FORTALEZA (CE) - O clima úmido de Fortaleza não esconde o calor da recepção. Na Casa da Indústria, sede da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), frutas tropicais e café receberam gestores de 21 estados para a abertura do Encontro Nacional de Gestores do Procompi do Programa de Apoio à Competitividade das Micro e Pequenas Indústrias (Procompi), iniciativa conjunta da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em parceria com as federações estaduais.
Entre abraços e conversas ao redor da mesa, os representantes estaduais iniciaram, nesta quarta-feira (7), 2 dias de troca de experiências. O reencontro acontece durante a transição entre o encerramento do ciclo atual e a construção da próxima fase da parceria nacional.
A questão central do evento é como fazer a iniciativa acompanhar empresas que cresceram, incorporaram novas tecnologias e hoje enfrentam desafios diferentes daqueles de alguns anos atrás.
O presidente da FIEC, Ricardo Cavalcante, defendeu que as instituições mantenham esse olhar atento sobre as necessidades reais do setor produtivo.
“A gente precisa compreender que, mesmo diante de tantas dificuldades, temos uma indústria que está crescendo. Há alguns anos, uma pequena empresa cearense do setor de sorvetes ingressou no Procompi. O negócio avançou e hoje é a maior fábrica do Nordeste e a quarta maior produtora de sorvetes do país. Essa empresa cresceu e agora precisa apoiar seus fornecedores para que cresçam juntos. Precisamos colocar nas prateleiras o que o mercado procura hoje e criar soluções novas para problemas novos”, pontuou Cavalcante.
Um ciclo termina, outro começa a ser desenhado
O superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira, definiu o momento como um ponto de transição. O ciclo atual entra em sua etapa final, com a prestação de contas prevista até março de 2027, enquanto gestores começam a desenhar a próxima fase da parceria.
“É um momento de celebração porque estamos fechando um ciclo, mas também porque estamos incorporando uma nova visão, um novo olhar”, afirmou.
Segundo Silveira, o programa acumulou trajetórias transformadoras com reflexos diretos na geração de emprego, renda e desenvolvimento regional. “A ideia é termos um Procompi a serviço de um grande propósito. Precisamos de uma atuação versátil o suficiente para acolher as demandas reais trazidas pelos sindicatos e territórios, conectando essas necessidades locais a um portfólio integrado com as forças do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), do Sebrae e do Instituto Euvaldo Lodi (IEL)”, destacou.
Juntos pela Indústria amplia conexão entre soluções
A nova fase do Procompi é planejada em sintonia com o avanço do movimento Juntos pela Indústria, aliança estratégica entre o Sebrae e o Sistema Indústria estruturada em torno de cinco desafios: produtividade, transformação digital e inovação; sustentabilidade; desenvolvimento humano e bem-estar; acesso a mercados; e ambiente de negócios e econômico.
Fábio Krieger, do Sebrae Nacional, lembrou que a parceria em torno do Procompi ultrapassa duas décadas de atuação conjunta.
“A maior inovação que podemos ter é trabalhar cada vez mais em conjunto, porque somos complementares. O Procompi precisa ser reforçado nas necessidades específicas, nos fatores críticos e nos gargalos de cada cadeia produtiva, sindicato e território, em vez de focar apenas em frentes nacionais e comuns onde já temos programas estruturados. O grande valor do programa é customizar soluções inovadoras e transformadoras para a competitividade local, garantindo convergência com o Juntos pela Indústria sem gerar concorrência interna no nosso ecossistema”, ressaltou Krieger.
A estratégia prevê planos setoriais e territoriais que unem diretrizes nacionais ao diagnóstico das realidades locais, permitindo mapear prioridades tecnológicas e produtivas de cada região.
Conheça 3 casos práticos de sucesso apoiados pelo Procompi:
Produzir bem também é ser encontrado
No setor de alimentos, André Siqueira apresentou a plataforma Conecta Alimentos, desenvolvida a partir da percepção de disparidades na presença digital dos pequenos negócios.
