerca de 5 milhões de espectadores nos últimos oito anos, levando, além de cultura, também esperança e claro entendimento do processo de construção do nosso país, como se deu no espetáculo “JK, um reencontro com o Brasil”.

No pilar Comprometimento da Casa com a Gestão, investimos na preparação da nossa estrutura organizacional, nos nossos colaboradores e no estabelecimento de uma cultura – a Nossa Causa –, cuja essência é a defesa da indústria de Minas Gerais, suas empresas e seus empresários. Sem empregados mobilizados e engajados, não se constroem organizações eficientes e eficazes.

São resultados importantes para a indústria, que reafirmam as tradições da FIEMG desde a sua fundação, em 12 de fevereiro de 1933. Nesse período de 85 anos, a entidade teve 13 presidentes e todos – cada um ao seu tempo e ao seu modo – deram a sua contribuição para a consolidação de uma obra que é coletiva e solidária. Sabemos que a nossa participação não se encerra em si mesma – esperamos que contribua para apoiar a nova gestão. De amanhã em diante, a liderança da indústria estará nas mãos do companheiro Flávio Roscoe – e sei que estará em muito boas mãos. Sucesso, Flávio!

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