SENAI e grupo chinês lançam projeto para transformar plantas aquáticas em bio-óleo

As macrófitas, que eram vistas como vilã para as hidrelétricas, agora serão estudadas e utilizadas na produção de um combustível sustentável para gerar energia. Trabalho é fruto da parceria do Instituto SENAI de Inovação em Biomassa e a CTG Brasil
O projeto foi nomeado como “Macrofuel: Aproveitamento Energético de Bio-Óleo Pirolítico de Macrófitas Aquáticas para Produção de Biocombustível”

Buscando solucionar um problema ambiental nos reservatórios de usinas hidrelétricas, o Instituto SENAI de Inovação em Biomassa, localizado em Três Lagoas, e a CTG Brasil, 2ª maior geradora privada de energia do país, lançaram o projeto “Macrofuel: Aproveitamento Energético de Bio-Óleo Pirolítico de Macrófitas Aquáticas para Produção de Biocombustível”. O objetivo é avaliar o aproveitamento energético do bio-óleo proveniente de macrófitas, que são plantas aquáticas, nos reservatórios de Ilha Solteira e Jupiá.

Na avaliação do diretor-regional do SENAI, Rodolpho Caesar Mangialardo, o lançamento desse projeto representa um divisor de águas dentro da instituição. “Esse ano comemoramos 40 anos em Mato Grosso do Sul e temos por base a educação profissional para as indústrias, mas há alguns anos já percebemos que a inovação e a tecnologia têm de andar juntas com essa formação profissional. Então nós estruturamos o ISI Biomassa para enxergar o que mais poderíamos fazer dentro das indústrias”, explicou.

Para ele, esse contrato buscando uma solução com as macrófitas é um dos frutos dessa busca pela inovação. “Essas plantas aquáticas prejudicam a geração de energia nas hidrelétricas. Foge um pouco dessa linha do SENAI de investimentos em energia solar e energia eólica, mas acho que devemos olhar com bons olhos esse projeto, que é tão importante. É fundamental essa parceria para entendermos na prática a realidade das indústrias para apresentarmos soluções para os problemas que elas enfrentam”, completou.

Mangialardo afirma que o projeto vai de acordo com a missão da instituição no quesito inovação

INVESTIMENTO MILIONÁRIO - Segundo a diretora do Instituto SENAI de Biomassa, Carolina Andrade, o projeto prevê investimentos de R$ 4,6 milhões, utilizando recursos do SENAI, da CTG Brasil e da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

“Já começamos algumas ações e a equipe já está em campo, avaliando a ocorrência das macrófitas. Nós já começamos os ensaios dentro do laboratório, mas é um projeto que deve durar três anos dada sua complexidade, porque vamos sair de uma planta e vamos chegar a um óleo para uso nos motores da própria empresa. Então há uma série de etapas e todas serão conduzidas aqui dentro do ISI Biomassa”, detalhou.

O diretor de operação e manutenção da CTG Brasil, César Teodoro, destacou que a pesquisa e a inovação são uma mola propulsora do desenvolvimento, daí a escolha de trabalhar com o SENAI para buscar uma tecnologia inovadora.

“Buscamos com a inovação trazer a melhoria no desenvolvimento de algo que atualmente nos preocupa e trazendo o crescimento junto à comunidade e a participação do SENAI. As macrófitas são um problema hoje e agora queremos encontrar essa solução e mais, outros subprodutos que possam trazer uma situação bastante favorável”, salientou.

Ele reforçou que a ideia inicial não abrange a comercialização direta do bio-óleo, visto que o foco é desenvolver uma metodologia de produção de biocombustível líquido para geração de energia. “O primeiro passo é um diagnóstico desse produto e a possibilidade de expandir de forma externa, com certeza utilizaremos junto à comunidade. O projeto é para os reservatórios de Jupiá e Ilha Solteira, mas dependendo dos resultados obtidos, poderemos expandir para outras unidades”, acrescentou.

César Teodoro destacou que a pesquisa e a inovação são uma mola propulsora do desenvolvimento, por isso escolheram trabalhar com o Instituto SENAI de Inovação

REPERCUSSÃO - Na avaliação do secretário-adjunto da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Ricardo Senna, o lançamento do projeto tem vários significados para o Mato Grosso do Sul. “O primeiro é saber que as empresas estão apostando em tecnologias limpas para promover o seu crescimento”, destacou.

Ele completa que é importante observar a parceria entre empresas privadas e instituições de pesquisa como o ISI Biomassa, que aposta na inovação. “Esse projeto cria oportunidades de pesquisa e desenvolvimento nessa área para solucionar não somente o problema que a usina identifica, mas também para mostrar às empresas que os investimentos em inovação podem ajudar a resolver problemas de gestão, de processos e novos produtos”, comentou.

Também presente ao evento, o prefeito de Três Lagoas, Angelo Guerreiro, destacou a localização estratégica do município e do ISI Biomassa para atender as indústrias de todo o país. “É uma honra para nós termos o Instituto de Inovação do SENAI aqui, atendendo as empresas da região e do restante do Brasil em projetos de pesquisa e inovação que melhoram a competitividade dessas empresas e também criam novos produtos. Torço para que esse projeto de pesquisa com a CTG Brasil tenha sucesso e possa ser expandido para outras unidades e me coloco à disposição para que vocês contem conosco no que for possível”, finalizou.

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