O negócio da Amazônia

Em artigo publicado no Estadão, o presidente da FIERO, Marcelo Thomé, explica que o modelo ESG facilita a identificação de teorias sustentáveis na vida das empresas

Não é novo dizer que ofertar produtos e serviços sustentáveis deixou de ser diferencial competitivo e tornou-se condição para entrada nos mercados consumidores mais importantes do mundo. Mas este continua sendo o fato a exigir que empresas brasileiras acelerem a adoção de práticas sustentáveis. Uma direção a seguir está nos princípios ESG – sigla em inglês para Environmental, Social e Governance (Ambiental, Social e Governança, na tradução para o português); que também inspiram a criação do Instituto Amazônia +21, iniciativa empresarial vinda da Amazônia, para promover negócios sustentáveis na Amazônia.

A vantagem do modelo ESG é facilitar a identificação de teorias sustentáveis na vida das empresas. Esse também é o nosso propósito, mostrar oportunidades e iniciativas verdadeiramente sustentáveis no interior da Amazônia. Potencial não nos falta e os ativos globais que incorporam elementos ESG têm crescimento exponencial. No relatório “ESG Investing: Practices, Progress and Challengs”, a OCDE afirma que em 2020 eles alcançaram US$ 11 trilhões nos EUA e incríveis US$ 17 trilhões na Europa.

A Black Rock, maior fundo de investimentos do mundo, anunciou que só vai botar dinheiro em negócios sustentáveis. Bancos, investidores e grandes empresas de todo o mundo seguem no mesmo sentido, enquanto estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base na Climate Policy Initiative, revela que, em 2017 e 2018, de US$ 1,158 trilhão destinados a projetos com pegada de redução de emissões, 38% foram para a Ásia e apenas 4,5% para a América Latina e Caribe, quase nada para o Brasil. Francamente, a nossa timidez nesse quesito é injustificável, até porque temos muito mais iniciativas pela sustentabilidade do que parece.

A CNI publicou estudo indicando quatro eixos de migração para uma economia de baixa emissão: transição energética, economia circular, precificação de carbono e conservação de florestas. Grandes indústrias nacionais reduziram emissões e implantaram modelos sustentáveis. A maioria das empresas, inclusive médias e pequenas, já adotam alguma prática ESG.

Na Amazônia os problemas socioeconômicos e de infraestrutura se agravam em relação aos péssimos indicadores nacionais, mas a compensação é dada pela própria floresta, que quanto mais conservada, melhor pode suportar o desenvolvimento sustentável e o atendimento às demandas humanas dos quase 24 milhões de brasileiros que vivem na região.

É nesta perspectiva que surge o Instituto Amazônia+21, apoiado nas federações de indústria dos nove estados amazônicos, com suporte da CNI e aberta a todos os segmentos produtivos, dos serviços aos agronegócios. Vamos promover negócios sustentáveis com soluções tecnológicas e inovadoras adequadas ao bioma amazônico, conectando grandes empresas e instituições financeiras com linhas de crédito ESG a empresas locais – grandes, médias e pequenas, envolvendo suas cadeias produtivas, comunidades e populações tradicionais.

Cabe comentar alguns gargalos políticos e burocráticos. O Estado não pode tolerar desmatamento, queimadas e garimpos ilegais. Regularização fundiária é outra urgência para proteção da floresta, pois a titulação encaminha a terra para atividades legais, sustentáveis ou de conservação. É preciso refletir se o marco regulatório cumpre ou não a função de proteger os biomas de criminosos sem travar o desenvolvimento sustentável. Um licenciamento ambiental, por mais complexo, não pode se arrastar por anos, até décadas. Há que descomplicar a legislação ambiental e acabar o falso conflito entre sustentabilidade e legalidade. Seria bom o Congresso Nacional dedicar mais alguma atenção ao tema.

O Brasil assumiu compromissos firmes de redução de emissão de gases de efeito estufa e tem recursos para tornar-se protagonista em economia verde. Essa é a única direção possível para a retomada do crescimento, ou melhor, para que o país encontre o rumo do desenvolvimento sustentável. O Instituto Amazônia +21 expressa uma contribuição que vem do Norte por iniciativa empresarial e pela determinação de quem confirma no calor da floresta que a sustentabilidade é o negócio da Amazônia

*Marcelo Thomé é empresário e presidente da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), presidente da Ação Pró-Amazônia e diretor executivo do Instituto Amazônia+21.

O artigo foi publicado nesta quinta-feira (14) no Estadão.

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