Explicando a FIRST Tech Challenge (FTC)

Voltada para estudantes do ensino médio, a categoria faz parte do Festival SESI de Robótica e aproxima os estudantes do mercado de trabalho, por meio dos ensinamentos STEAM e do trabalho em equipe
A competição é voltada para os jovens do ensino médio

Incentivar o interesse pela tecnologia e inovação no ensino fundamental é o que o Serviço Social da Indústria (SESI) faz desde 2013, com a robótica em sala de aula. Com o interesse desses jovens em continuar as pesquisas ao longo do ensino médio, a partir de 2019, a instituição começou a operar as competições da categoria FIRST Tech Challenge (FTC) no Brasil.  

A modalidade, realizada em outros países desde 2005, aproxima ainda mais os estudantes do mercado de trabalho e exige competências diferentes da FIRST LEGO League (FLL). Além de projetar, construir, programar e pilotar um robô de até 19kg, os jovens têm que executar atividades comuns para empresas reais, como estratégia de marketing, plano de responsabilidade social, vendas e engajamento com a comunidade.  

“Como o FTC é voltado para o ensino médio, o objetivo é que o conhecimento adquirido extrapole a escola e impacte a vida da comunidade dessa equipe, ou até mais, em uma escala nacional ou global”, explica Filipe Ghesla, sócio diretor da StemOS – empresa especializada em materiais e kits de robótica para as categorias FTC e FIRST Robotics Competition (FRC).  

Filipe conhece as competições desde quando estudava. O primeiro contato foi durante o ensino fundamental no Colégio Marista Pio XII, em Novo Hamburgo (RS), quando ingressou em um time para disputar na categoria FLL. Na época, a escola já tinha uma equipe de FRC e era o que Filipe almejava. Com o passar dos anos e o bom desempenho, ele passou a integrar a Under Control 1156 (FRC) e, atualmente, segue como mentor da equipe.  

Já a empresa surgiu em 2012, a partir de um projeto de pesquisa de robótica, com o objetivo de auxiliar equipes de todo Brasil nos treinamentos dessas categorias mais avançadas. “Nós decidimos fazer essa ponte entre os competidores e as fabricantes, diminuindo a burocracia, para que as equipes de escolas públicas, privadas ou de garagem, possam adquirir as peças importadas e treinar para as competições nacionais e internacionais”, explica Ghesla.

Filipe (com o celular na mão) é, atualmente, mentor da equipe Under Control 1156, de Novo Hamburgo (RS)

Como são as avaliações na competição e quais são os prêmios? 

No Torneio SESI de Robótica da categoria FTC, as equipes são avaliadas em quatro etapas e concorrem aos seguintes prêmios: Prêmio Inspiração, Prêmio Pensamento Criativo, Prêmio Conexão, Prêmio Inovação Collins Aerospace, Prêmio de Design, Prêmio Motivação, Prêmio de Controle, Prêmio Aliança Vencedora e Prêmio Aliança Finalista.  

Existem também o Prêmio Divulgação e o Prêmio Bússola, que são opcionais e podem não ser entregues em todos os torneios.  

A equipe, formada por até 15 integrantes, passa primeiro por uma entrevista em sala e tem direito a elaborar uma apresentação de cinco minutos. Os juízes podem fazer perguntas na sala e nos pits durante a competição. Além disso, os estudantes têm a obrigação de produzir o Caderno de Engenharia, no qual relatam os detalhes de todas as atividades executadas, como o desenvolvimento da programação do robô, o design, produção, testes, entre outros.  

Nessa categoria, o robô pode ser construído com materiais variados como madeira, acrílico, plástico e metal. A programação também é diferente, pois a máquina deve cumprir parte da prova de forma autônoma e a outra etapa deve ser tele-operado. 

Já as disputas na arena são feitas em alianças, criadas por mais de uma equipe. Há etapas classificatórias, com seis partidas para criação de um ranking; e partidas eliminatórias, com quartas de finais, semifinais e finais, que são disputadas em duplas.

Um problema e uma solução que impacta a sociedade

Assim como as outras categorias, na FTC também existe uma prova voltada para o lado altruísta da equipe. Afinal, um dos principais objetivos dessas competições é levar a robótica para todos e mostrar que não se trata apenas de robôs. 

Essa modalidade desafia os jovens a criarem um projeto que impacte o máximo de pessoas possíveis, de acordo com cada temporada. Algumas das atividades exigidas neste prêmio são trabalhos voluntários e ações realizadas pelas equipes, que também devem estar detalhadas no Caderno de Engenharia.

A equipe Geartech Canaã, do SESI de Goiânia, comemora o bicampeonato no FTC no Festival SESI de Robótica 2020

A equipe vencedora do Festival SESI de Robótica 2019/2020 na categoria FTC, Geartech Canaã, por exemplo, criou o programa Robótica Sem Fronteiras. Os alunos do SESI de Goiás desenvolveram esse projeto para auxiliar pessoas com deficiência, utilizando as tecnologias de robótica, e para levar os ensinamentos adquiridos à outras escolas. 

"Criamos o Robótica Sem Fronteiras no primeiro ano de competição da equipe. Com ele, pretendemos levar a robótica para pessoas que não tem tanto acesso a esse conhecimento. Nós realizamos workshops em escolas públicas e fazemos algumas gincanas com os alunos", conta o integrante da equipe João Victor Fonseca, 16 anos. 

Além das visitações, o grupo criou um dispositivo robótico com sensores para deficientes visuais com materiais comuns nas competições: a Exo Intelectual. "A luva, que faz parte da estrutura, tem sensores e bips que são acionados e enviam um sinal sonoro para o usuário quando ele se aproxima de algo, para evitar esbarrões e machucados", explica João sobre o protótipo, que é composto por duas caneleiras, uma luva e uma cinta elástica. 

Devido a pandemia de Covid-19, a equipe continua sem se encontrar pessoalmente, mas está se preparando para a próxima temporada por ferramentas virtuais.

Lançamento da temporada 2020/2021 - Ultimate Goal

A próxima temporada da categoria FIRST Tech Challenge já tem data marcada para começar. O evento virtual de lançamento internacional acontecerá no dia 12 de setembro. Já aqui no Brasil, o SESI realizará uma live no dia 16 de setembro, às 15h, para oficializar a abertura da temporada Ultimate Goal

Participarão do bate-papo o gerente executivo de Educação do SESI, Sérgio Gotti; a especialista em Desenvolvimento Industrial, Luciana Baroni; o sócio diretor da StemOS e especialista em FTC, Filipe Ghesla e muito mais. 

A live será transmitida pelo Facebook do Torneio SESI de Robótica e pelo canal do YouTube Sou Robótica. Não perca!

Acompanhe tudo sobre a nova temporada de robótica

As novidades estão no canal do Torneio SESI de Robótica FIRST LEGO League, do Torneio SESI de Robótica FIRST Tech Challenge, aqui na Agência CNI de Notícias e nos perfis do Torneio no Instagram e Facebook. Veja as fotos no Flickr da CNI.

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