“Percebemos no sindicato que produzir bem precisa estar aliado a se fazer encontrar, e a ausência digital ainda era uma barreira para muitos negócios. Com o apoio do Procompi, desenvolvemos o Conecta Alimentos, criando uma plataforma simplificada e eficiente que funciona como vitrine digital e aproxima as micro, pequenas e médias empresas de novas oportunidades de negócios”, explicou Siqueira. O canal reúne vitrines virtuais para produtores de rações, temperos, proteínas animais e polpas de frutas.
Inovação que nasce dentro da fábrica
Em outra experiência, a inovação nasceu da própria rotina da linha de produção. Paulo Rabelo Pinheiro, presidente do SindRoupas e diretor de Inovação da FIEC, detalhou os resultados de um projeto de gestão da inovação que envolveu diretamente as equipes de fábrica na solução de problemas.
Ao criar comitês internos, costureiras, cortadores e operadores passaram a participar das decisões de processo. Em uma das empresas, uma costureira que havia atuado profissionalmente em Portugal apresentou melhorias operacionais até então não identificadas pela gestão.
“Quando botaram ela na mesa junto com os empresários para discutir o posicionamento da empresa, ela começou a dar boas ideias e começou a ajudar”, relatou Pinheiro. O impacto veio nos balanços: uma das indústrias participantes dobrou o faturamento e outra, antes em situação deficitária, reequilibrou as contas e retomou resultados positivos.
Sustentabilidade precisa virar gestão
Transformar compromissos ambientais e sociais em práticas passíveis de monitoramento e mensuração foi outro desafio apresentado no encontro. Dani Tavares, fundadora da We Seed, mostrou como o Procompi ajudou a estruturar esse trabalho a partir dos princípios ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês).
“O Procompi trouxe esse chão de estruturas, sobretudo na perspectiva do ESG”, afirmou Dani. Para ela, a governança é essencial porque permite organizar evidências, conferir transparência às ações e aferir o que efetivamente foi realizado pelas empresas.
Confira todas as fotos do 1º do Encontro Nacional de Gestores do Procompi:
A prática que constrói o futuro
No período da tarde, as discussões avançaram para a oficina "Construindo o Futuro do Convênio — Aperfeiçoamento dos Projetos Estaduais", dedicada a mapear diretrizes para os próximos anos.
A dinâmica começou com uma proposta simples: um QR code e uma pergunta. “Quais conquistas do Procompi devem ser preservadas em futuros convênios?”
Parece uma pergunta fácil até se pensar no que está por trás das respostas. As escolhas feitas ali ajudam a definir os rumos de projetos que chegarão a pequenas indústrias de diferentes regiões do país.
E essa diversidade estava ao redor da própria mesa. De um lado, um gestor do Paraná. Do outro, uma representante de Goiás. À esquerda, uma participante de Curitiba. Logo atrás, um gestor de Minas Gerais. Diferentes sotaques, experiências e realidades reunidos para responder à mesma pergunta.
A pluralidade ajuda a explicar o próprio Procompi. Assim como as pequenas indústrias brasileiras são diversas, os problemas que chegam ao programa também são. Por isso, as respostas dificilmente poderiam ser únicas.
As contribuições dos gestores apareciam em tempo real no telão. Eram muitas e seguiam caminhos diferentes, mas convergiam em um ponto: criar condições para o crescimento e o desenvolvimento das pequenas indústrias.
A programação continua na quinta-feira
O Encontro Nacional de Gestores do Procompi continua nesta quinta-feira (8), com a apresentação de projetos e com a segunda etapa da oficina de aperfeiçoamento dos planos estaduais. No período da tarde, haverá uma visita técnica às instalações da Benatêxtil, indústria cearense do segmento de beneficiamento e lavanderia de jeans. Acompanhe a cobertura completa na Agência de Notícias da Indústria.







