FORTALEZA (CE) - Uma ideia que surgiu durante a lavagem de um carro ajudou a reduzir em 83% o consumo de água em uma etapa da produção de jeans na Benatêxtil, em Fortaleza. A solução utiliza espuma no tratamento das peças e foi proposta pela gerente da fábrica, que percebeu a possibilidade de adaptar o método de limpeza de veículos ao processo industrial. Antes da mudança, uma carga de 60 kg exigia 1.800 litros de água; com a espuma, o volume caiu para 300 litros.
A solução foi apresentada nesta quinta-feira (8), durante visita técnica que encerrou o Encontro Nacional de Gestores do Programa de Apoio à Competitividade das Micro e Pequenas Indústrias (Procompi), realizado em Fortaleza. Gestores de diferentes estados conheceram tecnologias utilizadas pela empresa para economizar água, reduzir o uso de produtos químicos e tornar os processos produtivos mais eficientes.
Laser e ozônio reduzem uso de produtos químicos
A Benatêxtil também utiliza laser para criar desenhos e efeitos de desgaste no jeans, substituindo a aplicação de produtos químicos em parte do processo. Entre os acabamentos estão os chamados “bigodes”, marcas que simulam as dobras formadas pelo uso da calça na região das coxas. Com o laser, esses efeitos são reproduzidos diretamente no tecido. A fábrica ainda usa ozônio nos processos de lavagem para diminuir a necessidade dos agentes químicos.
As tecnologias foram apresentadas por Paulo Rabelo Pinheiro, presidente do Sindicato das Indústrias de Confecção de Roupas e Chapéus de Senhoras no Estado do Ceará (SindRoupas) e diretor de Inovação da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC).
Durante a visita, Paulo também destacou a importância dos trabalhadores na melhoria dos processos industriais. Dos 54 empregados da Benatêxtil, 50 atuam no chão de fábrica e 4 na área administrativa. A solução com espuma, proposta pela gerente da unidade, mostra como o conhecimento de quem acompanha a produção pode contribuir para o uso mais eficiente dos recursos.
Reduzir uso de lenha é próximo desafio
A Benatêxtil também busca alternativas para diminuir a dependência da lenha em suas operações. A fábrica já utiliza resíduos de madeira e briquetes de algodão, mas ainda procura soluções para reduzir o consumo de lenha. “Meu sonho é acabar com a lenha”, afirmou Paulo durante a visita.
A busca por processos mais eficientes e pelo uso racional de recursos esteve entre os temas discutidos no Encontro Nacional de Gestores do Procompi, realizado nos dias 7 e 8 de outubro. Desenvolvido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o programa apoia projetos voltados ao aumento da produtividade e da competitividade das micro e pequenas indústrias brasileiras.






