Representantes do governo e da indústria do Brasil e da Suécia se reuniram nesta quinta-feira (5), na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, para debater oportunidades de cooperação em áreas como mudanças climáticas, sustentabilidade, comércio, tecnologia e inovação - além de articular pautas prioritárias e grupos de trabalho do Conselho Empresarial Brasil-Suécia, que será lançado no ano que vem.
O comércio entre os países aumentou de forma consistente: em 2025, as exportações brasileiras para o mercado sueco alcançaram US$ 902,9 milhões, o maior valor da série histórica, com alta de 8,5% em relação a 2024.
A reunião ocorreu em um momento simbólico para as relações bilaterais: em 2026, Brasil e Suécia celebram 200 anos de relações diplomáticas, marcadas por cooperação histórica em indústria, comércio, ciência, tecnologia e inovação.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, ressaltou que as duas economias têm forte potencial de complementariedade, especialmente em setores estratégicos para a transição energética.
“As relações econômicas entre Brasil e Suécia são caracterizadas pela complementaridade, um aspecto cada vez mais relevante. As cadeias globais de valor precisam necessariamente passar pela complementaridade, reconhecendo as vantagens competitivas de cada país e, a partir delas, construir uma relação de benefício mútuo”, disse.
Alban acrescentou que o conselho empresarial bilateral, foco da reunião na CNI, busca ampliar a articulação entre empresas e governos. “Mais do que um fórum institucional, este conselho bilateral é um esforço para criar uma plataforma capaz de orientar prioridades, aproximar empresas, coordenar agendas regulatórias e acelerar projetos importantes para os dois países”, afirmou.
Durante a reunião, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, destacou o papel da Suécia como parceiro estratégico para a modernização da indústria brasileira e para a agenda de reindustrialização do país. “Mais de 200 empresas suecas operam no nosso país, gerando dezenas e milhares de empregos qualificados. Isso demonstra confiança no ambiente de negócios brasileiro e na complementariedade entre nossas economias”, enfatizou o ministro.
O presidente da Business Sweden, Jan Larsson, exaltou a presença histórica de empresas suecas no Brasil, o que segundo ele demonstra o compromisso de longo prazo com o país, e reforçou que a parceria entre Brasil e Suécia se sustenta em décadas de cooperação econômica e empresarial. “Os mais de 100 anos de presença de empresas como Ericsson e SKF indicam um compromisso duradouro e apontam para mais um século de oportunidades de colaboração", disse.
Acordo Mercosul-UE amplia oportunidades entre países
Durante o encontro, Alckmin destacou a aprovação do acordo entre Mercosul e União Europeia pelo Senado brasileiro, na quarta-feira (4), como um passo importante para ampliar as oportunidades de comércio e investimentos entre os dois países.
“Teremos agora no horizonte a entrada em vigor provisória do maior acordo entre blocos do mundo”, afirmou. Segundo o ministro, o acordo cria perspectivas para a integração econômica entre a América do Sul e a Europa e reforça a importância de parcerias estratégicas como a construída entre Brasil e Suécia.
Participaram da reunião o presidente da CNI, Ricardo Alban; o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin; o CEO da Business Sweden, Jan Larsson; e o presidente do Grupo Wallenberg, Marcus Wallenberg, além de representantes do setor público e de empresas dos dois países.
Comércio e investimentos em expansão
O comércio bilateral entre Brasil e Suécia tem apresentado crescimento consistente ao longo da última década. De acordo com levantamento da CNI com base em dados do MDIC, em 2025, as exportações brasileiras para o mercado sueco alcançaram US$ 902,9 milhões, o maior valor da série histórica, com alta de 8,5% em relação a 2024.
A pauta exportadora é liderada pela indústria extrativa, responsável por 41,4% das vendas externas no último ano, com destaque para minério de cobre e seus concentrados, além de café não torrado.
As importações brasileiras de produtos suecos também atingiram recorde em 2025, somando US$ 2,5 bilhões, aumento de 5,9% frente ao ano anterior. Entre os principais itens estão partes e acessórios de automóveis, medicamentos e motores de pistão.
No campo dos investimentos, os aportes suecos no Brasil somaram US$ 4,7 bilhões em 2024, enquanto os investimentos brasileiros na Suécia alcançaram US$ 977,1 milhões, reforçando a presença empresarial entre as duas economias.
O encontro entre indústria brasileira e a comitiva sueca nesta quarta-feira, também foi um momento para definir as pautas prioritárias e estruturar os grupos de trabalho que fundamentarão o futuro Conselho Empresarial Brasil-Suécia, com lançamento oficial previsto para 2026. A iniciativa busca criar uma plataforma robusta para coordenar agendas regulatórias e acelerar projetos em áreas como descarbonização, defesa e digitalização industrial.
Durante o encontro, os representantes discutiram como os novos grupos de trabalho deverão operar para transformar o diálogo em resultados práticos. O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou que a missão do conselho é ir além do fórum institucional.
"Nossa missão é clara: queremos avançar com metas, indicadores e entregas. Quem milita com empresas e com setor privado sabe que o resultado mais importante se chama delivery; nós precisamos de entregas. Esse será o foco da reunião do planejamento que realizaremos hoje à tarde quando devemos apresentar proposta de funcionamento dos futuros grupos de trabalho", pontuou.
Complementariedade e o conceito "ganha-ganha"
O fortalecimento da relação ocorre em um momento de recordes comerciais. Em 2025, o intercâmbio bilateral foi marcado pelo maior valor da série histórica nas exportações brasileiras (US$ 902,9 milhões) e um recorde nas importações de origem sueca (US$ 2,5 bilhões), compostas essencialmente por bens da indústria de transformação.
Alban ressaltou que a competitividade depende da integração entre as nações. "As relações econômicas entre os nossos países são marcadas por complementariedade, o palavio cada vez mais importante. As casas globais de valores, elas necessariamente têm que passar pelo conceito de complementariedade, têm que passar pelo conceito onde nós, cada país, cada nação tem suas vantagens competitivas e tirar dessas vantagens competitivas a complementariedade, onde possamos ter efetivamente um ganha-ganha", afirmou.
Perspectiva de Mercado e Acordo Mercosul-UE
Alckmin enfatizou o papel da Suécia na reindustrialização brasileira e celebrou o avanço do acordo Mercosul-União Europeia no Legislativo brasileiro, fator que deve impulsionar os trabalhos do futuro conselho.
"Teremos agora no horizonte a entrada em vigor provisória do maior acordo entre blocos do mundo 720 milhões de habitantes e 22 trilhões de dólares de PIB isso trará benefícios em diversos setores agrícola industrial inovação para a Europa e para o Mercosul, para o Brasil e para a Suécia", declarou Alckmin.
Agenda para o Futuro
Representando o setor sueco, Marcus Wallenberg e Jan Larsson reforçaram o compromisso com a engenharia e a inovação no Brasil. Wallenberg destacou que a parceria no programa F-39 é um marco técnico, com o primeiro trem de pouso produzido no país previsto para o final deste mês.
Já Larsson, CEO da Business Sweden, defendeu que o estabelecimento de um conselho de negócios poderá "transformar o arcabouço existente em ações mais concretas".
As definições dos grupos de trabalho e das pautas prioritárias estabelecidas hoje pavimentam o caminho para que, em 2026, o Conselho Empresarial Brasil-Suécia seja lançado como uma aliança sólida, moderna e voltada para a entrega de projetos estruturantes para ambos os países.



