Rede alemã Fraunhofer fará auditoria tecnológica nos Institutos SENAI de Inovação

Mais renomada organização de pesquisa aplicada da Europa, contratada para ajudar a implantar 25 centros de P&D no Brasil, vai avaliar evolução da tecnologia da estrutura do SENAI em relação às maiores referências mundiais
Instituto SENAI de Engenharia de Polímeros, em São Leopoldo (RS)

A Sociedade Fraunhofer, da Alemanha, a mais renomada rede de pesquisa aplicada da Europa foi contratada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) para apoiar a implantação dos 25 Institutos SENAI de Inovação, centros de pesquisa aplicada destinados a ajudar a indústria brasileira a ser mais competitiva. Em 2018, o trabalho ganha um novo objetivo: a instituição alemã fará auditorias tecnológicas para avaliar o grau de evolução tecnológica de 14 centros de pesquisa, desenvolvimento e inovação do SENAI em relação às maiores referências mundiais.

Os especialistas alemães já realizaram, no ano passado, quatro pilotos da análise tecnológica, que será agora estendida aos demais, nos Institutos SENAI de Inovação em Biomassa, no Mato Grosso do Sul; de Sistemas Embarcados, em Santa Catarina; de Metalmecânica, no Rio Grande do Sul, e de Eletroquímica, no Paraná. A avaliação é que, em apenas cinco anos de existência, a rede nacional do SENAI já trouxe ao Brasil algumas estruturas para pesquisa e inovação na fronteira tecnológica.

“O SENAI buscou a melhor parceria que existe no mundo, os Institutos Fraunhofer, no grande desafio de criar uma infraestrutura de apoio à inovação na indústria brasileira, pautado pela 4ª revolução industrial. Além de montar redes nas competências que são determinantes para a indústria, é fundamental que os Institutos SENAI de Inovação estejam atualizados permanentemente”, explica o diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi. “Com uma instituição de referência como a Fraunhofer, será possível ao SENAI estabelecer uma constante ação de auditorias tecnológicas para manter o nível de excelência que a indústria brasileira requer nos seus desafios competitivos”, completa.

SOLUÇÕES CUSTOMIZADAS – Criados por iniciativa da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), grupo de cerca de 200 executivos das principais companhias industriais brasileiras, os Institutos SENAI de Inovação trabalham com pesquisa aplicada, o emprego do conhecimento de forma prática no desenvolvimento de novos produtos e soluções customizadas para as empresas ou de ideias que geram oportunidades de negócios. A rede atua com tendências globais como mobilidade, saúde, energia, cidades inteligentes, manufatura avançada, bioeconomia, tecnologias da informação e comunicação, entre outras. Desde que começaram a operar, os Institutos SENAI de Inovação entregaram 241 projetos e movimentaram R$ 161,5 milhões. Os 21 centros operacionais, localizados nas cinco regiões brasileiras, possuem, no momento, 256 projetos contratados com empresas de todos os portes. 

Grande inspiração para criação da rede do SENAI, o Instituto Fraunhofer IPK de Berlim foi contratado em 2013 para ajudar no planejamento e implementação de cada unidade com foco na orientação para o mercado. Os pesquisadores alemães também monitoram o desempenho dos Institutos, tanto individualmente como em conjunto. No ano passado, foram avaliados os planos de negócio, a satisfação dos clientes e a gestão dos projetos desenvolvidos por 23 centros.

“A Fraunhofer é uma grande mediadora, à luz da sua experiência, do que tem de ser feito para que os Institutos SENAI de Inovação sejam referências nacionais e internacionais em seus campos de atuação”, explica o gerente-executivo de Inovação e Tecnologia do SENAI, Marcelo Prim. “O efeito da parceria tem sido enorme, muito positivo. Conseguimos, por exemplo, acelerar o credenciamento de vários Institutos na Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii)”, complementa Prim. Atualmente, 11 Institutos SENAI de Inovação são credenciados na Embrapii, o que permite a esses centros contar com verba diferenciada para financiamento de projetos estratégicos de pesquisa e inovação.

O SENAI também contratou, em 2014, especialistas do Massachusetts Institute of Technology (MIT) de Cambridge, nos Estados Unidos, referência mundial em inovação de base tecnológica, para analisar o ecossistema de inovação brasileiro. Os norte-americanos vão propor aos Institutos SENAI de Inovação metodologias e práticas adaptadas às particularidades do Brasil.

Um dos resultados do trabalho, até o momento, foi o estudo Accelerating Innovation in Brazil, que analisou o ecossistema de inovação brasileiro. Segundo o MIT, entre os obstáculos que impedem o país de ser protagonista nesse campo estão baixa integração às cadeias globais de valor; o alto custo e risco de investimento em pesquisa e em produtos de alto impacto, assim como o distanciamento entre a pesquisa realizada nas universidades e as inovações inseridas no mercado pelas indústrias.

Os pesquisadores norte-americanos recomendam, entre outras medidas, que a política industrial e de inovação reforcem uma à outra; que o Brasil amplie sua inserção internacional e incentive inovações institucionais surgidas no país. Uma das boas práticas observadas são as organizações de pesquisa e tecnologia (RTO em inglês), conhecidas no Brasil como instituições de ciência e tecnologia (ICTs). Estimular a existência dessas organizações é uma das estratégias adotadas pelas principais nações inovadoras para garantir a correta tradução da ciência produzida na universidade para o setor produtivo e sua inserção no mercado.

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