O gás é nosso

Em artigo publicado no jornal Diário Catarinense, Glauco José Côrte, vice-presidente executivo da CNI, diz que é imprescindível a abertura do mercado do gás no Brasil

O aumento da oferta e as mudanças regulatórias contribuíram para a queda dos preços e a ampliação da competitividade do gás natural em diversos países. A experiência internacional confirma que a disponibilidade de energia a preços baixos é crucial para o Brasil voltar a crescer e criar empregos.

O país tem muitas riquezas energéticas. Uma delas é o gás natural, que virá da exploração do pré-sal, e abrirá uma oportunidade ímpar para a expansão da economia brasileira. Atualmente, o país produz cerca de 113 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, e a estimativa do governo é alcançar 260 milhões de metros cúbicos diários em 2029. Apenas a exploração da bacia Alagoas-Sergipe deve render 20 milhões de metros cúbicos por dia.

Mesmo com esse potencial, o mercado de gás natural no Brasil enfrenta uma realidade bastante complexa. O consumo está estagnado há quase 10 anos e o preço é um dos mais altos do mundo, por causa de uma série de distorções, que incluem o monopólio de fato da Petrobras, a ineficiência das regulações estaduais e a falta de transparência na formação das tarifas.

Hoje, o valor do gás entregue às distribuidoras no Brasil varia de US$ 8 a US$ 12 por milhão de BTUs, quase o triplo da média de US$ 3 por milhão de BTUs dos Estados Unidos e quase o dobro dos US$ 7 vigentes na Europa. Os valores praticados no Brasil são mais altos até mesmo do que os do Japão, que importa 100% do gás que consome. Lá, a média é de US$ 8.

A abertura do mercado é imprescindível. A boa notícia é que o Novo Mercado de Gás e os desinvestimentos da Petrobras criam as condições para aperfeiçoar a regulamentação do setor, soltar as amarras do mercado, gerar mais eficiência em toda a cadeia e alcançar a esperada redução dos preços.  Cálculos do governo indicam que a queda de 10% nas tarifas do gás deve proporcionar um aumento de 2,1% no Produto Interno Bruto (PIB) industrial a curto prazo.

A indústria aposta no choque de energia barata, que virá com a implementação das medidas anunciadas pelo governo. É importante lembrar que a energia elétrica deixou de ser uma vantagem do Brasil diante de seus concorrentes. A expectativa é que, com a exploração do pré-sal, o gás natural passe a ser o  protagonista da competitividade energética da indústria e do país.

O artigo foi publicado na segunda (29), no jornal Diário Catarinense.  

Glauco José Côrte é vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI)

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