Representantes do governo e da indústria defendem acordo entre Mercosul e União Europeia

Durante Encontro Brasil-Alemanha, presidentes da APEX-Brasil e do CEAL reforçam a necessidade de avanço na consolidação da parceria entre blocos
A delegação brasileira no EEBA é liderada pela CNI, com a participação de presidentes das federações estaduais das indústrias

O presidente do Conselho Empresarial da América Latina (CEAL), Ingo Plöger, disse, durante o 36º Encontro Econômico Brasil Alemanha (EEBA), que chegou a hora de lideranças brasileiras e europeias agirem nas negociações entre o Mercosul e a União Europeia. “O Estado está muito devagar em relação às empresas”, ressaltou, durante o painel sobre políticas econômica e comercial. Segundo ele, há uma falta de visão da Europa na participação das longas cadeias produtivas da América do Sul.

O embaixador Roberto Jaguaribe, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX-Brasil), concorda com Plöger, ao dizer que Brasil e Alemanha devem se mobilizar para manter regras internacionais compatíveis com os interesses dos países e com o ordenamento da conjuntura internacional. “No momento em que o principal autor do modelo que foi adotado a partir de 1945 começa a questioná-lo e volta ao rumo de protecionismo e individualismo nas relações internacionais, é necessário buscar estratégias que possam assegurar a manutenção em nível relevante de relações importantes”, disse.

De acordo com Jaguaribe, o Brasil é o segundo maior destino de investimentos da Europa no mundo, atrás dos Estados Unidos e à frente da China – quase 50% dos aportes europeus na América Latina são direcionados ao Brasil. Em contrapartida, o presidente da APEX-Brasil disse que o país é origem de 70% dos investimentos latino-americanos na Europa, chegando a US$ 150 bilhões de dólares, superior aos aportes chineses.

A secretária-executiva do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Yana Dumaresq Sobral Alves, por sua vez, destacou a vocação multilateral brasileira e o ímpeto reformista no ambiente regulatório. “Um novo tempo se abre para o Brasil, para a atração de investimentos para produção de energia e combustíveis renováveis”, disse.

EEBA – O 36º Encontro Econômico Brasil Alemanha (EEBA) é organizado pela CNI e pela BDI, com apoio da Prefeitura de Colônia e da Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo). O evento ocorre de forma intercalada entre os dois países. A edição de 2019 será no Rio Grande do Norte, com o apoio da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN).

Neste ano, cerca de 260 participantes brasileiros estão em Colônia. A delegação empresarial brasileira é liderada pelo vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) Paulo Tigre e conta também com a participação dos presidentes das federações estaduais das indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), Amaro Sales de Araújo; de Santa Catarina (FIESC), Glauco José Côrte; do Rio Grande do Sul (FIERGS), Gilberto Petry; de Roraima (FIER), Rivaldo Neves; do Maranhão (FIEM), Edílson Baldez; e de Minas Gerais (FIEMG), Flavio Roscoe. Integram ainda a comitiva o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Abijaodi, e os diretores regionais do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) do Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima e Santa Catarina.

Relacionadas

Leia mais

Brasil e Irã negociam acordos para atingir meta de US$ 5 bilhões no comércio bilateral
Série especial mostra como o Brasil pode avançar no comércio exterior
Empresários brasileiros e alemães querem aumentar parceira na Indústria 4.0

Comentários