A circularidade precisa ser uma prática padrão, afirma ex-presidente da Finlândia

Tarja Halonen defendeu boas práticas em circularidade como instrumento de justiça social durante Fórum Mundial de Economia Circular

Amplamente conhecida por seu interesse em questões de direitos humanos, especialmente das mulheres, Tarja Halonen ex-presidente da Finlândia foi a convidada especial da abertura do Fórum Mundial de Economia Circular, realizada nesta terça (13), em São Paulo.

Tarja Halonen esteve à frente da Presidência da Finlândia de 2000 a 2012, sendo a primeira mulher eleita para o cargo. Hoje, o país é reconhecido internacionalmente como uma referência em economia circular.


“Chegamos ao ponto de não retorno do planeta. A circularidade precisa ser uma prática padrão para impedirmos isso”, alertou a ex-presidente. Segundo Halonen, apenas 14% das empresas investem em soluções circulares. “Temos que reduzir o consumo excessivo de recursos. Nós já sabemos de todos os problemas. Agora é momento de ação. Precisamos de novas ideias”, disse.


Circularidade como alternativa para a justiça social 

Halonen destacou que investimentos em economia circular são uma estratégia de impacto social. “Não é só uma questão ambiental, é uma ferramenta de promoção de paz e justiça social. Precisamos repensar como medimos sucesso e bem-estar. A circularidade é a maneira nova e obrigatória de vermos o mundo. E eu garanto a vocês que isso trará um futuro melhor para todos nós”, afirmou. 

O processo democrático e inclusivo foi outro ponto abordado. “Para que os benefícios da circularidade alcancem toda a população, precisamos garantir uma participação equalitária. Políticas públicas e internacionais são fundamentais nesse processo, especialmente as de equidade de gênero. As mulheres são metade da população mundial. Precisamos defender esses direitos, afinal, já sabemos que a crise mundial afeta com mais dureza mulheres e meninas”, ponderou. 

Durante o discurso, Halonen reafirmou a importância dos povos originários, que hoje representam somente 5% da população global. “Porém, eles são responsáveis pela preservação de 80% da biodiversidade mundial. O conhecimento é muito importante, foi com eles que aprendemos o viver sustentável”, garantiu. 

A ex-presidente falou da distância física entre Finlândia e Brasil, destacando a diferença populacional: enquanto o Brasil tem mais de 210 milhões de pessoas, a Finlândia conta com 5,5 milhões de habitantes.

“Estamos muito longe fisicamente, mas com certeza estaremos juntos a partir de hoje. Cooperação e networking são tão necessários quanto dados e reutilização de insumos”, pontuou, valorizando a importância do fórum, que acontece pela primeira vez na América Latina e Caribe. 

Finlândia, uma referência global em economia circular 

A economia circular tornou-se uma prioridade estratégica para a Finlândia em 2016, tanto global quanto nacionalmente, quando o país passou a investir nessa área. Hoje, a Finlândia é considerada um dos líderes globais na implementação da economia circular, sendo pioneiro em iniciativas de reciclagem de resíduos e preservação dos recursos naturais. Em 2035, o país pretende se tornar uma economia de carbono neutro.

Sobre o WCEF2025

Fórum Mundial de Economia Circular (WCEF2025) será realizado de 13 a 16 de maio. Nos dias 13 e 14, a programação principal ocorrerá no auditório Ibirapuera, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Já nos dias 15 e 16, as sessões de aceleração serão promovidas por organizações parceiras em diversos locais da cidade e do mundo.

A iniciativa é promovida pelo Fundo de Inovação da Finlândia (Sitra), em parceria com a FIESP, CNI, SENAI e SENAI-SP.

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