
Valendo! Começou hoje o Festival SESI de Robótica Off Season, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro (RJ). Esse é o último evento da temporada e, durante os três dias de competição, as equipes terão a oportunidade de corrigir falhas, testar técnicas, colocar novos integrantes para disputar uma competição oficial e se preparar para o próximo ano.
O torneio vai até sábado (5), com a participação de 800 estudantes de 23 estados e do Distrito Federal, que disputam as modalidades FIRST Robotics Competition (FRC), FIRST Tech Challenge (FTC) e F1 in Schools. Nesta quarta-feira (2), foi só o aquecimento para a competição, com a montagem dos pits e a abertura.
O impacto da metodologia STEAM – sigla para Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática – na trajetória dos jovens foi um destaque nos depoimentos de voluntários, competidores e representantes do Serviço Social da Indústria (SESI) que falaram na cerimônia. O diretor-superintendente do SESI, Rafael Lucchesi, lembrou que a rede começou essa jornada em 2006, com a implementação do programa de robótica nas escolas.
“Tive uma educação diferente da de vocês, não tinha computador, inteligência artificial e algoritmos. Fazemos a robótica porque a jornada de vocês vai ser diferente da minha. A escola tem que ser um ambiente de colaboração, resolução de problemas e isso é muito importante para o mundo do trabalho. O mundo está se transformando e a escola não pode ser a mesma", defendeu Lucchesi.
Aprendizados e expectativas
Do SESI de Santa Catarina, a equipe Curie veio para competir na categoria F1 in Schools, com a expectativa de acumular prêmios no currículo, contatos para a carreira profissional e histórias para incentivar os próximos integrantes. Para maior parte da equipe, esta é a última competição e a chance de fechar com chave de ouro. “Nosso objetivo é conseguir o primeiro lugar em cada uma das modalidades”, destaca Karolina Pereira.
Ela já está na faculdade de marketing e faz estágio na Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC). “Quando cheguei no curso e tinha atividades para analisar empresas e criar startups, eu já conhecia sistemas e processos de gestão porque já faço isso na robótica desde 2022. Meus colegas ficaram de boca aberta e perguntaram ‘Nossa, mas onde você viu isso? Como você já sabia?”, conta Karol.
Já o Cainâ Constancio começou a investir no próprio negócio com os conhecimentos que adquiriu nas competições e está desenvolvendo uma startup com foco em logística, setor com bastante demanda no mercado de trabalho.
Apesar de ser o encerramento de um ciclo para alguns, o Off Season também é a estreia de outros participantes, como a Giovanna Silva. Esta é a primeira competição da catarinense, que vai colocar em prática os ensinamentos passados pelos veteranos e dará continuidade ao legado da Team Curie. “Estou ansiosa, mas bastante animada e de olho em tudo”, relata Giovanna.
Ao apresentar o evento, o especialista do SESI, Marcos Sousa, reforçou que esse é o espírito da competição: “Esse é um evento off season, não tem classificação para outra etapa. Então vamos aproveitar o coopertition [cooperação + competição], trocar experiência, fazer networking, aprimorar nossas habilidades, dividir aquilo que a gente já sabe. Esse torneio é para celebrar uma temporada incrível que termina agora”.
Reboot no robô
A preparação da nova geração também acontece na categoria FRC. A equipe 9165 Starbots, do SESI SENAI de Betim (MG), veio para o Off Season com uma equipe totalmente feminina e com novidades no robô. “Batizamos ele de Tino JR e, diferente da primeira versão, criamos uma garra, que vai facilitar na coleta de peças e nas missões da arena”, conta a mineira Thaís Alves. Ela já decidiu que vai seguir na Mecânica depois de concluir o ensino médio e um dos planos é fazer um curso técnico na área.
A caloura da equipe de Betim é a Beatriz Cruz. Apesar de ser a primeira competição, ela já sabe com quem a Starbots competiu antes e está preparada para trazer mais prêmios para casa.
Outro robô que foi repaginado para essa competição é o Tupã, da 16051 Marco Zero Enterprise, da Escola SESI Visconde de Mauá, em Macapá (AP). A equipe da FTC veio para o Rio de Janeiro com quatro integrantes, que estiveram no torneio nacional em Brasília em março. De lá para cá, eles não só deram um nome para o robô como também fizeram uma nova decoração para o pit, inspirada nas duas tribos indígenas originárias do estado, e construíram o recém-nascido Tupã do zero.
“O Off Season é uma oportunidade de mostrar um novo trabalho. Tivemos alguns problemas no nacional e pudemos corrigir. Desmontamos nosso robô inteiro. Lá em Brasília, nós vimos o robô de uma outra equipe, a Robossauros, que nos inspirou a fazer o chassi redondo. Demos um significado para isso, nossa apresentação toda tem referências indígenas”, conta João Gomes, que levantou cedo pra labuta e mostrou que merece o troféu 🎶.
João é o engenheiro da equipe e o integrante mais antigo. A Marco Zero começou na FTC em 2018 e, em 2021, João entrou pro time, vindo da FIRST LEGO League Challenge (FLL). Na época, ele compartilhou com os colegas o aprendizado dos valores da FIRST, como trabalho em equipe e competição amigável, e agora já sabe que tem um legado muito maior para a nova geração da Marco Zero. “Esse é meu último ano e já até escrevi cartinha para os novos integrantes", revela.





