“Ok, Google!” Como a IA auxilia os estudantes nos torneios de robótica?

Assistentes de programação, sensores de imagens e ferramentas de edição; conheça as tecnologias utilizadas pelos competidores no regional da FRC

Foto: Equipes no regional da FIRST Robotics Competition (FRC) utilizam ferramentas de inteligência artificial para automatizar processos da robótica. 
Foto: Iano Andrade / CNI

Você já ouviu falar das Três Leis da Robótica? No livro "Eu, Robô", publicado há mais de 70 anos pelo escritor Isaac Asimov, são apresentados três princípios que deveriam guiar o comportamento dos robôs: eles não podem ferir seres humanos; devem obedecer às ordens das pessoas, exceto quando essas ordens entram em conflito com a primeira lei; e, por último, precisam proteger a própria existência. 

Décadas depois, a inteligência artificial se torna cada vez mais presente na vida humana. Ela aparece tanto na execução de tarefas complexas quanto em atividades simples do dia a dia, como enviar uma mensagem de bom dia. Assistentes virtuais, chatbots de conversa, sistemas de reconhecimento facial e editores de imagem são apenas alguns exemplos das tecnologias que já fazem parte da rotina. 

É, com esse tanto de ferramenta se tornou quase inevitável não utilizar a IA para dar “aquela forcinha” para otimizar processos e aumentar a produtividade do nosso dia a dia. E, já que estamos falando de inovação e tecnologia, não foi difícil encontrar equipes no regional da FIRST® Robotics Competition (FRC), aqui em Osasco (SP), que estão utilizando ferramentas de inteligência artificial para automatizar processos da robótica. 

Um dos benefícios da tecnologia é a ampliação de possibilidades que as ferramentas permitem. Durante todo o processo de construção do robô, a IA auxilia os times a solucionarem problemas já existentes, seja na parte mecânica ou na programação do robô, e cria previsões de possíveis obstáculos que possam surgir na execução das missões nas arenas, é o que explica Pedro Oliveira, de 19 anos, mentor da equipe 9178 Cyber One, do Serviço Social da Indústria (SESI) Civit, de Espírito Santo. 

“Dependendo de como você utiliza a IA, ela não é uma vilã, mas sim uma grande auxiliadora”, ressalta o jovem. 

O colega de equipe, Lucas Marinho, 19 anos, detalha como a codificação, processo de traduzir uma informação em uma linguagem de programação que o computador entenda e execute, ficou menos repetitiva e mais prática. 

“A IA é uma grande facilitadora. Quando vamos criar o código, nós já temos a ideia do que queremos fazer, utilizamos a inteligência artificial para entender o caminho, ela auxilia nessa codificação”, destaca o programador do time. 

Lucas também conta que a IA pode ser usada em outras etapas da robótica, como na identificação dos elementos das arenas, por meio de imagens das bibliotecas Java. “Não utilizamos isso ainda, mas tem a possibilidade de fazer o robô captar a imagem, criar um banco de dados e identificar os objetos da arena, trabalhando como um sensor”. 

Aprendemos com a IA ou ensinamos a ela? 

Na verdade, é um aprendizado dinâmico. Ao mesmo tempo que conquistamos avanços e ampliamos possibilidades, a nossa contribuição é essencial para o desenvolvimento e aprimoramento dessa tecnologia. Podemos dizer que ensinamos a IA para que ela possa nos ajudar a aprender e fazemos isso fornecendo dados, regras e comandos para que ela execute as tarefas. 

“A IA, em si, facilita o meio de entendimento dos alunos, o que não compreendemos dentro da programação, ela ensina a forma como podemos trabalhar. Não entregando o resultado, mas sim, ensinando o estudante”, enfatiza Luíz Felipe Dalfrê, 16 anos, programador da equipe 9200 SESI SENAI Stardust, do SESI 005 e SENAI Luiz Varga, de São Paulo.

Luíz Felipe Dalfrê, 16 anos, é programador da equipe 9200 SESI SENAI Stardust, do SESI 005 e SENAI Luiz Varga, de São Paulo

Os times da FRC conhecem o desafio da temporada apenas seis semanas antes da competição, com esse curto prazo de tempo para projetar, programar e construir um robô do zero, qualquer ajuda é sempre bem-vinda.  

Luís explica que tem muitos processos repetitivos dentro da programação, que exigem tempo para serem produzidos, já com a IA, a gestão desse tempo funciona melhor. 

“A lógica central é interagir com a IA para que ela ensine você a programar o robô, corrigindo os problemas que você não identificou ou não sabe corrigir. Falhar é humano, por isso, utilizamos a inteligência artificial para encontrar essas falhas”, conclui.

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13/03/2026 - FRC - Regional Brasil SESI Osasco

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