Reformas são essenciais para o Brasil ampliar a participação no comércio exterior

Setor produtivo reforça urgência das reformas tributária e administrativa durante ENAEX. Queda nas exportações de produtos manufaturados retrata impacto do custo-Brasil na perda de competitividade da indústria nacional
Para Abijaodi, o país precisa trabalhar em duas frentes para melhor aproveitar as oportunidades do comércio internacional

Com o tema "Mais infraestrutura, menos custo e mais mercado externo", o 39º Encontro Nacional do Comércio Exterior (ENAEX) serviu de plataforma para o setor produtivo reforçar às lideranças governamentais a importância da redução do custo-Brasil para aumentar a competitividade e a participação do Brasil no mercado global.  A expressiva redução da participação dos produtos manufaturados brasileiros nas exportações foi apontada como prova de que o país precisa urgentemente adotar medidas como a aprovação das reformas tributária e administrativa, desburocratizar processos e investir em infraestrutura.

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, destacou que as exportações de produtos manufaturados representavam 59% do total em 2000 e atualmente são 24%, o que representa a perda de bilhões em divisas e milhares de empregos no país.

“Essa queda decorre da contínua elevação do custo-Brasil que tirou a competitividade dos produtos manufaturados brasileiros. A solução para este quadro depende de o Brasil fazer o seu dever de casa, ou seja, aprovar as indispensáveis reformas estruturais, investir e criar condições para o investimento em infraestrutura, reduzir a burocracia entre outros fatores”, comentou José Augusto. Ele lembrou que, na década de 1980, o Brasil exportava mais produtos manufaturados que comodities e tinha uma participação no comércio exterior maior que a China.

O diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Eduardo Abijaodi, destacou que a demanda externa é uma alavanca essencial para o Brasil sair da crise gerada pela contração da demanda interna. Para Abijaodi, o país precisa trabalhar em duas frentes para melhor aproveitar as oportunidades do comércio internacional. A primeira é o aperfeiçoamento da política comercial com foco na melhoria do ambiente de negócios. A segunda é um esforço de internacionalização das empresas nacionais, sobretudo as micro, pequenas e médias.


“O momento de crise é propício para a adoção de uma Estratégia Nacional de Comércio Exterior, que nos permitiria estabelecer objetivos, metas e indicadores claros, bem como compromissos tanto do lado do governo quanto do lado do setor privado. Economias avançadas como Estados Unidos e União Europeia adotam um instrumento dessa natureza para ampliar a coordenação público-privada”, comentou.


Ele frisou a importância da conclusão do Portal Único de Comércio Exterior em 2021, do fortalecimento do sistema de financiamento e garantias às exportações e das negociações para evitar a dupla tributação com mercados estratégicos como os Estados Unidos, Alemanha e o Reino Unido.  

O presidente Jair Bolsonaro aproveitou o ENAEX para ressaltar avanços que o Brasil teve no comércio exterior na sua gestão. "Estamos construindo um Brasil mais aberto, mais competitivo e mais próspero, eliminando custos e removendo entraves para o setor produtivo. O modelo de privatizações e concessões em curso no país, em especial no âmbito do PPI, tem grande potencial e está eliminando a burocracia para atrair mais investimentos privados no setor de infraestrutura. Fechamos acordos de livre comércio com a União Europeia e com a Associação Europeia de Livre Comércio”, afirmou.

O presidente disse ainda que o Brasil tem trabalhado para ter acesso ao acordo de compras governamentais, que permitirá que as empresas nacionais passem a concorrer, sob condições de igualdade, em um mercado de cerca de US$ 1,7 trilhão ao ano.  

A abertura do ENAEX contou ainda com a participação do diretor-presidente do Serviço Brasileiro de Apoio à Pequena Empresa (SEBRAE), Carlos Melles, presidente da Apex-Brasil, Sergio Segovia, do presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), José Roberto Tadros, e do presidente dos Correios, Floriano Peixoto Vieira Neto. O evento, que vai até amanhã com reuniões e debates on-line, também marcou a comemoração dos 50 anos da AEB.

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