A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou a executivos da XP, nesta terça-feira (12), a proposta de implementação de uma plataforma conjunta com foco na expansão produtiva, internacionalização de empresas brasileiras e atração de capital para projetos estratégicos do setor.
No segundo dia de atividades da CNI na Semana do Brasil em Nova York, o presidente Ricardo Alban, acompanhado de dirigentes de federações das indústrias, se reuniu com executivos da empresa para debater o contexto econômico, oportunidades e perspectivas para a indústria brasileira.
Para viabilizar o projeto, Alban sugeriu a criação de um grupo de trabalho e a implementação de um piloto envolvendo escritórios internacionais da CNI e setores prioritários para a troca de inteligência e a estruturação de uma agenda contínua de iniciativas.
“Vivemos um momento em que decisões de investimento são cada vez mais influenciadas por geopolítica, reorganização de cadeias globais e gestão de risco. Isso abre espaço para parcerias que combinem inteligência de mercado, presença territorial e capacidade de estruturação financeira, como a que vemos com a XP. A ideia é transformar essa complementaridade em uma plataforma estruturada de atração e originação de investimentos. Acreditamos que essa parceria pode transformar informação e presença territorial em investimento real”, explicou Alban.
Para implementar a plataforma, a ideia é usar a rede de federações e escritórios da CNI no exterior para acessar empresas, investidores e governos locais.
“Queremos usar os escritórios como hubs de inteligência aplicada, não apenas institucionais. Isso inclui uma troca regular de informações geopolíticas, com movimentos de realocação industrial, tensões comerciais, e prioridades de política industrial em diferentes regiões, leitura que ajuda a antecipar oportunidades e reduzir risco”, disse o presidente da CNI.
Participaram do encontro Rafael Furlanetti, sócio-diretor institucional, e Fernando Ferreira, sócio e estrategista-chefe da XP. Na oportunidade, os dirigentes ainda debateram o contexto econômico e oportunidades e perspectivas para a indústria brasileira.
Oportunidades para ampliar competitividade da indústria
Pela manhã, presidentes de federações se reuniram com o presidente da Câmara de Comércio Brasil-EUA, Will Landers, e com Daniel Maranhão, CEO da Gran Torton Brasil, que deu um panorama sobre governança empresarial e perspectivas das empresas em temas como inteligência artificial, inovação e gestão de talentos.
Na abertura da reunião, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Mato Grosso do Sul (FIEMS), Sérgio Longen, destacou que a indústria vem cada vez mais perdendo competitividade em razão da elevada carga tributária e do custo Brasil, e que diante disso o setor precisa investir em pesquisa e inovação.
“Muito se fala inovação, muito se fala de IA, muito se fala de projetos estruturantes, mas quando você entra na empresa, esse produto ainda não está lá na prateleira. Então, nesses encontros que estamos promovendo hoje vamos abordar as oportunidades que nós temos no mercado internacional. A ideia é que a gente saia daqui com propriedade e conhecendo exatamente o que é que tem nesse mercado internacional e de que forma nós vamos poder acessar e disponibilizar essas informações de uma forma prática para nossa base”, disse Longen.
Amazônia: não haverá preservação sem inclusão produtiva
Na reunião, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), Marcelo Thomé, destacou a importância da articulação institucional para a modernização da agenda econômica da Amazônia.
“Nenhuma instituição, isoladamente, será capaz de responder à complexidade dos desafios amazônicos. E talvez esse seja justamente o ponto mais importante da nossa conversa hoje. Compreender que o futuro da Amazônia dependerá menos de soluções individuais e muito mais da nossa capacidade de coordenação conjunta”, disse Thomé.
Embora a região reúna algumas das maiores riquezas naturais do planeta, potencial produtivo e relevância climática global, enfrenta desafios profundos relacionados à pobreza, à exclusão econômica, à baixa inclusão financeira e à fragilidade estrutural das suas cadeias produtivas.
De acordo com o dirigente, enquanto a média nacional de pobreza no Brasil gira em torno de 21%, na Amazônia Legal esse índice alcança cerca de 36%. E mesmo com mais de 75% da população vivendo em áreas urbanas, a pobreza continua sendo proporcionalmente mais severa nas áreas rurais da região. Ou seja, é um território de grande relevância ambiental e econômica global, mas que ainda convive com exclusão cultural e baixa a inclusão produtiva.
“A Amazônia não sofre de ausência de potencial. Ela sofre de ausência de coordenação econômica capaz de transformar esse potencial em prosperidade estruturada, sustentável e inclusiva. Durante muitos anos, parte importante do debate internacional sobre a Amazônia ficou concentrada quase que exclusivamente na ideia de conservação ou de preservação. Mas a realidade nos mostra que não haverá preservação duradoura sem inclusão produtiva", acrescentou Thomé.
"Não existe floresta em pé sustentada por pobreza estrutural e é exatamente por isso que precisamos amadurecer uma nova visão econômica para a região”, afirmou.
Representantes da CNI também participaram de almoço do BTG Pactual nesta terça, onde empresários, investidores, políticos e executivos debateram o cenário econômico, investimentos e oportunidades entre Brasil e EUA.



