SENAI Cimatec redesenha curso de graduação para formar engenheiro do século 21

Pró-reitora apresentou, nesta sexta-feira, o processo de implantação das novas Diretrizes Curriculares Nacionais de Engenharia na instituição, durante o 4° debate sobre o tema promovido nas redes sociais da CNI
A formação prevê três perfis: pesquisador, técnico e empreendedor

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) Cimatec, em Salvador (BA), está em processo avançado de implantação das novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) de Engenharia para formar o engenheiro do século 21. O curso de graduação da instituição foi redesenhado, com apoio do setor produtivo, para permitir a formação de pelo menos três novos perfis profissionais: o pesquisador acadêmico, o técnico-gestor e o empreendedor. 

“A nossa ideia é que tenhamos uma fábrica de startups”, explicou a pró-reitora Administrativa, Tatiana Ferraz. “Ao final do processo do curso de cinco anos de Engenharia, esperamos ter empresas também, com pessoas na liderança com perfil técnico e empreendedor, levando mais inovação e transformação para nossa indústria e a sociedade”, afirmou, durante o 4° debate online sobre a implantação das DCNs, promovido pela Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) nas redes sociais da Confederação Nacional da Indústria (CNI). 

O projeto de inovação acadêmica do SENAI Cimatec, iniciado em 2017, que teve mais de 70 pessoas envolvidas, estruturou um novo currículo, prevendo os três percursos formativos, com foco na formação por competências preconizada pelas DCNs. Nesse processo, foram ouvidos representantes de empresas, como a Braskem, a Totvus e a Renault, que apontaram o perfil profissional desejado do futuro engenheiro. No modelo, que enfatiza a aprendizagem ativa e a prática, os estudantes começam a desenvolver projetos desde o primeiro semestre.

Capacitação do docente também é essencial para modernizar a Engenharia

As Instituições de Educação Superior têm até 2023 para modernizar a graduação, a fim de que os profissionais formados na área sejam agentes de inovação, de acordo as novas DCNs, homologadas em abril do ano passado. A norma deu maior autonomia às instituições de educação para desenhar currículos segundo suas prioridades e contexto de atuação. Os novos modelos curriculares devem estimular a experimentação e dar protagonismo aos alunos no processo de aprendizagem, assim como desenvolver competências técnicas e socioemocionais. 

Na avaliação da pró-reitora do SENAI Cimatec, entre os grandes desafios de implantação das novas Diretrizes está a avaliação por competências, que exige uso de ferramentas de mensuração que vão além de provas escritas. Outro ponto fundamental é a capacitação do professor para permitir que ele melhore o processo de ensino baseado na prática. Para isso foi criado um programa de formação docente, que conta com editais de fomento à qualificação.

A instituição foi uma das oito selecionadas pelo Projeto de Modernização da Graduação da Coordenação de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Comissão Fulbright. O objetivo é modernizar o ensino superior brasileiro, como foco inicial na Engenharia, em cooperação com instituições dos Estados Unidos.


“O docente em Engenharia precisa ter uma série de características, como pensamento sistêmico, a criatividade para ser capaz de criar, planejar, implementar e avaliar situações de aprendizagens ativas com foco no desenvolvimento, em simulação, implementação, operação de sistemas de Engenharia”, explicou Tatiana Ferraz.


Articulação entre universidades e empresas precisa ser permanente

O novo modelo propõe o envolvimento dos estudantes em projetos desde o primeiro semestre

Durante o debate, a diretora de Inovação da CNI, Gianna Sagazio, propôs a organização de um fórum anual para que gestores de empresas e de escolas debatam a agenda educacional na área, tendências nacionais e globais, demandas e formas de colaboração. “Isso permitiria engajar mais amplamente as empresas nesse debate, envolvendo-as na identificação e definição de ações prioritárias e na promoção de melhores práticas”, defendeu.


“Falta aprimorarmos a cultura de articulação entre universidade e empresa, tão importante para a agenda de tornar o Brasil e as empresas mais inovadores e com isso gerar desenvolvimento econômico e social”, destacou Gianna Sagazio. 


O reitor do Instituto Federal de São Paulo, Eduardo Antônio Modena, concordou que é necessário debater as boas práticas de modernização dos cursos, pois a implantação das novas Diretrizes é um grande desafio. “O que há de bom, a gente precisa aproveitar. Estamos engajados nas melhores práticas para esse belo edifício ser colocado em pé”, argumentou. Participaram também do debate online o coordenador do curso de Engenharia Eletrônica da Unifei, Rodrigo Maximiano Antunes de Almeida, e o diretor global de Inovação e Tecnologia da Braskem, Gilfranque Leite.

A CNI, por meio da Mobilização Empresarial pela Inovação, participou da construção de documento produzido pela Comissão Nacional de Implantação das Diretrizes Curriculares de Engenharia, coordenada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE). O documento contém orientações relevantes baseadas em evidências, assim como experiências bem sucedidas para estimular e acelerar o processo de modernização dos cursos nas escolas de Engenharia de todo o país. 

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