Setor industrial discute financiamento para impulsionar negócios sustentáveis na Amazônia

O papel do setor privado na promoção do desenvolvimento sustentável foi tema de debate, promovido pelo Instituto Amazônia+21 e a Facility de Investimentos Sustentáveis

O painel de abertura destacou o papel do setor privado na promoção do desenvolvimento sustentável. Foto: Arthur Correa/FIEPA

Financiamento sustentável, habitação de baixo carbono, bioeconomia e agricultura regenerativa foram alguns dos assuntos abordados nesta quinta-feira (13), na sede da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), durante evento promovido pelo Instituto Amazônia+21 e a Facility de Investimentos Sustentáveis (FAIS).

A programação especial durante a COP 30 visou debater o papel do setor produtivo e dos investimentos de impacto na construção de uma economia verde na Amazônia.

Com mediação de Marcelo Thomé, presidente do Instituto Amazônia+21, da FAIS e da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), o painel de abertura destacou o papel do setor privado na promoção do desenvolvimento sustentável. 

“O legado que este ano e a COP30 no Brasil deixam, a partir da iniciativa da Confederação Nacional da Indústria, é a demonstração de que fomos capazes de reconstruir uma mobilização global envolvendo mais de 60 países e 40 milhões de empresas para mostrar, a partir do setor privado e das nossas ações em diferentes agendas e países, que sustentabilidade é, sim, um bom negócio. Enfrentar as mudanças climáticas é fundamental para garantir capacidade produtiva, mesmo quando olhamos apenas pela ótica econômica”, afirmou o Thomé.

Durante o evento, o presidente da FIEPA, Alex Carvalho, defendeu que a parceria com o Instituto é importante para que as propostas apresentadas durante a COP, sejam colocadas em prática, recursos e incentivo para o desenvolvimento das indústrias da Amazônia. 

“A Amazônia é um território de contradições e desafios, mas também um gigante de oportunidades. Chegou a hora de transformar discurso em prática. Precisamos de ações concretas, de esforço coletivo e de coragem para enfrentar a realidade. A FIEPA, a Jornada COP+, o Instituto Amazônia+21 e a rede de parceiros que construímos têm esse papel, de conectar, mobilizar e entregar resultados. Não queremos apenas debater, queremos fazer acontecer. E é exatamente isso que vamos fazer”, afirmou o presidente da FIEPA.

Nesse sentido, uma das inciativas apresentadas em Belém foi o Fundo Travessia, desenvolvido pelo Instituto Amazônia+21, em parceria com o Sebrae Nacional, a Facility e a FIEPA, para impulsionar o desenvolvimento sustentável da Amazônia por meio do apoio a micro e pequenos negócios da bioeconomia amazônica.

Com capital da FIEPA, o fundo terá um edital específico para o estado do Pará, direcionada à base produtiva local da bioeconomia. O objetivo é estimular a formação de novas indústrias sustentáveis, fortalecer o ecossistema de inovação e demonstrar que é possível construir um novo modelo de desenvolvimento econômico e social baseado na floresta e na sustentabilidade.

“Após conhecer o portfólio de soluções do Instituto Amazônia+21, fiquei animado com a possibilidade de trazer uma alternativa concreta para impulsionar o desenvolvimento, a partir de um capital fruto de uma gestão eficiente e responsável da Federação. Queremos apoiar empresas de setores como o de fármacos, cosméticos, frutas e outros baseados na natureza, ampliando o acesso a instrumentos que estimulem o crescimento sustentável. Com governança e capacidade de conexão, queremos envolver nossos parceiros e assumir juntos a responsabilidade de abrir novos caminhos para o capital e apoiar nossas indústrias locais. Tenho confiança de que essa iniciativa representa uma verdadeira quebra de paradigma para a Amazônia”, avaliou Alex Carvalho.

Na FIEPA, a programação também abordou o projeto Morar Amazônico, que utiliza madeira engenheirada de origem responsável em habitações sustentáveis, e o programa Rural+Verde, que integra agricultores familiares e assentamentos rurais na transição para práticas produtivas regenerativas.

O encerramento foi dedicado à exibição do trailer da série documental “Amazônia(s): Um novo jeito de caminhar”, coproduzida pela INTRO Pictures, Istambul Filmes e Instituto Amazônia+21, com patrocínio da IBM e Ultragaz.

A produção, que será exibida pela Rede Amazônica (TV Globo), por meio do canal Amazon Sat, apresenta histórias reais de inovação e impacto social na região, mostrando como ciência, negócios e comunidades estão moldando um novo modelo de desenvolvimento para a floresta.

Facility de Investimentos Sustentáveis

A Facility de Investimentos Sustentáveis é uma plataforma do Instituto Amazônia+21 lançada em 2024, para conectar empreendedores amazônicos a investidores nacionais e internacionais interessados em negócios de impacto socioambiental.

A ferramenta funciona por meio de um blended finance. A intenção é captar R$ 600 milhões nos primeiros três anos. Ao longo de 10 anos, a meta é chegar a R$ 4 bilhões. A CNI é a primeira instituição a investir no fundo, ao comprar uma das dez cotas pioneiras no valor de R$ 2 milhões.

No último dia 10 de novembro, o Instituto Amazônia+21 anunciou o aporte de R$ 2 milhões realizado pelo Sebrae na Facility de Investimentos. O anúncio ocorreu no estande da CNI, na Blue Zone da COP30, em Belém.

CNI na COP30

A participação da CNI na COP30 conta com a correalização do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e do Serviço Social da Indústria (SESI).

Institucionalmente, a iniciativa é apoiada pela Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), First Abu Dhabi Bank (FAB), Sistema FIEPAInstituto Amazônia+21U.S. Chamber of Commerce e International Organisation of Employers (OIE).

A realização das atividades da indústria na COP30 recebe o patrocínio de Schneider ElectricJBSAnfaveaCarbon MeasuresCPFL Energia, Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Latam Airlines, MBRF, PepsicoSuzanoSyngentaAcelen Renováveis, Aegea, Albras Alumínio Brasileiro S.A.AmbevBraskemHydro, Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Itaúsa e Vale.

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