Aço de baixo carbono e minerais críticos no centro da agenda climática rumo à COP31

Os debates do 4º dia da Semana do Clima de Nova Iorque abordaram a importância de desenvolver soluções concretas para reduzir as emissões, além da necessidade de articulação entre diversos setores

Foto: Cleide Klock / CNI

A transição para uma economia de baixo carbono precisa sair do papel e também encontrar capital, tecnologia e cadeias produtivas preparadas para essa mudança. Foi nesse contexto que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Sustainable Business COP (SB COP) participaram, nesta quinta (24), de debates da Semana do Clima em Nova Iorque sobre o futuro do aço, dos minerais críticos, dos investimentos e dos próximos passos rumo à COP31.

Entre os encontros, esteve o da Global Steel Innovation Commission (Comissão Global de Inovação do Aço), que reuniu líderes conectados às agendas de minerais críticos, aço de baixo carbono, infraestrutura, energia e capital, para discutir os caminhos para acelerar a transformação da indústria e criar cadeias de valor industriais capazes de atrair investimentos.

O debate abordou a importância de desenvolver soluções concretas e escaláveis para reduzir as emissões e a necessidade de articulação entre empresas, instituições financeiras, governos e demais atores.

Rodrigo Lauria, diretor de Mudanças Climáticas e Descarbonização da Vale, destacou que a proposta da comissão é promover um trabalho coletivo entre diferentes setores da sociedade, incluindo bancos de investimento, bancos corporativos, empresas, desenvolvedores de projetos e organizações do terceiro setor.

“Estamos buscando soluções comuns para a descarbonização da indústria, em especial do aço, olhando para um aço de baixo carbono. Para a Vale, esta é uma discussão bastante cara porque a gente está no início da cadeia de valor da siderurgia, da mineração. A Vale tem 98% das emissões no famoso Escopo 3, ou seja, na cadeia de valor, e achar as soluções convergentes, efetivas, concretas e escaláveis para essa cadeia é fundamental. É o que estamos fazendo: buscar soluções coletivas para que a gente possa entregar um produto de baixo carbono e, com isso, reduzir emissões ao longo da cadeia de valor”, afirmou.

Da Semana do Clima à COP31

A programação também contou com a participação de Davi Bomtempo, superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, no evento “Da Semana do Clima de Nova Iorque à COP31 e à COP17: avançando na Ação pelo Clima e pela Natureza”), que discutiu os próximos passos da agenda a partir dos debates realizados nesta semana e da preparação para as próximas conferências internacionais.

O encontro reuniu representantes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), da Presidência da COP31 da Turquia, do Climate Champions Team e do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), além da CNI e da SB COP.

Entre os principais temas esteve a construção da agenda para a COP31, que será realizada na Turquia em novembro, e a necessidade de ampliar e qualificar a participação do setor empresarial no processo.

Durante a discussão, Davi Bomtempo abordou os aprendizados da COP30 e os caminhos para manter o engajamento da comunidade empresarial global entre os ciclos das conferências. A discussão também tratou da importância de fortalecer a colaboração entre empresas, governos e demais atores para transformar compromissos climáticos em ações concretas.

Diane B. Holdorf, vice-presidente executiva (EVP) de Caminhos de Transição do WBCSD, reforçou que a continuidade e a implementação são as palavras da vez para obter resultados concretos.

“Tem sido muito positivo acompanhar a liderança que a SB COP vem exercendo na formalização da agenda de ação. Isso é especialmente importante para todas as empresas membros do WBCSD, porque somente com a continuidade dos temas da agenda de ação podemos demonstrar avanços. E é justamente esse progresso que precisamos mostrar para comprovar que essas ações estão sendo implementadas”, declarou.

O painel também colocou em debate as prioridades e expectativas para a COP31, a participação de empresas turcas e internacionais na preparação para a conferência e o papel do setor privado na aceleração da implementação e do aumento da ambição climática.

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