Houston - O que jovens de mais de 60 países têm em comum? A resposta está na robótica! O tema deixou de ser um assunto restrito a laboratórios de tecnologia para se tornar uma linguagem comum entre jovens de diferentes continentes. Do México à Austrália, estudantes mostram que a disciplina vai muito além de montar robôs e conectar fios: é um caminho para desenvolver lideranças e transformar comunidades.
No México, por exemplo, o ensino de tecnologia ganha força por meio do voluntariado. Jerry Castillo Andrade, de 18 anos, conta que a equipe leva o conhecimento adiante mesmo onde não há aulas específicas. "Nossa equipe oferece oficinas e cursos para diversos níveis de ensino, desde o fundamental até a universidade", explica o competidor da categoria FIRST Robotics Competition (FRC), responsável pela parte mecânica e pela apresentação do projeto de impacto.
Para Jerry, que faz parte da comunidade FIRST, o aprendizado técnico caminha lado a lado com a evolução pessoal. Ele destaca que o ambiente proporciona muito conhecimento e, por meio de habilidades como a comunicação, incentiva cada vez mais os jovens mexicanos a participarem. Para ele, a robótica tem um significado simples e forte: "família".
Do outro lado do oceano, na Austrália, estudantes como Calvin Hua e Luke Jacobsen, ambos com 18 anos, veem os torneios como uma preparação para o mercado industrial. Luke explica que o país possui forte presença nos setores de mineração, aço e baterias, o que faz das competições uma porta de entrada para carreiras técnicas.
“Muitas pessoas passam pela FIRST Robotics Competition, seguem para a universidade ou vão direto para empresas que fabricam máquinas industriais, trabalhando com robótica em grande escala”, afirma. Ainda assim, ao definir o que a robótica significa para ele, Luke resume de forma simples: “diversão”.
Na Índia, a tecnologia também atua como ferramenta de inclusão e, muitas vezes, está ligada a tradições familiares. A competidora Aarya Kurup, de 13 anos, conheceu a robótica por meio do irmão, que já participava de uma equipe da FIRST Tech Challenge, categoria em que ela compete hoje.
Aarya explica que tem aulas de robótica na escola, mas destaca que as universidades têm programas para incentivar e apoiar a formação de equipes e o treinamento dos estudantes. Ela participou do mundial acompanhada pelo pai, que também é o técnico da equipe.
Determinada a seguir na área, Aarya já sabe os próximos passos: “A robótica faz parte da minha vida. Comecei na FLLC, agora estou na FTC e pretendo chegar na FRC. É algo muito importante para mim”, conclui.
No Brasil, a robótica faz parte do currículo do Serviço Social da Indústria (SESI) desde 2012. A instituição foi uma das pioneiras a incluir a disciplina nas salas de aula por todo o Brasil. O reflexo disso é que mais de 45 mil estudantes já participaram dos torneios, acumulando mais de 110 prêmios internacionais na modalidade iniciante FIRST LEGO League Challenge (FLLC), além das conquistas em FTC e FRC.
Este ano, a delegação brasileira é composta por 17 equipes, com alunos das escolas do SESI, além de instituições públicas e privadas de São Paulo (4 equipes), Rio Grande do Sul (2), Distrito Federal (2), Goiás (2), Mato Grosso (2), Minas Gerais (1), Pernambuco (1), Sergipe (1), Espírito Santo (1) e Santa Catarina (1).
“Estar aqui representa a concretização de um sonho: é o resultado de um trabalho que começa na escola, passa pelos clubes de robótica e coloca nossos alunos entre os melhores do mundo”, defende o diretor superintendente do SESI, Paulo Mol.
Confira, a seguir, o depoimento completo do diretor, que acompanhou a delegação brasileira no FIRST Championship 2026:






