Inovações impulsionam saúde e segurança na indústria

Projetos tecnológicos desenvolvidos nos Centros de Inovação implantados pelo SESI visam ao cuidado com o colaborador em seu local de trabalho
Inovação: sistema de inteligência reúne dados que ajudam gestores no controle de segurança e saúde

A construtora catarinense Pasqualotto&GT está erguendo o maior edifício da América Latina: duas torres de 280 metros em Balneário Camboriú (SC). O complexo residencial, que será concluído em 2020, já tem 56 andares – de um total de 81 – e, à medida que a construção fica mais distante do solo, aumentam os riscos de acidentes. Para garantir mais segurança aos 300 trabalhadores envolvidos na obra, a empresa aposta em uma tecnologia pioneira de inteligência artificial que monitora em tempo real riscos no canteiro de obras.

Conhecida como SEIF (sigla para Segurança, Informação e Formação), a ferramenta é composta por sensores, embutidos em capacetes de trabalhadores, que mapeiam situações de risco no ambiente de trabalho. As informações captadas são enviadas a um aplicativo acessível aos gestores de segurança e saúde da empresa para a tomada de decisão. Entre os riscos avaliados, por exemplo, está a entrada de empregados não autorizados em locais de serra e vergalhões. “É possível acompanhar instantaneamente os riscos por smartphone e impedir o acesso a essas áreas”, explica o diretor da construtora Alcino Pasqualotto.

Desenvolvida pelo Centro de Inovação em Tecnologias para a Saúde do Serviço Social da Indústria (SESI), a SEIF está em fase de testes. Sua função principal é reforçar a gestão presencial de técnicos de segurança do trabalho. “Além de contribuir para atender a aspectos legais de segurança e saúde no trabalho, a tecnologia mapeia o comportamento dos trabalhadores na obra e, em caso de irregularidades, verifica a necessidade de treinamentos”, explica Marcelo Tournier, diretor do Centro de Inovação do SESI. Segundo ele, construtoras e empresas de mineração e siderurgia estão de olho na inovação, que será disponibilizada ao mercado ainda neste ano.

Projetos tecnológicos, como a SEIF, são criados nos oito Centros de Inovação do SESI. Pesquisa feita pela entidade mostra que, para 76,4% dos gestores, a importância dada pela indústria brasileira ao tema crescerá nos próximos cinco anos. “Esse aparato tecnológico à disposição da indústria segue a tendência de atenção crescente do setor em relação à segurança e à saúde no trabalho”, afirma Paulo Mól, diretor de operações do SESI. Ele explica que o interesse se deve não apenas às exigências legais, mas também porque o cuidado com o trabalhador melhora a competitividade ao reduzir afastamentos e reflete positivamente no clima organizacional, na reputação e na imagem institucional.

Para apoiar as indústrias, o SESI criou um canal na internet em que empresas podem solicitar apoio em projetos de melhoria da saúde laboral. Interessados podem acessar o site e  inserir os dados da empresa e descrever os problemas a serem solucionados.

PLATAFORMA DE INTELIGÊNCIA - As novidades geradas nos Centros de Inovação do SESI em parceria com indústrias brasileiras estão conectadas ao SESI Viva+, plataforma de inteligência que apoia gestores nas melhorias e estimula os trabalhadores a criar rotinas saudáveis. Nela estão reunidos dados sobre saúde e hábitos dos profissionais, notícias e artigos sobre o assunto, dicas de adoção de hábitos sadios e informações sobre serviços.

Entre os benefícios oferecidos está a gestão de dados de segurança e saúde no trabalho para o eSocial, sistema que envia ao governo informações unificadas relativas a relações trabalhistas. Empresas cadastradas no SESI Viva+ receberão um sistema com os programas legais parametrizados conforme exigências do eSocial, com módulos de análise de riscos, saúde e segurança laboral, entre outros. “Embora a inserção de dados relativos à segurança e saúde do trabalho no eSocial seja obrigatória somente a partir de 2019, é importante que as empresas se preparem desde já para as mudanças”, alerta Paulo Mól.

Com isso, as indústrias podem monitorar afastamentos por doenças, acidentes de trabalho e indicadores que impactam o fator acidentário de prevenção (FAP), índice que integra o cálculo de contribuição de incidência de afastamentos acidentários. Outra novidade é o acompanhamento online da gestão de segurança e saúde laboral na cadeia de fornecedores, já que as empresas têm responsabilidade subsidiária em relação a empregados terceirizados.

O texto foi publicado na revista Veja de 24 de julho de 2018.

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