Educação deve ser fortalecida para formar o profissional do futuro, defende presidente da CNI

Qualificação de trabalhadores foi um dos temas do debate realizado pela CNI e por seis centrais sindicais nesta quinta-feira (24), no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro

O processo de transformação do trabalho exige diálogo entre empresas e trabalhadores na preparação para o novo cenário trazido por inovações tecnológicas e consequentes mudanças nas formas de produção. Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, já é possível identificar as novas qualificações e habilidades necessárias, mas é preciso fortalecer a educação para que o trabalhador brasileiro esteja preparado para a indústria do futuro e o futuro do trabalho.

“Imaginamos que em um prazo de cinco a dez anos o mundo vai estar mudado. O Brasil tem situações diferentes em cada uma de suas regiões e não é possível imaginar que vamos qualificar todos os trabalhadores da mesma forma, nas mesmas tecnologias. No SENAI, pesquisamos, analisamos, buscamos entender o mundo, a indústria do Brasil e tentamos mostrar o caminho que devemos seguir, como devemos formar o cidadão que vai trabalhar na indústria do futuro”, afirmou Robson Braga de Andrade na abertura do Seminário Pelo Futuro do Trabalho, nesta quinta-feira (24).

Realizado no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, o seminário é uma parceria da CNI com as principais centrais sindicais do país –CUT, Força Sindical, UGT, CSB, Nova Central (NCST) e CTB– para fomentar o debate em torno do desafio de qualificar e requalificar milhões de trabalhadores brasileiros para a Quarta Revolução Indústria, ou a Indústria 4.0. Durante o evento, especialistas, trabalhadores e representantes da indústria debateram o cenário mundial e brasileiro de transformação das profissões, do emprego e da produção.

VELOCIDADE - Segundo o presidente da CNI, a velocidade das transformações em curso tem suscitado projeções alarmistas sobre o mercado de trabalho e a possível substituição de humanos por máquinas. Nos próximos anos, funções repetitivas devem ser automatizadas, mas novas ocupações surgirão, exigindo habilidades dos trabalhadores que precisam ser identificadas para que a força de trabalho seja treinada e capacitada para as novas demandas.

“O conhecimento, as qualificações e as habilidades necessárias para o exercício das funções também mudarão, mas o trabalho humano continuará sendo essencial”, defendeu Andrade.

O Mapa do Trabalho Industrial do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) – a principal instituição de formação e qualificação do trabalhador brasileiro para a indústria –, estima que 10,5 milhões de pessoas terão de se qualificar até 2023 para acompanhar as mudanças no mercado de trabalho. “A educação profissional é um dos pilares para o avanço da inovação, o aumento da produtividade da indústria e o crescimento sustentado da economia”, ressaltou o presidente da CNI.

Os presidentes da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), José Calixto, e da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Antônio Neto, destacaram a necessidade de diálogo entre empresários e trabalhadores, para que os novos empregos sejam de qualidade. “Queremos um futuro melhor, em que haja máquinas, inteligência artificial, desenvolvimento da indústria, mas principalmente respeito à pessoa humana”, disse Calixto. “Precisamos de uma retomada do diálogo de forma propositiva, que envolva dois eixos: o papel da indústria, para reindustrializarmos o Brasil, e a geração de empregos de qualidade”, complementou Antônio Neto.

Presente também à abertura do seminário, o secretário de Políticas Públicas para o Emprego do Ministério da Economia, Fernando Hollanda, afirmou que o governo federal vem trabalhando para ofertar programas que respondam aos desafios do novo mercado de trabalho. Para ele, a estratégia de qualificação profissional deve ser alinhada à demanda das empresas e incluir as competências socioemocionais (softskills). Hollanda contou que discute com o SENAI a definição de uma metodologia que ajude os jovens “aprenderem a aprender”. “Os jovens, que estão permanentemente conectados, dizem em pesquisas que não gostam de cursos à distância (EAD), em que é preciso ter disciplina, aprender sozinho. Precisamos permitir que o jovem consiga isso desde o início da sua escolarização”, defendeu.

PAPEL DAS EMPRESAS - Palestrante do evento, a vice-presidente de Recursos Humanos da Coca-Cola Brasil, Simone Passini Grossmann, avaliou que as empresas também precisam se engajar na necessária mudança do ambiente de trabalho. Segundo ela, a atual forma de organização das companhias já não faz sentido diante de equipes que são multifuncionais, trabalham de forma virtual e possuem diversas formas de contratação. “Hoje é tudo muito dinâmico, muito rápido e é difícil para os trabalhadores e para as companhias porque a gente ainda considera o paradigma anterior”, afirmou.

Para ela, as empresas precisam ajudar o trabalhador a passar por um novo mundo mais complexo, em que não há certezas. Nesse sentido, as companhias precisam levar em conta aspectos como a experiência do profissional no ambiente de trabalho, diversidade e inclusão de pessoas, as novas formas de trabalhar e o desenvolvimento de lideranças. “A mudança de mentalidade da liderança é muito importante”, afirmou. “Precisamos tratar as pessoas como seres humanos e não como apêndices de máquinas que vão apenas fazer trabalhos produtivos”, defendeu

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