CNI realiza estudo sobre minerais críticos com foco em baterias

Parceria com a Universidade Johns Hopkins e o Instituto E+ Transição Energética permitirá a produção de diagnósticos e proposição de políticas públicas para diferentes cadeias produtivas

Foto: Shutterstock

Os minerais críticos são estratégicos para a indústria. Com aplicação diretamente ligada à transição energética, digitalização, defesa e alta tecnologia, são recursos naturais amplamente utilizados em baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas e painéis solares, entre outros produtos.

Pensando na relevância desses insumos para o setor industrial e no potencial que representam para diversas cadeias produtivas, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) firmou um acordo de cooperação técnica (ACT) com o Net Zero Industrial Policy Lab, da Universidade Johns Hopkins, e o Instituto E+ Transição Energética, para desenvolver estudos e propor políticas públicas relacionadas ao tema.

O primeiro resultado prático dessa parceria já está em andamento - um estudo com foco no setor de baterias, que analisa a capacidade produtiva do Brasil e a captura de valor no segmento. O trabalho faz um diagnóstico sobre minerais críticos, mapeando onde o Brasil já compete, onde a inserção é nascente e onde os desafios estruturais são mais profundos e identificando as reservas minerais e a capacidade extrativa do Brasil. Também analisa a cadeia produtiva da bateria em seus segmentos funcionais, da matéria-prima ao produto final, e as políticas públicas e instrumentos em vigor voltados à cadeia de minerais críticos e baterias. 

De acordo com o superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira um dos objetivos do estudo é apresentar recomendações ancoradas nas capacidades reais da indústria brasileira para extrair os minerais críticos e transformá-los em produtos, mirando as oportunidades concretas abertas pela transição energética e no contexto do programa Nova Indústria Brasil (NIB). 

"O Brasil detém reservas relevantes a nível global de minerais críticos e terras raras, elementos centrais para diversas cadeias produtivas ligadas à digitalização e transformação ecológica, dentre elas a de baterias elétricas. Essa é uma oportunidade que se apresenta ao país. Não podemos nos posicionar novamente como exportadores de commodities e importadores do bem final, mas sim o Brasil deve identificar os caminhos e políticas necessárias para avançar na cadeia produtiva, no processamento dos minerais, gerando agregação de valor no país e insumos para o desenvolvimento produtivo nacional”, explica Silveira.

A iniciativa também vem ao encontro da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, instituída recentemente por meio da Lei nº 15.506/2026. A CNI tem uma cadeira no Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), vinculado à Presidência da República, com direito a voto como representante do setor privado. 

Expertise dos parceiros 

As duas instituições parceiras da CNI foram escolhidas pela reconhecida expertise em projetos relacionados à transição energética e política industrial. E, a partir da experiência com esse acordo, a CNI espera abrir mais frentes de trabalho voltadas ao adensamento de cadeias produtivas em outros segmentos. 

Segundo Tim Sahay, co-diretor do Net Zero Industrial Policy, a colaboração com a CNI visa fornecer uma avaliação atualizada das cadeias globais de valor de minerais críticos e baterias, que são altamente competitivas, e analisar formas de inserção do Brasil nelas.

“A agenda de políticas para minerais críticos no Brasil tem se concentrado na segurança do abastecimento, na capacidade de refino e processamento no país, no desenvolvimento de projetos de mineração, como terras raras, lítio, níquel, etc., e na política de transferência de tecnologia com parceiros internacionais. Nosso trabalho destina-se a servir como subsídio técnico para esse processo”, explica.

Ele destaca que o Net Zero Industrial Policy Lab combina a análise técnica de cadeias de suprimentos de energia limpa com o estudo de políticas industriais para catalisar colaborações estratégicas entre governo e indústria.

“O laboratório apoia formuladores de políticas e empresas na elaboração de estratégias industriais ‘verdes’ inteligentes e direcionadas. Nossas ferramentas baseadas em dados ajudam a mitigar riscos, orientando esses atores a evitar investimentos ineficientes em áreas pouco competitivas ou a adesão a setores ‘da moda’ — práticas que frequentemente levam a excesso de capacidade, cancelamento de projetos e iniciativas frustradas logo no início”, destaca o pesquisador.

Já o Instituto E+ é um think tank brasileiro independente que atua conectando governos, indústria, sociedade civil e academia para pautar a transição energética e a transformação verde da indústria como vetores do desenvolvimento socioeconômico do país.

“A transição energética amplia a demanda por minerais críticos e torna fundamental compreender, em detalhe, as cadeias produtivas em que eles se inserem, de forma individualizada, buscando o ponto ótimo, o sweet spot de agregação de valor em cada uma delas. O Brasil dispõe de uma base industrial diversificada, que pode fortalecer sua posição nas negociações internacionais. Construir esse diagnóstico com dados e em parceria com a indústria é fundamental para formular políticas públicas mais robustas”, destaca Rosana Santos, diretora-executiva do Instituto E+ Transição Energética.

Relacionadas

Leia mais

CNI participa de discussões sobre a regulamentação da nova política de minerais críticos
Aço de baixo carbono e minerais críticos no centro da agenda climática rumo à COP31
Política Nacional de Minerais Críticos fortalece a indústria, avalia CNI

Comentários