SENAI inaugura parque de inovação e tecnologia em Suape (PE)

Entre os projetos em execução, estão o sistema digital de rastreamento para certificação de hidrogênio verde e a montagem de baterias de íon-lítio para eletrificação veicular

Foto: Divulgação/SENAI-PE

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Pernambuco (SENAI-PE), inaugurou, nesta segunda-feira (20), às 16h, o SENAI Park, um parque de inovação e tecnologia, no Complexo Industrial Portuário de Suape, região metropolitana do Recife. A estrutura, que ocupa uma área de 1,4 hectares ao lado da sede administrativa do porto, foi planejada para atender às demandas e promover o desenvolvimento tecnológico da indústria local e nacional. 

O parque vai reunir empresas de diferentes setores produtivos, pesquisadores e instituições de ensino em um ambiente compartilhado. Com plantas-piloto, o SENAI irá testar a viabilidade de soluções tecnológicas e processos produtivos antes da adoção em escala industrial.  

Concebido de forma modular, o espaço possibilita adaptações a cada projeto desenvolvido. Atualmente, dois grandes projetos já estão em execução, reunindo 14 empresas. Um deles desenvolve um protótipo nacional de bateria de lítio de baixa tensão (12V/48V) para veículos híbridos, com participação da Moura, Stellantis, Volkswagen, Iochpe Maxion e Horse.  

O outro foca na digitalização da cadeia de produção do hidrogênio sustentável, com a participação de companhias como Neuman & Esser, Siemens, White Martins, Hytron, Compesa e CTG Brasil. Juntas, as iniciativas já somam investimentos de R$ 100 milhões, com outros R$ 200 milhões em processo de captação. 

Cluster do porto de Suape terá expertise em TICs 

A inauguração também marca a consolidação de uma estratégia iniciada em 2022, com a formação de um cluster de inovação industrial em Suape. O conceito envolve a concentração geográfica de empresas, instituições e atores que colaboram, compartilhando conhecimento, infraestrutura e recursos para gerar vantagens competitivas e acelerar a aplicação de pesquisas inovadoras na indústria. 

“O SENAI tem 82 anos de atuação em Pernambuco e se consolidou como parceiro da indústria, apoiando sua modernização e competitividade. O parque reforça esse papel ao integrar empresas, universidades e institutos de pesquisa em torno de soluções para desafios concretos da indústria”, afirma a diretora do SENAI-PE, Camila Barreto. 

Como o SENAI de Pernambuco já tem o Instituto SENAI de Inovação para Tecnologias da Informação e Comunicação (ISI-TICs), fundado em 2013 e credenciado como unidade EMBRAPII, os projetos desenvolvidos em Suape devem ter como principal diferencial a expertise da área de TICs. 

Além disso, a decisão de escolher o porto como local para instalação do espaço foi estratégica. Segundo o presidente do complexo portuário, Armando Monteiro Bisneto, a região se consolidou como um cluster industrial e tecnológico. “Temos 90 empresas em operação, 12 polos setoriais de desenvolvimento, como materiais de construção, graneis líquidos e metalmecânica, e mais de 25 mil funcionários”, destaca Armando Bisneto. 

Diferentemente de laboratórios convencionais, o SENAI Park foi projetado para acelerar o desenvolvimento tecnológico orientado à implantação industrial real, levando projetos até estágios próximos à comercialização. 

Projetos em execução: baterias de íon lítio e H2V 

O parque possui um eletrolisador de 100 kW, sistemas de armazenamento em tanques, célula a combustível e estação de abastecimento de veículos a hidrogênio, permitindo todo ciclo de produção, estocagem e uso do H2.

Para ser considerado verde, o hidrogênio precisa ter origem em energia renovável e baixa emissão de carbono no processo de produção, e o SENAI está desenvolvendo um sistema para assegurar a rastreabilidade de ponta a ponta, com credibilidade para certificação. 

O segundo projeto de destaque é a linha de produção de baterias de lítio (12V e 48V), que será montada para fornecimento de lotes estimados em pequena escala. Trata-se de um projeto estruturante aprovado na chamada do Programa Mover.

Lançado em 2023 pelo governo federal, o Programa Mover foi criado para impulsionar a descarbonização, a inovação e a competitividade da cadeia automotiva brasileira. Substituindo o antigo Rota 2030, o Mover busca acelerar a transição para um modelo de mobilidade mais sustentável e tecnológico, por meio do fomento a projetos de pesquisa, desenvolvimento, capacitação profissional e modernização da indústria. A iniciativa envolve diversos atores do setor público e privado e está alinhada aos compromissos ambientais e de desenvolvimento industrial do país.  

“Entre as metas do projeto estão operacionalizar tecnologias, colocá-las em funcionamento, tropicalizar o conhecimento, formar pessoas, desenvolver cadeias de fornecedores e estabelecer parcerias estratégicas para fomentar negócios em áreas temáticas específicas. Esses projetos estão sendo estruturados para implantação no parque.”, aponta o diretor de inovação e tecnologia do SENAI-PE, Oziel Alves. 

A estrutura também vai permitir o desenvolvimento de competências, como um laboratório vivo de capacitações. Profissionais poderão adquirir formação avançada em transição energética e digitalização através do aprendizado prático nas plantas-piloto e fábricas digitais, além das capacitações que o SENAI irá oferecer, integração com universidades e startups, e treinamentos especializados. 

A inauguração do SENAI Park tem o selo carbono free da Ambipar e possui como patrocinadores diamante a Baterias Moura e o Banco do Nordeste; o Complexo Portuário de Suape, a Neuman & Esser, Agemar e Siemens como patrocinadores ouro; e Tecon Suape e APM Terminals como patrocinadores prata. 

Parque integra rede de inovação que contribuiu com 0,66% do PIB  

O parque de Pernambuco é mais uma unidade da rede de inovação do SENAI, criada em 2012 por demanda do setor produtivo, que via a necessidade de uma rede nacional para transformar pesquisa científica em inovação para o mercado.  

Hoje, após mais de uma década de operação, um estudo da Universidade de Lund, na Suécia, com o Instituto Fraunhofer, da Alemanha, mostrou o impacto econômico da rede: em oito anos de operação, os 26 institutos contribuíram com 0,66% do PIB do Brasil (na média anual). 

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