Precisamos que o governo e a academia estejam cada vez mais com a indústria na agenda da inovação, diz presidente da CNI

Robson Braga de Andrade participou da reunião de Líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), que contou com a presença dos ministros Gilberto Kassab e Rossieli Soares

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, enfatizou que a união entre o setor industrial, as universidades e os governos é fundamental para o desenvolvimento da inovação no Brasil. Ele participou nesta sexta-feira (10), no escritório da CNI em São Paulo, da reunião do Comitê de Líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI).

“Nenhum setor se relaciona mais com a inovação do que a indústria. Porém, para inovar, é necessário que o governo e a academia estejam cada vez mais conosco. Essa articulação é fundamental”, disse Robson Andrade. “A legitimação dos pleitos da MEI perante o governo depende da participação crescente dos líderes das empresas que investem em inovação no Brasil”, acrescentou o presidente da CNI, durante a abertura do encontro, que contou com as presenças dos ministros da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MTIC), Gilberto Kassab, e da Educação, Rossieli Soares da Silva.

Para exemplificar a importância da ampliação dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento no país, o presidente do Conselho de Administração da Ultrapar e membro do Conselho do Índice Global de Inovação (IGI), Pedro Wongtschowski, apresentou os números mais recentes do ranking de 126 países. O Brasil aparece na 64ª posição, em 2018, uma melhora de cinco colocações em relação a 2017, quando o país ficou no 69º lugar.

Entre as áreas em que o Brasil se destacou, estão: gastos com pesquisa e desenvolvimento (P&D); importações e exportações; qualidade de publicações científicas e universidades, onde se destacam a USP, a Unicamp e a UFRJ. O IGI, produzido anualmente pela Universidade Cornell, pelo INSEAD e pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), tem a CNI e o Sebrae como parceiros de conhecimento. “Precisamos melhorar as macro condições para o Brasil inovar. A inovação gera competitividade, que gera reinvestimento em inovação”, afirmou Wongtschowski.

O presidente da Cisco, Laércio Albuquerque, também apresentou pesquisa da empresa, segundo a qual o Brasil continua atrasado na agenda de inovação. De acordo com os dados, o Brasil precisa aprimorar o incentivo às startups no país e a integração entre empresas e universidades. “É preciso melhorar o ambiente da academia com a indústria”, destacou Albuquerque.

ENGENHARIAS – Depois de falar sobre as iniciativas do Ministério da Educação (MEC) na área de inovação, o ministro Rossieli Soares ressaltou a importância do trabalho realizado pelo Grupo de Trabalho para o Fortalecimento das Engenharias, coordenado pela MEI. Segundo ele, a proposta apresentada pelo fórum, em parceria com a Associação Brasileira de Educação em Engenharia (Abenge) e com o Conselho Nacional de Educação (CNE), vai ser colocada em consulta pública a ser lançada nos próximos dias. Entre as propostas do grupo estão o aumento do foco do ensino em competências, a valorização do docente, ênfase ao plano curricular e incentivo ao relacionamento das universidades com empresas.

“Agradeço a MEI e que a gente continue esse trabalho. A modernização dos cursos de engenharia é muito importante para o país”, frisou Rossieli. Ele acrescentou que o MEC também tem focado em políticas de inovação para o ensino básico. “O desafio de trazer a inovação precisa ser olhado para dentro da educação básica”, pontuou.

CENTELHA – Reconhecendo o alerta da CNI em relação à importância da integração entre a o setor produtivo e o governo na agenda de inovação, o ministro Gilberto Kassab mencionou que a atuação conjunta com o setor empresarial será decisiva para o avanço da inovação no Brasil. “Obtivemos sensíveis avanços em razão de importantes parcerias com a iniciativa privada e dentro do governo”, afirmou.

Kassab aproveitou a reunião da MEI para anunciar o Projeto Centelha, cujo objetivo será disseminar a cultura de inovação e empreendedorismo nas instituições de ensino e pesquisa do país. Segundo o ministro, as instituições precisam de estímulo e de apoio para inovar. O programa do MEC, em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), priorizará projetos com impacto social, ambiental e tecnológico.

Durante o encontro, foi assinada ainda uma parceria entre o IEL e a FIAP, voltada para o desenvolvimento de ações educacionais relativas a gestão, inovação e tecnologia.

LINHAS DE FINANCIAMENTO – Também presente ao encontro, o presidente do BNDES, Dyogo Oliveira, ressaltou que o banco tem priorizado instrumentos voltados para o apoio à inovação. Segundo ele, o BNDES tem um conjunto de linhas de créditos para investimentos em startups, com o acompanhamento de técnicos em todos os ciclos da implantação de projetos inovadores. “Vamos oferecer todo tipo de suporte operacional e integração com empresas clientes do BNDES”, detalhou.

SOBRE A MEI – Os líderes da MEI se reúnem a cada três meses em encontros com a presença de representantes do governo federal onde são discutidos e definidos caminhos para potencializar a inovação no setor empresarial brasileiro, bem como avaliar as ações já em curso de estímulo à agenda no país. Entre as iniciativas da MEI destacam-se diagnósticos e estudos, colaboração com políticas do governo, apoio para empresários inovarem e imersões para ecossistemas de inovação no Brasil e no exterior em grupos que reúnem integrantes de empresas, governo, agências de fomento e universidades.

Atualmente, a MEI é o principal e mais bem consolidado fórum de diálogo entre os setores empresarial e público, com importante participação da academia. A participação crescente dos maiores líderes empresariais das indústrias que investem em inovação no Brasil legitima os pleitos da indústria junto ao governo e consolida o aprimoramento do ecossistema de inovação.

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