SESI Lab recebe crianças e adolescentes para comemorar 36 anos do ECA

Evento promovido pelo Ministério Público reuniu quase 200 participantes para uma tarde de brincadeiras, descobertas e construção de futuros

Crianças e adolescentes participaram de atividades educativas, oficinas e experiências interativas no SESI Lab durante celebração dos 36 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Foto: Matheus Leocádio / SESI Lab

Prioridade absoluta na proteção, no cuidado, na educação, na cultura e nas oportunidades para desenvolver plenamente seus talentos e potencialidades: assim pode ser resumido o Estatuto da Criança e do Adolescente, o famoso ECA. Para celebrar os 36 anos de uma das leis mais importantes do país, o SESI Lab abriu as portas na sexta-feira (7) para uma tarde de jogos, brincadeiras, encantamento e descobertas para cerca de 180 crianças e adolescentes em situação de acolhimento institucional e em cumprimento de medidas socioeducativas. 

O evento foi promovido pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e contou com apoio institucional do museu de arte, ciências e tecnologia. Segundo Claudia Ramalho, superintendente de Cultura do Serviço Social da Indústria (SESI), o SESI Lab foi concebido para despertar a curiosidade, estimular o pensamento crítico e ampliar horizontes. 

“O acesso à ciência, à arte, à cultura e à tecnologia não é um privilégio, mas um direito e uma ferramenta poderosa para promover inclusão, reduzir desigualdades e construir cidadania”, afirmou Claudia na abertura do evento. “Mais do que um espaço de exposições, o SESI Lab é um ambiente de encontro, de descoberta e de pertencimento, onde cada criança e cada adolescente é convidado a perguntar, experimentar, criar e imaginar novos futuros.” 

Claudia Ramalho também prestou homenagem ao pedagogo Antônio Carlos Gomes da Costa, um dos principais formuladores da doutrina da proteção integral, falecido em 2011. “Sua atuação foi decisiva para a construção do ECA e para consolidar uma visão que substituiu a lógica da tutela pela lógica dos direitos, da autonomia e do protagonismo juvenil”, explicou. “Antônio Carlos costumava afirmar que ‘educar é criar espaços para que o jovem descubra a força transformadora que existe dentro de si’. Essa ideia dialoga profundamente com a missão do SESI Lab.” 

Na abertura do evento, o procurador-geral de justiça em exercício, Nísio Tostes, reafirmou o compromisso da sociedade em criar oportunidades para que cada jovem desenvolva seus talentos e construa seu próprio projeto de vida. “Proteger é garantir que crianças e adolescentes tenham oportunidade para aprender, descobrir talentos, desenvolver suas capacidades, fazer escolhas responsáveis e construir seus próprios projetos de vida. Uma única experiência pode mudar uma trajetória. Uma conversa pode despertar uma vocação. Um experimento pode revelar um talento”, afirmou. 

A promotora de justiça Luisa de Marillac elogiou a iniciativa de levar crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade a espaços culturais. “Quando trazemos esse público para um ambiente como o SESI Lab, estamos dizendo que eles são iguais a todas as outras crianças e adolescentes, que têm os mesmos direitos e merecem o mesmo respeito. A cidade existe para eles porque eles são cidadãos.” 

Evento reuniu crianças e adolescentes em uma tarde de oficinas, jogos e experiências interativas voltadas à ciência, cultura e cidadania. Foto: Matheus Leocádio / SESI Lab

Construção de si 

O SESI Lab sediou as atividades e preparou uma oficina educativa exclusiva para a ocasião. Intitulada Vozes em Cartaz, a atividade convidou os participantes a criarem frases a partir de palavras sorteadas e transformá-las em cartazes autorais produzidos com carimbos. A proposta estimulou a criatividade e promoveu reflexões sobre direitos, sonhos e potencialidades de crianças e adolescentes. A Universidade de Brasília (UnB) também levou jogos e oficinas para o evento. 

A adolescente Anna Victória sairá do acolhimento este ano e, para ter apoio neste processo, participa do projeto Territórios da Construção de Si, desenvolvido pela Fiocruz em parceria com o MPDFT. Ela destacou em sua fala a importância de mais crianças e adolescentes terem contato com o ECA, “para garantir que a gente tenha direitos, voz e cuidado”. “Quanto mais conhecemos nossos direitos, mais preparados ficamos para construir o nosso futuro”, afirmou. 

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