Melhoria nas políticas públicas para micro e pequenas empresas é crucial para a economia, afirma presidente da CNI

Durante a abertura do 6º Seminário Pense nas Pequenas Primeiro, Andrade ressaltou papel dos pequenos negócios no Brasil e defende importância do Sistema S para esse setor da economia
De um total de 700 mil empresas industrias com as quais a CNI mantém uma relação, cerca de 600 mil são de micro e pequeno porte, de diversos setores

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, afirmou nesta quarta-feira (26) que a melhoria das políticas públicas para as micro e pequenas empresas é crucial para a retomada do crescimento da economia brasileira.

Andrade participou nesta manhã, em Brasília, da abertura do 6º Seminário Pense nas Pequenas Primeiro, realizado pela CNI com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

O presidente da CNI ressaltou que, de um total de 700 mil empresas industrias com as quais a confederação mantém uma relação, cerca de 600 mil são de micro e pequeno porte, de diversos setores.

“Essas 600 mil empresas estão trabalhando também para as grandes empresas. Elas desenvolvem tecnologia, pagam juros elevados, enfrentam problemas de crédito e dificuldades para competir fora do Brasil. É para essas empresas que temos de trabalhar muito”, afirmou Andrade.

Na avaliação do presidente da CNI, o Brasil deve reduzir a dependência em relação ao setor público, mas de forma gradual. “Esse deve ser um movimento gradativo, como na proposta de reforma tributária”, ressaltou.

QUALIFICAÇÃO DE MÃO DE OBRA - O presidente destacou ainda a importância das instituições do Sistema S para a formação de mão de obra qualificada, em especial de pessoas das classes C, D e E. “Muitos de nossos alunos são de baixa renda, às vezes um pouco acima da linha da pobreza. É esse público que atendemos porque temos certeza que, apenas por meio da educação, vamos poder mudar a realidade do Brasil”, disse.

As entidades da indústria que compõem o Sistema S são o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e o Serviço Social da Indústria (SESI). Principal instituição de formação técnica e profissional de jovens e trabalhadores brasileiros, o SENAI registrou 2,3 milhões de matrículas em educação profissional. O SESI, por sua vez, realizou 1,1 milhão de matrículas em educação básica, continuada e em ações educativas em 2018.

“Quando defendemos o SESI e o SENAI, é porque temos o sonho e o ideal de poder contribuir com a indústria, com o que acreditamos, com o nosso país. Agora, vamos deixar de atender justamente a camada da população que mais precisa?”, afirmou Andrade. “E quem é beneficiado pelo Sistema S são as micro, pequenas e médias empresas. Se elas não tiverem apoio, não terão como contribuir para o crescimento e o desenvolvimento do Brasil”, acrescentou.

A gerente adjunta de Políticas Públicas e Desenvolvimento Territorial do Sebare Nacional, Inês Schewingel, enfatizou a importância das micro e pequenas empresas para que o Brasil saia da crise econômica. Ela afirmou que, hoje, as micro e pequenas empresas representam 99% do total de empresas privadas no Brasil, respondem por 27% do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de bens e serviços produzidos no país) e são responsáveis por 55% do total de empregos formais existentes no país. 

Para Inês, é importante investir no desenvolvimento da tecnologia nos pequenos negócios, tornando-os mais competitivos. Além disso, a gerente destacou a importância de se investir na modernização, na mão de obra e na eficiência das empresas. “Em síntese, ajudar o Brasil a produzir mais é ajudar o país a se mover”, disse.

“Temos um Brasil que precisa olhar mais para a pequena empresa e contribuir para e melhoria de sua rodutividade”, afirmou o presidente do Conselho Temático da Micro e Pequena Empresa (Compem) da CNI, Amaro Sales

ACESSO AO CRÉDITO - O presidente do Conselho Temático da Micro e Pequena Empresa (Compem) da CNI, Amaro Sales de Araújo, também destacou a importância das micro e pequenas empresas para a economia brasileira. A seu ver, um dos temas caros que deve ser trabalhado no Brasil é a facilitação do acesso ao crédito para os micro e pequenos empresários. “Vejo os micro e pequenos empresários como uma das grandes forças do Brasil, mas às vezes não tão valorizados como deveriam”, disse. “Temos um Brasil que precisa olhar mais para a pequena empresa e contribuir para e melhoria de sua produtividade”, afirmou.

O subsecretário de Desenvolvimento da micro e pequena empresa, empreendedorismo e artesanato do Ministério da Economia, José Ricardo Veiga, afirmou que o governo trabalha hoje em três eixos: melhoria do ambiente de negócios, consciência do empresário sobre seu papel na economia e ferramentas de produtividade. “Há uma série de medidas simples, mas racionalizadoras, que podem melhorar o ambiente de negócios no Brasil”, disse o subsecretário. “Nós sabemos que as micro e pequenas empresas estão entremeadas em toda a economia e em todos os municípios. Estamos falando de empresas que criam cinco, 10 ou 15 empregos, mas que, com isso, respondem por 55% da massa salarial do país”, disse.

Durante o seminário, o gerente-geral de Micro e Pequenas Empresas do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Rodrigo Teixeira Neves, disse que a instituição, considerando apenas operações pela internet, concedeu crédito de R$ 1,4 bilhão a micro e pequenos empresários do estado. Ao todo, foram atendidos 796 municípios. “Nosso esforço é chegar a todos os municípios de Minas Gerais”, disse.

O senador Jorginho Mello (PR/SC), por sua vez, citou projetos como o do Simples Trabalhista (PL 2234/2019), que altera a legislação trabalhista para dar tratamento diferenciado às micro e pequenas empresas em relação ao pagamento de vale-transporte, salário-maternidade e do chamado depósito recursal, entre outras mudanças. A seu ver, a proposta busca desburocratizar e facilitar a gestão das micro e pequenas empresas. “Temos de pensar no brasil, no crescimento e nas pessoas que estão sem emprego”, disse.

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