Novembro Azul: “O corpo é como um carro, com manutenção ele dura mais”, afirma médico do SESI

Médico do SESI defende, no Novembro Azul, que o cuidado do homem vá além do câncer de próstata e inclua prevenção integral, hábitos saudáveis e superação de barreiras culturais

Foto: Shutterstock

Considere o corpo como o veículo que o acompanha todos os dias. Não adianta trocar apenas o limpador de para-brisa se os freios estão gastos e o óleo vencido. Ele pode até seguir rodando, mas a pane é questão de tempo. “Com o corpo é igual”, compara o médico e especialista em desenvolvimento industrial do Serviço Social da Indústria (SESI), Rafael Ramos.

“Focar só na próstata e deixar de lado a pressão, o açúcar no sangue, o colesterol, o peso, o estresse, o cigarro e o sedentarismo é dirigir no vermelho achando que está tudo bem”, acrescenta, mencionando que é comum, em sua rotina, atender pacientes que pedem apenas exames específicos e deixam de lado a prevenção.

O médico explica, ainda, que o adoecimento masculino resulta da interação entre fatores biológicos e comportamentais. “Muitos homens foram socializados para suportar dor, não expor fragilidades e só buscar atendimento quando o quadro já está avançado”, afirma.

Apesar da importância de cuidar da saúde como um todo, os dados mostram que o câncer de próstata ainda é uma das maiores preocupações entre os homens. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 71 mil novos casos por ano até o final deste ano. Em 2023, mais de 17 mil brasileiros perderam a vida em decorrência da doença, conforme dados do SIM/DATASUS.

Cuidado integral e sinais de alerta

Segundo o médico, o rastreamento deve ser individualizado, considerando idade, histórico e fatores de risco. Para homens entre 50 e 69 anos, recomenda-se discutir com o profissional de saúde a realização do PSA (Antígeno Prostático Específico), avaliando com clareza cada caso. Já para aqueles com maior vulnerabilidade, essa avaliação deve ser iniciada a partir dos 45 anos. Em geral, acima dos 70 anos o exame oferece menos ganho clínico e costuma ser desaconselhado.

“Ir ao médico e se preocupar com a saúde não é sinal de fraqueza, é atitude de quem quer viver com mais qualidade”, ressalta Ramos.

Para Rafael, o cuidado começa pelo essencial. Muitas queixas que chegam ao consultório, como cansaço ou queda de disposição, que acabam sendo atribuídas a falta de hormônio ou à necessidade de um exame isolado, mas, após avaliação, o que se observa com frequência é um conjunto de hábitos desorganizados: tabagismo, sedentarismo, sono insuficiente e alimentação inadequada. Quando esses fatores são ajustados, há melhora do peso, da pressão e da energia. “O exame pode ser o ponto de partida, mas o ganho real vem das mudanças de comportamento”, resume.

Na avaliação do médico, prevenir é, antes de tudo, fazer bem o básico. Ele sintetiza esse cuidado em cinco práticas: atividade física regular, alimentação mais natural, sono adequado, abandono do tabagismo e do excesso de álcool e atenção à saúde emocional.

“Cuidar da saúde não precisa ser complicado. Às vezes, começa com uma conversa, uma aferição de pressão ou uma boa noite de sono. Quando o homem entende o motivo de cada exame e se sente parte do processo, o cuidado deixa de ser peso e vira escolha consciente”, finaliza Rafael Ramos.

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