Sudeste lidera em inovação, mas enfrenta desafios comuns às outras regiões do Brasil

Depois de percorrer ES, MG, RJ e SP, Jornada de Inovação da Indústria apresentou os resultados, oportunidades e problemas mapeados nos encontros estaduais

Foto: Sebastião Jacinto Júnior/FIEMG

O Sudeste, epicentro da inovação no Brasil, é líder em pesquisa e desenvolvimento (P&D), mas enfrenta os mesmos desafios das outras regiões do país, como escassez de capital humano qualificado e burocracia para acessar instrumentos de fomento. O diretor de Desenvolvimento Industrial, Tecnologia e Inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Jefferson Gomes, apresentou o retrato da região nesta quinta-feira (26), no encontro regional da Jornada Nacional de Inovação da Indústria, realizado na capital mineira Belo Horizonte.

“Temos um conjunto de instrumentos de apoio técnico e financeiro e de leis para inovação. Não perdemos em ferramentas para outros países, mas não conseguimos decolar. Nosso objetivo, com a Jornada, foi sair pelo Brasil afora para perguntar às empresas quais os desafios e a estratégia de inovação no seu negócio. Por mais que os problemas sejam comuns, temos características distintas para cada região do Brasil, de pessoas e de infraestrutura”, observou Jefferson Gomes. 

Segundo o diretor da CNI, exemplo de setor liderado pelas empresas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo é o de transporte e mobilidade, o que também revela o potencial da região para a transição energética. O Sudeste responde por quase metade da produção de etanol e tem o domínio em veículos híbridos e elétricos. A região mobiliza ainda capacidades em supercomputação, redes 5G, biotecnologia e saúde.  

Os dados comprovam a densidade tecnológica e a maturidade do ecossistema de inovação regional, referência na América Latina. O Sudeste:

  • retém 87% do investimento privado em P&D 
  • é responsável por 86,8% dos investimentos via Lei do Bem 
  • abriga 60,2% das startups e foi berço de 22 dos 24 unicórnios do país
  • é sede de 110 (68%) dos 162 data centers operacionais no Brasil
  • tem infraestrutura portuária robusta: somente o Porto de Santos movimenta 30% do comércio nacional
  • responde por 48,5% da produção nacional de etanol
  • é líder na indústria automotiva, com a produção de 2,64 milhões de veículos em 2025, tendo como foco crescente a fabricação de modelos híbridos.

Apesar dos diferenciais, empresas da região têm como principais desafios: escassez de capital humano qualificado (29,4%), reduzir burocracia em fomento (23,8%), mitigar insegurança jurídica e instabilidade regulatória (15,2%), enfrentar concorrência global desleal (10,8%) e romper resistência cultural à inovação (20,8%).

A Jornada de Inovação da Indústria concluiu a passagem pela Região Sudeste nesta quinta-feira (26), no Encontro Regional Sudeste, em Belo Horizonte (MG). Foto: Amanda Maia/CNI

“Inovar aumenta a produtividade e os resultados da empresa, além da expectativa de vida da população. As empresas precisam ficar atentas às oportunidades”, afirmou o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Flávio Roscoe. 

Também participaram da abertura Marcelo Souza e Silva, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae MG; Antônio Carlos Vilela, vice-presidente da FIRJAN; Paulo Renato, gerente de Inovação do Sebrae Nacional; e Mariana de Oliveira Santos, coordenadora-geral de Instrumentos de Apoio à Inovação do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI)

Nos painéis seguintes, para apresentar cases e instrumentos de fomento, estavam presentes representantes da Cerâmica Brasileira, Nanum Nanotecnologia, Bagueteria Francesa, Embrapii, Financiadora de Estudos e Projetos (Finep)  e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)

Uma caravana para revelar a inovação brasileira 

A Jornada Nacional de Inovação da Indústria é um evento itinerante que está percorrendo todo o Brasil para discutir soluções, desafios e oportunidades de inovação para a indústria brasileira por região. 

Realizados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), os encontros contam com correalização das federações das indústrias dos estados e patrocínio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). Participam dos debates empresas e instituições de apoio e fomento à inovação. 

A caravana começou em julho de 2025 e passou por 48 cidades das cinco regiões do país. No Sudeste, foram sete cidades. Agora só falta o encontro regional Norte, que será em Belém (PA) nos dias 11 e 12 de março. Os resultados, assim como as propostas para o governo, serão apresentados e debatidos no Congresso de Inovação da Indústria,que vai acontecer em São Paulo, em 25 e 26 de março. 

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