O que é saúde figital e como ela está mudando as linhas de cuidado

O tema, cada vez mais presente na vida dos brasileiros, foi discutido durante o Conecta Saúde 2026, em São Paulo

Foto: Shutterstock

Você já ouviu falar no termo figital? Não, a grafia não está errada. A expressão descreve algo que não é físico e nem digital, mas uma junção dos dois. A regra normativa já existe, mas ainda está sendo implementada nos dicionários da língua portuguesa. O conceito, no entanto, é muito mais comum do que se imagina. 

É o caso daquela compra feita em uma loja online com a opção "retirada na loja"; ou do totem usado para pagar as compras do mercado em vez de enfrentar uma fila gigantesca e um atendimento nem sempre tão amigável. Esses são exemplos do figital que, por mais imperceptíveis que pareçam, já fazem parte do dia a dia do brasileiro – inclusive na área da saúde. O tema foi um dos destaques do Conecta Saúde deste ano, evento do Serviço Social da Indústria (SESI) e Conselho Nacional do SESI (CN-SESI) realizado anualmente para discutir tendências da área. 

Isso mostra que o figital vai além do comércio e dos serviços: é a interseção entre o mundo físico e o digital também nas ciências e no conhecimento. 

Para o palestrante indiano Hitendra Patel, que é líder global em inovação e CEO da empresa internacional de consultoria em gestão IXL Center, o conceito figital foi criado porque o ser humano ainda tem dificuldade para entender o funcionamento do "híbrido". Para ele, o digital mudou para sempre a forma que vivemos e criamos. 

"É importante ressaltar que, quando o figital aconteceu nos bancos e na segurança, tudo melhorou muito. Na saúde, esperamos que tenhamos vidas mais longas, vitalidade, bem-estar prologado e uma saúde que se reflita em alegria. O figital veio para nos dar mais do que já tivemos antes, mas é uma estrutura que precisa ser transformada para trazer benefícios", explica Patel. 

Já o diretor do Programa Saúde Digital do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), Carlos Carvalho, acredita que as soluções digitais estão se "infiltrando" na área da saúde, ainda de maneira "desordenada". O país precisa, segundo o médico, de uma política pública que ordene as soluções para os próximos 20 anos. 

"Nós não temos uma política para ter o país conectado, para ter um sistema integrado em saúde primária, secundária e terciária. Precisamos de um projeto de nação e de Estado para o figital, dizendo onde queremos estar daqui a 20 anos. 

Fragmentação ainda é um problema para o figital 

Uma das palavras mais faladas durante o Conecta Saúde 2026, a fragmentação ainda representa um problema tanto para o sistema de saúde quanto para o figital. Isso acontece porque apesar de o mundo estar cada vez mais digitalizado, na saúde ainda existem exames que ficam apenas em papéis; prontuários que ficam somente em arquivos e informações de hospitais públicos que não são compartilhadas com hospitais privados, por exemplo. 

"A fragmentação é, atualmente, nosso maior problema. Precisamos unificar os dados. Isso é um assunto global! Estamos usando a palavra fragmentado porque médicos, pacientes e indústria da saúde não dialogam. Nós temos uma fragmentação de oferta e de demanda, podemos usar as plataformas tecnológicas para resolver isso", pontua Hitendra. 

Carlos Carvalho explica que Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP possui três plataformas de monitoramento de pacientes que não têm ligação uma com a outra, mesmo dentro do mesmo hospital. Isso, em territorialidade, amplia drasticamente o problema ou a solução. 

"A partir do instante que a gente tem os dados do paciente e tem os dados eletrônicos, nós conseguimos usar inteligência artificial (IA) preditiva, baseada nos dados da nossa população. O problema da maioria das IAs generativas de hoje é que os dados gerados se baseiam em dados de populações menos miscigenadas que a nossa, como a chinesa e a norte-americana", explica o Carvalho. 

Figital é aliado da prevenção

Samsung Galaxy Fit, Apple Watch ou o famoso Garmin. Quem nunca pensou em ter um relógio inteligente para monitorar os batimentos cardíacos, quantos passos deu em um dia ou se está dormindo bem? Essas são algumas das formas de prevenção que a tecnologia já permite termos com a saúde. 

A prevenção, entre outros objetivos, está ligada à queda de custos despendidos com a saúde. Monitorar as taxas de açúcar no sangue ou a pressão arterial já evita ser surpreendido, por exemplo, com uma hospitalização proveniente de doenças pré-existentes. 

“Com o figital sendo utilizado na saúde, o custo cai drasticamente porque as pessoas previnem antes de serem hospitalizadas. É natural que todo mundo fique doente, mas essa é a grande diferença do figital. Um simples relógio no seu braço consegue te dar um panorama sobre seu bem-estar e saúde”, argumenta o líder indiano. 

Conecta Saúde 

Promovido pelo Serviço Social da Indústria (SESI), Conselho Nacional do SESI (CN-SESI), com apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), a segunda edição nacional do Conecta Saúde aconteceu no dia 1° de setembro. 

O encontro reuniu mais de 500 participantes, entre lideranças empresariais, gestores públicos, representantes do setor de saúde e especialistas para refletir sobre a saúde integral. 

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